
Entre janeiro e meados de maio deste ano, mais de 770 aves marinhas foram encontradas encalhadas no litoral de Sergipe. Desse total, 625 já estavam mortas. Os dados são da Fundação Mamíferos Aquáticos, responsável pelo monitoramento costeiro por meio do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia Sergipe-Alagoas (PMP-SEAL).
Segundo a instituição, este é o maior número de ocorrências registrado para o período nos últimos 15 anos. O cenário representa um aumento significativo em relação a 2025, quando foram contabilizados 492 casos ao longo de todo o ano.
De acordo com a fundação, as aves resgatadas com vida chegam, na maioria das vezes, em estado grave de debilidade, apresentando sinais de exaustão física, desnutrição e comprometimento das reservas energéticas, consequência do desgaste provocado pelas longas rotas migratórias.
A médica veterinária da FMA, Elaine Knupp de Brito, alerta que a situação exige atenção ambiental e sanitária, principalmente diante da emergência zoossanitária causada pela influenza aviária no Brasil.
“Todas as aves recebidas passam por triagem imediata e são submetidas à testagem laboratorial para influenza aviária. Até a confirmação do resultado, cada ave permanece em isolamento sanitário até a exclusão do risco. Por isso, se você encontrar uma ave marinha, não toque e não tente resgatar por conta própria”, orienta a especialista.
As aves encontradas mortas são encaminhadas para exames necroscópicos, procedimento considerado essencial para identificar as causas das mortes e monitorar as condições de saúde da fauna marinha no estado.
A Fundação Mamíferos Aquáticos alerta que a manipulação inadequada desses animais pode representar risco à saúde humana, especialmente diante do cenário de influenza aviária, além de agravar o estado clínico das aves resgatadas com vida. A recomendação é que, ao encontrar uma ave marinha encalhada, a população mantenha distância, impeça a aproximação de animais domésticos, registre a localização exata e, se possível, fotografe o animal antes de acionar a equipe especializada.
Os casos podem ser comunicados à FMA pelos números 0800 728 9001 e (79) 99130-0016. Segundo a instituição, o acionamento rápido é fundamental para garantir um atendimento seguro e tecnicamente adequado, aumentando as chances de sobrevivência dos animais resgatados com vida.
Por Aline Souto e Verlane Estácio com informações da Fundação Mamíferos Aquáticos

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