Um pouco de tanta verdade

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Frente à decisão de professoras e professores da Rede Estadual de iniciarem uma greve a partir desta segunda-feira (18), o Governo de Sergipe decidiu intensificar a sua campanha de mentiras e terror contra os profissionais do magistério.

Pelas redes sociais, durante o final de semana, assessores do Governo espalharam a informação de que o Diretor de Comunicação do SINTESE, Joel Almeida, recebeu no mês de abril deste ano uma remuneração líquida superior a R$ 9 mil.

Também pelas redes sociais a resposta do professor Joel Almeida foi divulgada e, imediatamente, algumas verdades apareceram. Em síntese, cabe dizer aqui que a remuneração recebida pelo professor e dirigente sindical no mês de abril foi atípica, pelos seguintes motivos: a) Joel faz aniversário em abril e, por isso, a sua remuneração líquida é maior do que em outros meses, já que o Governo do Estado faz o pagamento proporcional do 13º no mês de aniversário; b) o Governo, sem explicar o porquê, atrasou o pagamento do 1/3 de férias do professor Joel e o pagou esse direito justamente no mês de abril. (A íntegra da resposta do professor Joel encontra-se nesse link)

Por esses motivos, não é difícil entender porque o secretário Jorge Carvalho e outros integrantes do Governo divulgaram o contracheque de Joel Almeida do mês de abril, mas não do mês de março, quando a sua remuneração líquida foi quase a metade de abril. Além disso, não divulgaram também que o professor Joel possui dois vínculos empregatícios (ambos por concurso público, o que, nunca é demais lembrar, lhe é de direito).

Ao mesmo tempo em que utiliza seu staff para dar vazão às mentiras, Jackson publicamente “joga pra galera” e tenta se eximir da sua responsabilidade de gestor público. Questionado sobre a greve, Jackson – de forma irresponsável – disse: “eu não quero fazer nenhuma análise. Eu deixo para os pais pobres da periferia, para as crianças, deixo para o povo que sabe que nosso IDEB está muito abaixo…deixo então para a sociedade julgar”.

Como se não bastasse essa postura autoritária, Jackson conta ainda, nessa sua campanha de mentiras e terror, com a adesão de colunistas políticos, profissionais e empresas de comunicação. Um conhecido radialista sergipano, por exemplo, virou notícia ao divulgar que entrará na Justiça contra os professores para que os seus filhos tenham o direito de assistir às aulas. Um colunista político, por sua vez, dedicou o seu valioso espaço na internet nesta segunda para exclusivamente corroborar com a postura do Governo. Nas matérias dos principais jornais, as manchetes se preocupam apenas em divulgar quantos mil alunos ficarão sem aulas, mas negligenciam a informação de que os professores de Sergipe estão tendo os seus direitos negados.

Em todas as situações, o objetivo é o mesmo: colocar mães e pais dos estudantes e demais segmentos da sociedade contra os professores e professoras.

Aqui, abro um parêntese para contar brevemente uma história. Em 2006, no estado de Oaxaca, no México, professores e professoras iniciaram manifestações de rua em defesa do caráter público da educação e da garantia dos seus direitos. O Governo local não dialogou com os professores e deu início a uma campanha de criminalização da categoria do magistério, buscando colocar a população contra os professores. Como resposta, os professores receberam o apoio de mães, pais e também dos seus estudantes e ocuparam os meios de comunicação do estado (14 rádios e 1 emissora de TV) e começaram a divulgar “um pouco de tanta verdade” sobre as suas mobilizações. A partir dali, diversos segmentos sociais de todo o estado se aliaram aos professores por perceber que a luta dos professores era, na verdade, uma luta de toda a população de Oaxaca e, então, criaram a Assembleia Popular dos Povos de Oaxaca.

Quem se interessar em conhecer melhor essa história, pode assistir o documentário Un poquito de tanta verdad (disponível gratuitamente na internet). Apenas a utilizei aqui como referência para demonstrar que a postura de Jackson Barreto é, assim como a do Governo de Oaxaca em 2006, característica de governos autoritários, que preferem a mentira ao diálogo, que preferem o terror à negociação.

Contra as mentiras de Jackson, já aparecem e continuarão a aparecer as verdades da educação pública sergipana e, assim como em Oaxaca, a vitória dos professores de Sergipe será uma vitória de toda a população sergipana.

Lembremos: a verdade muitas vezes demora a aparecer, mas uma hora ela chega.

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