Z. de Expansão: MPF não pode retroceder

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Até que enfim os setores interessados na chamada Zona de Expansão de Aracaju estão tomando consciência da necessidade da união de forças para que a área seja ocupada de forma ordenada, sem agredir o meio ambiente e, principalmente com saneamento básico e todas as condições de infraestrutura dignas. Aliás, para preservar aquela área é preciso manter as lagoas naturais de estabilização e não aterrar como continua sendo feito por diversos proprietários de grandes terrenos.

 

No Jornal da Cidade da última sexta-feira, 05, a Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário – Ademi e o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado – Sinduscon, manifestaram o interesse em manter um entendimento com o Ministério Público Federal por conta do pedido do órgão para que sejam liminarmente proibidos o licenciamento, construção e inauguração de novos empreendimentos na área.

 

A atitude do MPF está correta e não deve retroceder. Há muitos anos a área está sendo ocupada de todas as maneiras e formas. Se algumas construtoras têm o compromisso com o meio ambiente, a grande maioria não tem. E aí cada um vista a carapuça que couber. Neste pequeno estado não se pode bater de frente com alguns setores, um deles é a construção civil. Outros dois são o lixo e o transporte. No caso do lixo nos próximos dias este espaço vai “desnudar” alguns contratos feitos recentemente em alguns municípios.

 

 Na Zona de Expansão, se alguns destes empreendimentos estão sendo feitos da maneira correta é fácil o MPF detectar e tomar as providências cabíveis para garantir a continuidade dos mesmos analisando projeto por projeto. Porém, não pode retirar a ação para não beneficiar também quem está prejudicando a área e está fora dos padrões técnicos.

 

Essa atitude do MPF foi salutar porque está fazendo com que os setores envolvidos tomem as devidas providencias. A primeira parte do novo Plano Diretor, cuja agilização já está sendo feita pela Prefeitura. Cabe agora todos os segmentos envolvidos sentarem e fecharem um acordo para que o meio ambiente seja preservado e não sejam construídos mais condomínios e conjuntos sem o devido esgotamento sanitário.

 

A desculpa de que pode desempregar três mil trabalhadores não vale. Então o meio ambiente não é prioridade? Apelar desta forma é deixar de lado o objetivo principal: uma solução para Aracaju do futuro. Os procuradores da República estão de parabéns. O papel deles é de fiscal da sociedade. Com autonomia e compromisso público.

 

Nota de Esclarecimento do MPF/SE I

O Ministério Público Federal em Sergipe (MPF/SE) vem através desta prestar esclarecimentos à comunidade sobre a matéria de capa do Jornal da Cidade desta sexta-feira, 5 de junho – “Construção civil busca um acordo com o MPF sobre zona de expansão”.1. A repórter que assina a matéria, senhora Márcia Pacheco, entrou em contato com a Assessoria de Comunicação do MPF/SE na manhã da quinta-feira, 4 de junho, solicitando entrevista com a procuradora da República Lívia Nascimento Tinôco. Esta dispôs-se a conceder a entrevista na tarde do mesmo dia, contudo, a repórter não compareceu, informando indisponibilidade de horário.

 

Nota de Esclarecimento do MPF/SE II

2. A repórter pediu, porém, por telefone, que fosse confirmada a realização de audiência com representantes da Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário de Sergipe (Ademi-SE) e Sindicato da Indústria da Construção Civil de Sergipe (Sinduscon-SE), marcada para a segunda-feira, 8 de junho. A procuradora da República Lívia Tinôco, através da Assessoria de Comunicação, respondeu apenas que o MPF RECEBERÁ OS REPRESENTANTES DAS DUAS INSTITUIÇÕES PARA UMA REUNIÃO, A PEDIDO DESTAS.

 

Nota de esclarecimento do MPF/SE III

3. NADA FOI DITO SOBRE POSSÍVEL ACORDO com entidades que representam as empresas de construção civil no Estado, até mesmo porque tais empresas NÃO SÃO PARTE na Ação Civil Pública ajuizada pelo MPF/SE no último dia 28 de maio, buscando solucionar problemas de drenagem e esgotamento sanitário na Zona de Expansão de Aracaju. As entidades, por meio de seu advogado, informaram que gostariam de esclarecer ao Ministério Público Federal, a visão do setor da construção civil sergipana sobre os problemas que acometem a Zona de Expansão e o impacto da ação civil pública ajuizada em suas atividades.

