QUERO O MEU MENSALÃO

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Lisboa, 9 de junho de 2005 

 

Caros amigos de Sergipe:

Esse Roberto Jefferson é um corta onda. Todo mundo se dando bem e ele vem com essa de dedurar os seus pares. Trata-se de um mau colega sem sombra de dúvidas.Mas deixemos as mumunhas da política de lado. Estou em estado de graça. É que enquanto me encontrava absorto, pensando nessa bandalheira toda em que se encontra o cenário político das terras cabralinas, eis que toca a campainha aqui de casa, um velho e querido amigo: o kardequiano Benjamin Teixeira.

O gajo veio fazer uma série de palestras cá  em Portugal e deu-nos o prazer da sua companhia num jantarzinho onde todos degustamos as suculentas porpetas da Zenóbia, no bom sentido, evidentemente. Pode parecer exagero, mas não é que com a sua chegada a energia do ambiente de fato se transmutou?!

A minha surpreendente patroa sexagenária transformou-se num verdadeiro anjo de candura após esse jantar. Comprou toda a coleção da Zíbia Gasparetto e desde então passa os dias alegremente a colocar violetas na janela. Flodoaldo, meu leopardo de estimação, é agora um dócil gatinho que a todos enternece com as suas salivantes lambidas matinais. Demasiadamente salivantes, diga-se de passagem! 

O fato é que, para alegria de todos, a visita de Benjamin provocou, digamos, um salto quântico na minha outrora conturbada mansarda. Salto quântico não, uma verdadeira revolução, foi o que o inspirado amigo operou com as suas sábias e cativantes palavras.  

Apenas a Sulamita minha secretária bilíngüe e boazuda, é que entendeu mal a recomendação benjaminiana de “fazer o bem sem olhar a quem”. Agora vive a se atracar com todos os desconhecidos que passam pelo quarteirão, tal qual uma Rita Cadillac lusitana. Creio que não tardarei em despedir a referida Messalina.

Enquanto esse dia não chega, fico cá a imaginar como será o próximo São João aí na terrinha, pois as festas juninas decididamente não são mais as mesmas nos dias que correm. Os chamados trios pé de serra foram trocadas por aquelas bandas de forró, cheias de glúteos e cabelos oxigenados. Ao invés das antigas roupas de caipira, o negócio agora são aquelas fantasias de agrogirl paulista que as meninas da classe média sergipana adoram exibir nas faculdades.

Aliás, dizem que nas universidades sergipanas houve de fato um processo de renovação cultural que conquistou definitivamente nove entre dez universitários sergipanos. Verdadeiros ícones da formação do pensamento universal como Michael Foucault, Herbert Marcuse e Eric Hobsbawm foram substituídos por gente muito mais animada como Frank Aguiar, Julinho Porradão e Lairton e seus teclados. É a vitória inelutável da teoria multiculturalista do ministro Gil.

Até semana que vem.

Um abraço do

Apolônio Lisboa.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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