No Birigui com Shiley Katiane

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Cartas do Apolônio

 

No Birigui com Shirley Katiane

 

Lisboa, 24 de setembro de 2004

 

Caros amigos de Sergipe:

 

Estou apaixonado! Conheci Shirley Katiane, uma sergipana espetacular que está de férias pela Europa. Loura, alta e portentosa, olhos azuis, um avião de mulher!

A primeira vez que a vi foi numa apresentação do Grand Circus Birigui que está de volta à Lisboa em curtíssima temporada (a última durou oito meses!).

Estava sozinha a poucas cadeiras da minha, degustando uma inocente maçã do amor e assistindo a apresentação do grande ventríloquo Ronaldo Sopinha que destilava seu imenso e conhecido repertório de piadas sobre a inteligência das louras.

A platéia estava adorando o achincalhe com as blondies. Mas a sergipana parecia visivelmente incomodada com a situação.

Em dado momento, Shirley Katiane não suportou toda aquela humilhação. Levantou-se e reclamou veementemente das piadas do Sopinha,  dizendo que era um absurdo reproduzir aquele tipo de preconceito bobo baseado apenas na cor de um cabelo e que além do mais, também não via nenhum sentido em se avaliar o nível intelectual das pessoas assim genericamente, tomando-se como base apenas as suas características físicas. Comecei a me interessar pela corajosa brasileirinha (conheci pelo sotaque, evidentemente!) Me aproximei.

A platéia, um tanto constrangida, parou de sorrir, fazendo com que o velho e bom ‘Sopa’ refletisse sobre o que dissera a loura que saiu em defesa da raça.

Numa atitude inusitada, o profissional parou o espetáculo, desfez-se do seu personagem e dirigiu-se diretamente a Shirley Katiane, à guisa de se penitenciar.

Pediu-lhe desculpas, disse-lhe que, sinceramente, nunca lhe ocorreram tais idéias e que doravante ia refletir melhor sobre as mensagens implícitas nas suas piadas.

Com certo desdém, Katy (permitam-me!) pediu-lhe para não se meter naquele assunto, pois ela estava falando com o rapazinho que se encontrava sentado no colo do Ronaldo e não queria intrusos na conversa. Foi aí mesmo que eu me apaixonei!

Nunca vi loura tão tapada em toda a minha vida. Menino, uma maravilha! Com Shyrley não tem negócio de Lacan, Fulcault ou Adorno, não (aliás, ela mesma me confidenciou que o único adorno que conhece, é pingüim de geladeira).

Cultura pra ela é o cultivo da mandioca e cana de açúcar, meus amigos.

Nada de discutir a relação, o negócio é se divertir lendo piadinhas na Internet (nível Junior), ouvindo axé music e atualizando-se sobre o namoro de Daniela Cicarelli com Ronaldinho ou os detalhes da nova casa de Ana Maria Braga em Angra. Vou trocar as obras completas de Freud pela coleção da Revista Caras.
  

Por outro lado, a musa de louras madeixas é um furacão na cama. Dos estudos do bundalelê afro brasileiro às maravilhas da ‘espermocosmética’ aplicada, passando pelas pesquisas em profilaxia anal, a sergipana já mostrou que sabe ‘de um tudo’ como diria a veneranda vovó Cotinha.

De modo que estou eu a aplicar uma severa mais valia à nossa grande verga por esses dias de paixão aguda. Ando até pensando em ganhar algum dinheiro com todo esse mestrado ao qual estou sendo prazerosamente submetido.

Já que na barbosópolis tem algumas faculdades com nomes originais como a Uva, a Fase e a Fama, penso em instalar em 2005, por que não, a Faculdade Orgástica De Aracaju. Pelo amor de Deus, só não me perguntem como vai ficar a sigla.

 

Até semana que vem.

 

Um abraço do,

 

Apolônio Lisboa

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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