 

Augusto desinformado

O deputado Augusto Bezerra (DEM) está pessimamente assessorado. Ontem denunciou que o prefeito de Umbaúba, Anderson Farias (PT) de ter faturado a locação de um Meriva, por R$ 7 mil mensais. Augusto não leu direito a nota de empenho que é referente a dois meses de aluguel. Ou seja, o aluguel do carro executivo é de R$ 3,5 mil, dentro do preço do mercado.

 

Endereço correto

Outro dado que mostra a desinformação de Augusto é com relação ao endereço da empresa que ele considera “fantasma”. O endereço da Emserloc, é na rua Milton Magalhães, no bairro Ponto Novo, atrás do Mistão e não na rua de Arauá, 876. Este é o endereço do proprietário da empresa, Luis Hamilton. É, pelo jeito Augusto está precisando mudar sua assessoria.

 

Desespero de Augusto

Na verdade, Augusto Bezerra está desesperado porque vem perdendo densidade eleitoral em vários municípios. Em Umbaúba, por exemplo, ele apoiou Jorge Rico, que perdeu e a administração de Anderson Farias tem um alto índice de aceitação. Só tomando muito chã de camomila…

 

Intransigência

Alguns militares, preocupados com o impasse da PM, chamaram este jornalista para dialogar. Eles defendem a melhoria salarial, mas estão preocupados com os rumos que o movimento vem tomando. Acham que a intransigência está dos dois lados e, alguns entendem que lideranças, como o capitão Samuel, não vêm demonstrando interesse na solução do problema. Do lado do governo criticam porque o governador não coloca no circuito lideranças políticas experientes como Jackson Barreto, Valadares, Ulices e Jorge Alberto.

 

Samuel faz denúncia grave

O capitão Samuel, da PM de Sergipe, fez uma denúncia grave na imprensa de Sergipe que merece apuração. Ele disse que mais de mil policiais militares dirigem viaturas sem a carteira nacional de habilitação e sem qualificação para dirigir veículos. É grave mais ainda porque ele passou alguns meses como comandante do Cptran neste governo.

 

Prevaricação

Se os órgãos competentes resolverem apurar a denúncia do capitão Samuel ele também será responsabilizado por prevaricação, já que foi comandante da Cptran e deveria ter proibido e no mínimo denunciado há muito tempo.

 

Studium Danças e ASL celebram convênio

No último dia 1º de Junho, o Studium Danças teve a honra de celebrar convênio com a Academia Sergipana de Letras (ASL), por ocasião da comemoração dos 80 anos da entidade. O convênio tem caráter multicultural e, através dele, o Studium Danças disponibilizará todo o seu acervo de livros e vídeos, visando a promoção de seminários e estudos sobre Dança em geral e a no Estado de Sergipe. Lú Spinelli está que é só alegria!

 

Espaço do leitor

O blog não acabou com o espaço do leitor, na segunda-feira volta a normalidade. Hoje por conta da publicação do artigo sobre o Plano Diretor o espaço ficou pequeno. Os leitores que enviaram seus e-mails nos últimos dias não se preocupem, que terão suas opiniões publicadas.

 

Saudação especial

Na última reunião do Pleno, o presidente do Tribunal de Contas, Reinaldo Moura, fez uma saudação especial ao conselheiro Clóvis Barbosa, uma vez que, por motivo de viagem à Brasília, ele não pode estar presente à solenidade de posse do novo membro do TCE. Para Reinaldo, Clóvis Barbosa chega ao tribunal com o perfil de  “homem íntegro e idealista, de jurista respeitado, gestor público eficiente e de intelectual do mais alto nível” para se integrar a um colegiado unido e determinado em preservar e defender a todo custo os valores e os propósitos da instituição. Todos os conselheiros saudaram com entusiasmo a chegada de Clóvis ao tribunal.

 

Atitude cívica

A recente posse do conselheiro Clóvis Barbosa encerra um ciclo de grandes turbulências no Tribunal de Contas, desde o afastamento e da aposentadoria do ex-conselheiro Flávio Conceição. Com a viagem do presidente Reinaldo Moura coube ao vice-presidente Heráclito Rollemberg, presidente em exercício do tribunal, dirigir a solenidade e dar posse ao novo conselheiro coroando, assim, uma tarefa árdua a que se dedicou com firmeza, coragem e inspiração cívica. Hoje, sem dúvida, o colegiado do tribunal reconhece e a própria sociedade valoriza o trabelho desenvolvido pelo do conselheiro Heráclito Rollemberg, em hora tão dramática, em defesa dos valores morais e da própria instituição.

