Caso Ana Paula: MP pode ouvir garoto que assistiu morte da mãe

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Procuradora e promotoras de justiça revelam detalhes da denúncia contra Victor Aragão (Fotos: Portal Infonet)

A promotora de justiça Cláudia Daniela Freitas Silveira Franco, do Centro de Apoio Operacional de Segurança Pública do Ministério Público Estadual, não descarta a possibilidade de ouvir o depoimento do filho da consultora de vendas Ana Paula de Jesus Santos, morta a marretadas no dia 11 de maio deste ano. Naquela noite, a criança estava na casa onde o crime aconteceu e a promotora de justiça não descarta a possibilidade do garoto ter visto alguma cena da ação criminosa.

Irmãos acompanham lançamento do Projeto Viva Ana Paulo no MPE

O pai da criança, Victor Aragão da Silva, figura como principal acusado pela prática do crime, inclusive foi preso provisoriamente e indiciado por ferminicídio na conclusão do inquérito policial conduzido pela delegada Luciana Pereira. Na quarta-feira, 17, o Ministério Público Estadual se manifestou no processo judicial, denunciando o acusado pela ação, que a promotora classifica como crime hediondo.

A promotora de justiça explica que ainda não decidiu se efetivamente incluirá a oitiva do garoto na fase da instrução processual, mas destacou que a criança, por estar presente no local do crime, está no rol da denúncia. “Embora a criança esteja no rol da denúncia, ainda não é decidido pelo Ministério Público se a oitiva irá se concretizar”, ressaltou. Há duas possibilidades: ou a criança estava dormindo no momento e nada presenciou ou acordou e viu alguma cena. Atualmente, segundo a promotora, o filho do casal está com a família materna e tem acompanhamento psicológico. “Vamos ter toda cautela e serenidade porque se trata de uma criança”, ressaltou a promotora de justiça.

Irmão veste a camisa com pedido de justiça

Na denúncia, estão incluídas 18 pessoas que deverão prestar depoimento em juízo, incluindo parentes da vítima, do acusado e profissionais da saúde e da segurança pública que atenderam a ocorrência.

Chinelo

Um dos pontos curiosos revelados pela promotora de justiça, durante a coletiva nesta sexta-feira, que incrimina Victor, está destacado nas marcas de sangue encontradas em um ‘chinelo’ de propriedade do acusado. Em depoimento, Victor assegurou que teria sido consequência da ação dos servidores do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que teriam subido na cama para socorrer a vítima. Versão que não se sustenta, na ótica da promotora. “Obviamente, eles [os servidores] estavam de botas e não tinha o menor sentido daqueles profissionais, médicos, enfermeiros, atendente, ter tirado os seus sapatos e ter calçado o chinelo do acusado para subir na cama”, ressalta a promotora de justiça.

Na ótica da promotora de justiça Cláudia Daniela, o acusado não estava satisfeito com a ascensão de Ana Paula no posto de trabalho e que ela teria sido observada por colegas de trabalho, que a flagraram chorando no banheiro da empresa onde a vítima trabalhava em consequência de supostas intimidações que estariam sendo praticadas pelo acusado.

Na denúncia, a promotora reitera o pedido de prisão preventiva do acusado. No primeiro momento, o juiz Daniel de Lima Vasconcelos, da 8a Vara Criminal, negou o pedido formalizado pela delegada Luciana Pereira. Caso o juiz mantenha a decisão pela manutenção do acusado em liberdade, o pedido de revisão será encaminhado para a Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Sergipe.

Viva Ana Paula

Nesta sexta-feira, 19, a procuradora Ana Christina Brandi, coordenadora geral do Ministério Público Estadual, concedeu entrevista coletiva ao lado das promotoras de justiça Cláudia Daniela, Cláudia Calmon e Euza Missano para divulgar o Projeto Viva Ana Paula, criado pela instituição com o objetivo de desenvolver ações de combate ao feminicídio e apoio a mulheres vítima de violência. “O Ministério Público não ficará de braços cruzados [em relação a casos dessa natureza]”, assegurou a procuradora.

O lançamento oficial do Projeto Viva Ana Paula foi acompanhado por familiares de Ana Paula: os irmãos dela Carlos Alexandre Vieira de Jesus e João Paulo de Jesus, e também o sobrinho Weverton Vieira de Andrade. A família chegou a acreditar, no primeiro momento, na versão de Victor Aragão. Pela versão do acusado, a esposa teria sido vítima de uma tentativa de assalto.

Mas, eles asseguram que foram surpreendidos com os desdobramentos da investigação. “Nunca pensamos que isso pudesse acontecer”, disse Carlos Alexandre. A Polícia Civil não encontrou provas na cena do crime, que indicasse a presença de outras pessoas e observou contradições nas informações prestadas pelo acusado, que estão destacadas no processo judicial.

Para a família, segundo Carlos Alexandre, Ana Paula teria mencionado o intuito de se separar de Victor Aragão, mas ela não deu detalhes sobre a decisão, informando apenas que “seria consequência do desgaste da relação”. Mas, com a investigação, os familiares enxergaram que “ela vinha sofrendo uma prisão sem grades”, conforme relata o irmão Carlos Alexandre.

O Portal Infonet não localizou o acusado nem representante dele e permanece à disposição para ouvi-lo. Informações podem ser enviadas por e-mail jornalismo@infonet.com.br ou por telefone (79) 2106 – 8000.

por Cassia Santana

 

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