Câmara dos Deputados tem novo presidente

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Foto: Câmara dos Deputados
Cavalcanti: derrota histórica do PT
Após algumas semanas de muito suspense, expectativas, indefinições, alianças e negociações o deputado federal Severino Cavalcanti (PP-PE) foi eleito presidente da Mesa Diretora da Câmara dos Deputados.  A votação durou mais de 13 horas, e só foi decidida num segundo turno entre o candidato oficial do governo Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP) e o vencedor do pleito.

Essa foi a primeira grande derrota do governo Lula na Câmara dos Deputados. A eleição de Cavalcanti, numa votação histórica de 300 a 195, representa uma ‘quebra na tradição’ dessa casa legislativa. Conforme se estabeleceu ao longo dos anos ficava com a presidência da mesa o partido que tivesse a maior bancada. Nesse sentido o PT esperava substituir João Paulo Cunha (PT-SP) por um outro quadro do partido.

Os trabalhos da casa foram abertos às 16h15min, por João Paulo, em seu último gesto como presidente da casa. Antes dos discursos, foi feito um minuto de silêncio pela morte da missionária Dorothy Stang. Cada candidato teve 10 minutos para apresentar suas propostas. O primeiro turno teve cinco candidatos: Severino Cavalcanti, Luiz Eduardo Greenhalgh, José Carlos Aleluia (PFL-BA), Virgílio Guimarães (PT-MG) e Jair Bolsonaro (PFL-RJ). O clima era tenso.

ÚLTIMO DISCURSO – Segundo alguns veículos de comunicação, Virgílio deve ser destituído de todos os cargos que ocupava como vice-líder do PT na Câmara devido a suas críticas à presidência de João Paulo Cunha. Ele defendeu a combinação e a harmonia dos poderes e afirmou que é necessário independência e equilíbrio regional no comando da Casa em relação ao Executivo.

Severino Cavalcanti falou logo em seguida, afirmando ser necessário acabar com o abuso nas edições de medidas provisórias, além de prometer lutar pelo aumento do salário e do mandato dos congressistas. O candidato Jair Bolsonaro aproveitou a oportunidade para criticar Greenhalgh e o governo Lula, pedindo aos colegas que votassem em quem quisessem, contanto que não fosse no candidato oficial.

José Carlos Aleluia, também não poupou críticas ao governo Lula. Ele classificou a administração petista como de desmamado, que não pára de aproveitar-se da sociedade brasileira, além de ter um espírito autoritário. O candidato governista foi o último a subir à tribuna da Câmara. Ele defendeu maior rigor no exame das medidas provisórias (MP) editadas pelo governo, estabelecendo critérios rígidos no exame da relevância das MPs. Greenhalgh garantiu que manteria a autonomia da Câmara cumprindo diariamente a Constituição.

Conforme veiculado por meios de comunicação a votação foi bastante tumultuada. Nos corredores do Congresso, manifestantes partidários de Virgílio Guimarães gritavam palavras de ordem contra Greenhalgh. Até mesmo o presidente Nacional do PT, José Genoíno, sofreu tentativas de agressão. Foram mais de 500 parlamentares presentes e a votação só foi encerrada depois da 1h da madrugada de terça-feira.

O primeiro turno teve como resultado:  Greenhalgh com 207 votos, Cavalcanti com 124 votos, Virgílio Guimarães com 117, José Carlos Aleluia com 53 e Jair Bolsonaro com 2 votos, 3 brancos e 4 nulos. O total de votos válidos foi de 506. Venceria a eleição quem tivesse a maioria absoluta dos votos. A votação do segundo turno durou cerca de duas horas e o nome do novo presidente da mesa foi divulgado por volta das 6 horas da manhã de hoje.

Para o vice-presidente nacional do PT, Valter Pomar, que está em Aracaju, a derrota do partido deve-se a soma de três fatores. A primeira é a existência de uma forte oposição ao governo Lula na Câmara dos Deputados, a segunda trata-se da existência de deputados, convencionalmente chamados de ‘baixo clero’, que não dão importância aos interesses da população, nem a função de seus mandatos, preocupando-se simplesmente com seus próprios interesses.

“O candidato vencedor se notabilizou por fazer campanha para esse baixo clero, propondo um aumento de salário para os deputados”. A terceira questão levantada por Pomar foi a candidatura do petista Virgílio Guimarães. Para ele a atitude do parlamentar criou problemas e fez com que o partido perdesse tempo articulando a situação e o que no fim, acabou favorecendo a candidatura de Cavalcante. “Na minha opinião pessoal ele se colocou para fora do PT. Foi uma atitude anti-partido, agora se ele vai ser formalmente punido ou não, a executiva do partido deve avaliar nas próximas semanas”, disse o dirigente petista.

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