 

Blog da Petrobras

Deu na coluna do colega Adiberto de Souza: A criação da CPI no Senado para investigar contratos e patrocínios da Petrobras mobilizou a estatal a se defender preventivamente de eventuais denúncias de irregularidades e abrir um canal de comunicação com o público. Ontem, a Companhia criou na internet um novo espaço para apresentar fatos e dados, inclusive sobre as questões relativas à CPI. Segundo a área de comunicação corporativa da Petrobras, no endereço www.petrobras.com.br/fatosedados o público vai encontrar informações, números, conteúdos complementares, além de indicação de sites relacionados aos temas.

 

Plano Nacional de Juventude

Ao lado dos colegas que compõem a Frente Parlamentar da Juventude, o deputado federal, Valadares Filho (PSB), participou esta semana de uma reunião com o presidente da Câmara, Michel Temer, para discutir o Plano Nacional de Juventude. Participaram da reunião diversas lideranças estudantis. Valadares Filho disse que a audiência foi importante porque o presidente Michel Temer se comprometeu em colocar o Plano de Juventude na pauta da Câmara no próximo semestre, durante a Semana da Juventude, que este ano acontece entre os dias 23 e 30 de setembro. “Além disso, serão realizadas diversas audiências públicas e debates com entidades representativas da juventude para que o plano possa ser aprimorado”, reforçou.

 

Conjunto de metas

 

Segundo Valadares Filho, o Plano Nacional de Juventude compromete os governos com um conjunto de metas sobre os direitos dos jovens, que deverão ser cumpridas nos próximos dez anos pela União, estados e municípios em parceria com as organizações juvenis, envolvendo ações das mais diversas áreas. O Projeto de Lei já foi aprovado por uma comissão especial na Câmara dos Deputados e aguarda votação em plenário. O parlamentar sergipano entende que é importante a aprovação do Plano de Juventude para fazer uma justiça ao segmento jovem que foi muito afetado pelo modelo econômico excludente adotado nas últimas décadas.

                                                                                                                                 

 

 

 

Adesivos em fase final

 

O blog agradece aos leitores que enviaram e-mails pedindo o adesivo em comemoração ao aniversário de três anos. Todos já começaram a receber seus adesivos nos endereços solicitados. Quem desejar o adesivo é só enviar e-mail com endereço que receberá em sua residência: claudionunes@infonet.com.br

 

Sergipe chora a morte de Homero Ribeiro

 

O Handebol está de luto, especialmente o handebol sergipano, com o falecimento na noite desta quinta-feira 4, do professor Homero José Alcântara Cavalcante, ex- diretor técnico da Confederação Brasileira de Handebol (CBHb) e precursor do Handebol no estado de Sergipe. Na década de 70, como professor da cadeira de Handebol da Universidade Federal de Sergipe (UFS), o professor Homero Alcântara foi responsável pela formação de uma exponencial geração de professores de Educação Física, muitos deles transformando-se posteriormente em professores, técnicos e especialistas de handebol.

 

Confederação decreta luto oficial

 

Passaram pelas mãos do professor Homero como alunos e atletas das seleções universitárias, os professores Digenal Cerqueira, Alexandre Pereira, Dorinha, Jairo, Fábio, Jorge Trindade, Mayriane, Anita, Vinicios, entre tantos outros nomes de destaques do handebol sergipano, que fizeram história sob o comando de Homero Alcântara.O corpo do professor Homero foi cremado ontem no Rio de Janeiro onde morava ultimamente.  A Confederação Brasileira de Handebol decretou luto oficial de 3 dias e um grupo de ex-alunos, se mobiliza para mandar celebrar uma Missa de Sétimo Dia em sufrágio da  alma de Homero Alcântara, nascido em 18 de março de 43, falecido portanto aos 66 anos de idade.

 

ARTIGO

 

A SECRETARIA DE MEIO AMBIENTE, O PLANO DIRETOR E A CIDADE

 

José Cláudio Barreto – Caducha

Sérgio Silva de Araújo

Sormane Silva de Araújo

 

A Constituição do Brasil de 1988, chamada de Constituição Cidadã e também conhecida como Constituição da Municipalização da Cidadania, ampliou os poderes do Município e lhe deu vida própria para construir e reconstruir a vida cidadã com todos os direitos que lhe permitam melhorar a qualidade de vida da cidade e de seus moradores. Junto com ela, surge a necessidade da confecção e transformação em Lei Municipal de um instrumento que formalizasse essa premissa, instrumento esse chamado Plano Diretor.

