Agentes do Cenam podem entrar em greve

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Na última rebelião, quatro agentes saíram feridos
Agentes do Centro de Atendimento ao Menor (Cenam) ameaçam entrar em greve nos próximos dias diante da situação de insegurança que enfrentam com os internos. Na última segunda-feira, 7, após uma tentativa de fuga, quatro agentes ficaram feridos e foram encaminhados ao Hospital de Urgência de Sergipe (Huse).

O Sindicato dos Agentes de Segurança (Sindase) promoverá uma assembléia na próxima segunda-feira, 14, onde poderá ser deflagrada a paralisação.

Eziel Oliveira, presidente do sindicato da categoria, diz que entre 14 e 15 servidores tentaram impedir os adolescentes na última rebelião. “A Polícia de Choque chegou com rapidez, mas foram impedidos de entrar e liberados apenas com o aval do presidente da Renascer”, conta. Um agente quebrou o braço, outro foi ferido com um cadeado na testa e dois deles foram atingidos por pedras ou estilhaços. Todos deram entrada no Huse mas foram liberados em seguida.

Eziel contesta qualidade dos equipamentos
“O pessoal da Secretaria de Inclusão diz que comprou equipamentos de segurança, mas eles não existem. Nos mandaram cinco capacetes e cinco escudos, que não resistiram ao primeiro embate. Aliás, esses equipamentos são de péssima qualidade e não são nem testados pelo Inmetro”, critica Eziel. Ainda segundo ele, um dos agentes quase foi ferido no rosto quando uma barra de ferro foi empurrada contra o visor do escudo. “A viseira do capacete se quebrou toda”, lembra.

Eziel diz que o recomendável era que além dos materiais serem em policarbonato, que cada um tivesse o seu Equipamento de Proteção individual (EPI). “Isso só demonstra a falta de compromisso do Governo com a nossa segurança. Ninguém hoje em dia quer trabalhar no Cenam por que temem perder a vida”, diz. Ele completa dizendo que já fazem três anos que a situação se arrasta sem perspectiva de melhora. “Não está sendo fácil. Só aqui em Sergipe ocorrem coisas desse tipo”, afirmou.

Seides

O assessor de comunicação da Secretaria de Estado da Inclusão, Assistência e do Desenvolvimento Social (Seides), Salomão Silva, contestou a afirmação de Eziel de que os equipamentos não são adequados. “Eles não possuem laudo técnico para atestar o que disseram. Isto também não justifica o fato de eles não terem usado no dia da rebelião”, disse.

Sobre o enfrentamento com os internos, o assessor disse que dois agentes já  foram demitidos em outras ocasiões por terem usado arma de fogo contra os adolescentes. Ainda segundo Salomão ainda não é possível se pronunciar sobre a greve já que ela não foi oficialmente deflagrada. “Nós já cumprimos boa parte das reivindicações da última greve: eles já receberam treinamento, o que nunca tinha acontecido, e terão a questão salarial resolvida no início do próximo ano, conforme o Governo do Estado se comprometeu”, completou.

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