Marca Brasil: quando tem continuidade, gera afinidade

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Desde 2011 que a marca do turismo do Peru é vista nos principais eventos, feiras, souvenir e atrativos do país, levando consigo não somente uma mera criação artística, mas um emaranhado de simbologias peruanas em que ao observá-la, a vontade de conhecer o país, seus costumes, consumir seus produtos e sua gastronomia, torna-se uma constante.

A Marca Peru, sobremaneira, é facilmente gravada na memória de quem a observa. Traz consigo uma afetividade e afinidade com o que já se divulga do destino Peru, a exemplo dos seus atrativos naturais e históricos. O P de Peru simboliza a linha de Nazca, denotando a história dos Incas e a modernidade do futuro. E assim a marca peruana subiu de 11 posições no ranking global em 2018, colocando o país na posição 41 do ranking global em relação as marcas de destinos do turismo dos países. Mas a marca não revela somente o Turismo, transformou-se em identidade peruana, em contínua política pública de estado e resguarda todos os ritos, mitos, histórias e costumes sem expressar nem uma palavrinha seque, a não ser o nome do país.

Marca Peru consolidada

Segundo a FutureBrand, uma das maiores empresas de consultoria e pesquisa deste tipo do mundo, o conceito “marca” se refere “à soma de reputação, percepções e associações sustentadas por múltiplas partes interessadas sobre cada país”.

Em que se refere ao Brasil, com “S”, em 2005 a Marca Brasil que estava em vigor até esta terça-feira, 16, foi apresentada ao mercado internacional de turismo pela primeira vez na ITB Berlim 2005, uma das maiores feiras de turismo do mundo. A Marca Brasil, desenvolvida pelo Ministério do Turismo por meio da Embratur, era até então uma espécie de selo de qualidade de produtos e destinos turísticos brasileiros no exterior. Mantinha um significado implícito de diversidade, curvas, alegria.

Marca Brasil lançada em 2005

Para se ter uma ideia, a denominada Marca Brasil representava a imagem do Turismo do Brasil e de seus principais atributos de exportação. Além disso, a marca traduzia a imagem que o turista estrangeiro tem do País: multicolorida, refletindo aspectos como alegria, sinuosidade, luminosidade e modernidade.

Desde que foi tornada pública pela primeira vez em 2005, a Marca Brasil manteve-se no 1º lugar no ranking da Latin America Country Brand Report, entidade respeitada que também mensura a percepção da população de outras regiões do mundo em relação a 21 nações latino-americanas e analisa a força das marcas desses países. A Marca Brasil foi considerada a mais valiosa na região, até 2017, ano em que sofreu uma leve queda e foi ultrapassada pela Argentina.

Os pontos fortes do Brasil levantados pelos entrevistados foram: Patrimônio e Cultura (80%), Turismo (76%), ‘Made in’ (65%) e Atitude para Negócios (63%). O item Patrimônio e Cultura trouxe como principais atributos a beleza natural e monumentos históricos no país. O Turismo se destacou pela diversidade de hospedagem, atrações e gastronomia. Também apareceram no estudo a autenticidade dos produtos brasileiros manufaturados, além do potencial para negócios.

O que isso quer dizer? Mesmo que o país não esteja, nem estivesse a época da pesquisa tão bem em dados no turismo mundial em relação aos primeiros países do ranking deste setor, o mercado estrangeiro em potencial de turistas considera o Brasil como um destino a ser desbravado e, consideravelmente, a sua marca até então utilizada tinha criado uma empatia e afinidade com tudo o que se divulgava do Brasil: vibração, alegria, curvas da arquitetura, cores representativas da natureza e da gastronomia, diversidade e pluralidade do povo brasileiro.

Por conseguinte, nesta terça-feira, 16, o Governo Federal publicou uma nova Marca Brasil inspirada na Bandeira Nacional e, por incrível que pareça, grafada Brasil com a letra “Z”. Segundo a Embratur, para “ fortalecer o marketing digital da marca Brazil, facilitando as buscas na internet realizadas pelos estrangeiros”. Ela também veio acompanhada do slogan Visit and love us (Visite e encante-se ou Visite e nos ame).

Nova Marca Brasil gera polêmica e descontinuidade

Bastante questionada nas redes sociais por especialistas e pelo trade nacional, a nova marca traz o “love us”, “nos ame”, “ame-nos”, com conotação dúbia em um momento através do qual o Brasil tenta se furtar da exploração sexual, do turismo sexual e afins, divulgados em tempos sombrios e que fez crescer vertiginosamente esse tipo de turismo no país.

Hum, má vontade de enxergar uma boa nova Marca Brasil, não é. Quando se há dubiedade na informação, consta nas enciclopédias da comunicação e do marketing que não se deixar essas dúvidas e elucida-las de imediato, trocando por uma simbologia mais clara, a não ser que seja proposital por algum motivo que não creio ser. Querelas à parte, o dito popular diz que “o que está dando certo não deve ser mexido”. E a Marca Brasil de outrora cabe muito bem nesse ditado.

Enquanto que o Ministério do Turismo, por meio da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), muda algo que já estava sendo consolidado e as pesquisas apontavam boas projeções para a Marca Brasil desde que foi criada, o Brasil amarga o patamar de 6,62 milhões de turistas estrangeiros em 2018. Para se ter um desenho comparativo, somente o Museu do Louvre recebeu cerca de 7,6 milhões de estrangeiros em 2018 e a vizinha Argentina 7,5 milhões.

A descontinuidade da Marca Brasil é só um reflexo. Em abril o Governo Federal aprovou a retirada do Plano Nacional de Turismo 2018/ 2022 do incentivo ao turismo LGBT, mesmo sabendo que esse público gera 10% dos viajantes do mundo e movimentam 15% da economia deste setor. Na contramão da continuidade, os cortes de verbas para investimentos de divulgação internacionais têm gerado a estagnação do fluxo, enquanto que a Argentina, o Peru e a Colômbia aumentam. Ao menos, a Marca Brasil seria algo que continuaria sua trajetória de sucesso. Afinal, quando se tem continuidade na comunicação, o ruído é menor e o sucesso da mensagem é sempre mais breve a ser alcançado. Gera afinidade.

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