 

Um Plano Diretor calcado em bases sólidas, garante à população atual e futura, sustentabilidade e viabilidade ambiental, econômica e social. Para tanto, alguns pontos são fundamentais para sua realização, sendo um dos mais críticos aquele que envolve a adoção de uma política de preservação ambiental e utilização do meio ambiente de forma sustentável, fazendo com que os produtos gerados no fim do processo de transformação da matéria-prima reiniciem um novo ciclo para uma nova transformação de forma a fechar o ciclo tantas vezes necessitem, com o objetivo de eliminar a deposição de resíduos no meio ambiente.

 

Um dos maiores desafios para essa ação é fazê-la de maneira integrada com a manutenção da identidade cultural, preservando o meio ambiente como parte do espaço público e ainda associado ao incremento da economia interna, com vistas a diminuir a dependência do Município em relação aos organismos externos, para que estes sejam complemento e não um fim em si mesmo. Sobre esse aspecto, apesar de cumprir todos os requisitos do Estatuto das Cidades para sua elaboração e revisão, no tocante a questão Ambiental, o Plano Diretor de Aracaju, que ainda está para ser votado pela Câmara Municipal, tem pelos menos três pontos críticos:

 

1 – Áreas de alagadiços e de morros. Essas áreas têm sido ocupadas intensivamente e de forma desordenada sem a realização de obras de infra-estrutura e drenagem. Com as quais seriam evitadas as enchentes e desabamentos de encostas.

 

2 – Formação de barreiras de concreto (prédios) nas avenidas que margeiam o rio Sergipe e a orla de Atalaia, o que impede a ventilação do ambiente aumentando a temperatura da área urbana e dificultando a manutenção da vida animal e vegetal. Na mesma condição, o surgimento de arranha-céus na área de expansão da praia de Aruana.

 

3 – O surgimento de condomínios fechados isolando as comunidades nativas do convívio social, e posteriormente causando a expulsão destes grupamentos sociais para áreas periféricas da cidade criando as favelas e os focos de violência. Fatores que sofrem a negligencia do poder público, que tem se rendido aos grandes grupos econômicos, principalmente da construção civil.

 

Nesse sentido, alguns instrumentos precisam ser incluídos para a defesa ambiental no Plano Diretor de Aracaju de forma a salvaguardar o que ainda resta do nosso ambiente, a exemplo da criação do Conselho Municipal do Meio Ambiente; da Guarda Municipal Ambiental, específica e qualificada; e de uma Secretaria Ambiental e de Desenvolvimento Sustentável do Município de Aracaju, cujos princípios sugerimos a seguir.

 

A Secretaria Ambiental e de Desenvolvimento Sustentável do Município de Aracaju deverá ter o objetivo de centralizar e integrar as ações voltadas ao licenciamento, efetuar assessoramento ambiental e consultorias, com vistas à reestruturação de leis, no intuito de aumentar a rigidez, e aplicação de punições mais severas pelo descumprimento destas leis. Deverá ainda, estruturar as ações coercitivas para a defesa do meio ambiente, proteção dos munícipes, da fauna e da flora, todos no mesmo grau de importância.

 

Aderindo a um termo mais abrangente, uma Secretaria Ambiental e de Desenvolvimento Sustentável do Município de Aracaju que seja responsável por:

 

        Estabelecer uma política de meio ambiente dinâmica e com ações voltadas para a gestão dos recursos naturais de Aracaju, inclusive os hídricos;

        Sistematizar todas as atividades relacionadas ao meio ambiente que hoje estão incorporadas pelas diversas Secretarias e Autarquias do Município, pois estas realizam de forma transversal às ações voltadas para a natureza e para o ambiente modificado tornando-as dispersas, quanto à integralidade, e ineficazes nas soluções.

        Promover e executar a política municipal de meio ambiente, garantindo o controle urbano para um racional desenvolvimento do Município, responsabilizando-se pelo planejamento e articulação intersetorial com as demais Secretarias Municipais, para o cumprimento da política do meio ambiente prevista no Código Ambiental, e cujo Plano Diretor encontra-se em discussão na Câmara Municipal de Aracaju.

        Conceder e supervisionar os licenciamentos, promovendo uma política de educação ambiental que responda pelas necessidades da população e do Município.

        Realizar estudos e levantamentos necessários à criação das áreas protegidas;

        Desenvolver ações de recuperação das áreas degradadas inseridas nas Unidades de Conservação, aplicando recursos de compensação ambiental.

        Estabelecer ações de coordenação e implementação de projetos, com vistas à proteção das espécies ameaçadas da flora e da fauna, além de gerenciar o banco de dados da diversidade biológica, das ocupações humanas tradicionais e a cultura regional nas áreas protegidas;

        Desenvolver uma política de patenteamento dos produtos gerados e das matérias-primas do meio ambiente exclusivo da região.

 

Ou seja, uma Secretaria que tenha a Conferência Municipal de Meio Ambiente como instância máxima deliberativa da política ambiental da cidade, garantindo a participação efetiva da sociedade aracajuana na sua formulação e no seu controle social. Que integre as iniciativas de gestão e educação ambiental às diretrizes e políticas de desenvolvimento sustentável do Município, estimulando a implantação de Fóruns, Comitês e Comissões com a sociedade civil, voltados à produção de ações de educação ambiental, além de desenvolver ações para o fortalecimento da gestão ambiental no município através do treinamento de gestores para cuidar do meio ambiente. Uma Secretaria que viabilize a proteção do meio ambiente, sem que isto se torne um obstáculo ao desenvolvimento da cidade de Aracaju.

 

Uma Secretaria que desenvolva todas as ações que dizem respeito ao meio ambiente, levando em conta a variável ambiental e o desenvolvimento sustentável com a sensibilidade que o mundo moderno vem tratando, contando com os melhores quadros que a sociedade já produziu nestes últimos anos para o seu quadro diretivo e que responda com toda a competência as demandas que surgirão por conta da Agenda 21, aprovada na RIO-92, assim como, aos anseios da comunidade aracajuana por uma melhor qualidade de vida, pensada para as gerações atuais e futuras, sem agressão à natureza e mantendo a sua sustentabilidade.

 

Para tal, a natureza desse desenvolvimento não deve está fundamentada nas mesmas estruturas do modelo vigente, calcado nos paradigmas da ciência moderna herdada de Galileu, Bacon, Descartes e Newton, cuja definição de modernização se estabeleceu derivadas das mudanças sofridas pela sociedade a partir da superação das estruturas tradicionais, que criou novas formas de produção. Este novo modelo de produção deu primazia aos interesses privados (econômicos) frente aos bens coletivos (meio ambiente).

 

O modelo de desenvolvimento sustentável apresentado nos últimos anos não garante a sustentabilidade ambiental, pois continua calcado nos mesmos paradigmas desenvolvimentistas hegemônicos. O novo modelo deve propor e adotar a metodologia da complexidade com vistas a potencializar a realização do equilíbrio sócio-ambiental enquanto equilíbrio dinâmico. E, ainda, estabelecer uma Educação Ambiental Crítica como forma de promover a sustentabilidade da vida no planeta a partir de rupturas e religações fundantes de um novo paradigma.

 

O que se vê na atualidade é que o modelo de desenvolvimento proposto não traz no seu bojo a proteção ambiental como princípio, e sim, mais um processo globalizado e desculturalizante. Em decorrência disso, a natureza passa a ser um ente sem fronteiras, onde Estados, cidades e países superam as barreiras locais e nacionais, o que configura uma ligação global entre sociedades e culturas. Portanto, a globalização é o mundo integrado e o modelo econômico neoliberal define a economia global como um fenômeno natural. Isso vai ao sentido contrário à verdadeira proteção ambiental global.

 

O conceito de desenvolvimento sob a ótica da especulação imobiliária vigente também é equivocado, senão contraditório. A mídia, assim como as estruturas que vivem da especulação imobiliária, traz um conceito de desenvolvimento que se volta para a extinção dos manguezais, para a transformação de braços de rios em canais de despejo de esgotos, como também para a extinção de berçários de vidas orgânicas. O homem deve integrar-se ao meio ambiente, enquanto parte dele, pois necessita dele para sua sobrevivência.

 

A vida animal é alto regulável, basta manter o equilíbrio. No entanto, as ações praticadas pelo homem, como sendo, ambientalmente responsável, por vezes demonstram um total desconhecimento ou desrespeito por essa premissa. A plantação de árvores de “fícus”, por exemplo, não refloresta locais devastados nem tão pouco tem serventia nas áreas urbanas, o que faz é danificar o meio ambiente. Por sua vez, os mosquitos e outros insetos são alimentos de outros animais insetívoros, mas para a manutenção do equilíbrio da cadeia alimentar são necessárias ações práticas diretamente voltadas para a manutenção da fauna e da flora, o que não acontece em zonas urbanas com alto índice de desmatamento. Portanto, um dos obstáculos ao desenvolvimento sustentável da cidade está diretamente ligado aos oligopólios de terras por empresas de especulação imobiliária que, para vender seus produtos, degradam o meio ambiente aterrando riachos, rios e lagoas que poderiam escoar as águas de chuvas sem provocar enchentes nas áreas urbanas.Com isso, a futura Secretaria Ambiental e de Desenvolvimento Sustentável do Município de Aracaju tem que ser uma instituição forte, com interrelacionamento com órgãos dos municípios da região metropolitana, do Estado e do Governo federal, com vistas a eliminar os equívocos já entranhados nos instrumentos ambientais atuais. Um exemplo claro é o caso da Empresa Municipal de Obras de Urbanização (EMURB), órgão que por princípio foi criado com o objetivo de regular as ações sobre o espaço urbano, porém, esse mesmo órgão desenvolve obras estruturais nas áreas urbanas. Nesse sentido, sendo um órgão de fiscalização, que tipo de isenção teria para liberação de suas próprias obras.

 

Ainda que a Empresa Municipal de Serviços Urbanos (EMSURB), seja competente no seu trabalho de limpeza da cidade e na coleta do lixo, termina sendo uma ação isolada, fora dos parâmetros sistêmicos que cabe ao processo de desenvolvimento e sustentabilidade ambiental. Outro caso emblemático é o da Companhia de Saneamento de Sergipe (DESO), que para efetuar a distribuição de água para a população faz a captação nos mananciais de rios, mas em contrapartida não apresenta nada para repor a degradação provocada pela ação da instituição.

 

Quanto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis. (IBAMA) e a Administração Estadual do Meio Ambiente (ADEMA), ambos executam ações voltadas para a manutenção, recomposição, ou mesmo, a compensação pelo estrago provocado ao meio ambiente, situação que na maioria das vezes acontece de forma ilegal. Esses órgãos são os verdadeiros instrumentos de proteção, mas, ainda assim, necessitam de reformulação nas leis federal e estadual que dê suporte mais efetivo para julgar aquilo que, por influências políticas, foi deturpado e corrompido ao longo do tempo através de planos diretores desobedecidos, a exemplo de calçadas fora de dimensões pré-estabelecidas, avenidas fora de padrão e etc.

 

O que se percebe é que as missões dessas instituições são limitadas a uma parte do todo, ou seja, a um só aspecto do bem estar do cidadão, enquanto a sustentabilidade humana fica comprometida em longo prazo, com prejuízos para o presente e para o futuro da sociedade.

 

Diante do exposto, para garantir, que a proteção ambiental não seja um obstáculo ao desenvolvimento de Aracaju, é necessário que: se introduza uma nova geopolítica de controle da natureza, capaz de redistribuir os recursos naturais estratégicos, a exemplo: a energia, a água e a diversidade biológica; que não haja concentrações de populações urbanas de forma desordenada, desigualdade na distribuição de proveitos e rejeitos e, se estabeleça uma nova configuração territorial como conseqüência da reordenação geopolítica; que este desenvolvimento seja sustentável, tanto para o negócio como para o ambiente; que contribua para tomada de decisões de políticas públicas que priorizem a preservação ambiental, a partir de novas concepções no que diz respeito às questões sócio-ambientais; que garanta a eqüidade intergeracional, intrageracional e internacional; e que estabeleça a sobrevivência local da população.

 

Atendendo a estes pressupostos, meio ambiente e desenvolvimento podem andar juntos sem que um prejudique o outro. É preciso estabelecer critérios de desenvolvimento capazes de transformar a sociedade, não só sensibilizando a população para o problema ambiental, mas, incutindo nos indivíduos o sentimento de doação, de integração de pertencimento à natureza. Nesse sentido, é preciso buscar alternativa ao desenvolvimento e não de desenvolvimento a qualquer custo, pois só haverá mudanças significativas, se houver mudanças recíprocas entre o indivíduo (partes) e a sociedade (todo), numa relação dialética, reflexiva (teoria e prática – práxis), através de uma abordagem adequada envolvendo ética, política e filosofia.

 

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Frase do Dia

“Uma cidade sem lei é como nossos corpos sem espírito.” Cícero.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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