Famílias da Cabrita decidem sair e desmontar barracos

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Família retira telhado de barraco (Fotos: Monique Garcez/ Portal Infonet)

As famílias que permaneciam ocupando terrenos do povoado Cabrita, situado em São Cristóvão, decidiram no fim da manhã desta segunda-feira, 24, desmontar os barracos e sair do local. Eles pretendem se mudar para uma área próxima, as margens da rodovia conhecida como João Bebe Água. A decisão foi tomada para evitar um confronto com a polícia, que estava na área com 120 agentes desde cedo.

"Vamos atender a ordem judicial, mas não vamos desistir", afirma Mizael dos Santos, um dos mais antigos moradores. O deputado João Daniel acompanhou mais uma vez a situação das famílias e disse que a saída delas não significa uma derrota, e sim um recuo. Ele informa que está aguardando a decisão da Companhia de Saneamento de Sergipe (Deso) sair.

"A Deso vai entrar na justiça hoje. Vamos recuar e aguardar a decisão, pois o primeiro pedido de posse foi negado, pois era para ter sido solicitado o domínio da área", explica o deputado. O Portal Infonet entrou em contato com a assessoria de comunicação da Deso para obter esclarecimentos e recebeu a informação que as afirmações sobre a propriedade do terreno e o pleiteio na justiça vão ser checadas. Permanecemos à disposição do órgão através do telefone (79) 2106-8000 e do e-mail jornalismo@infonet.com.br.

Moradores decidiram retirar as coisas

Apoio

Enquanto os moradores não tomavam a decisão de permanecer no local ou se retirar, o Conselho Tutelar e a Secretaria Municipal do Desenvolvimento Social e do Trabalho (Sedest) do município de São Cristóvão estiveram no local para prestar assistência às famílias.

Segundo a conselheira tutelar Maria de Fátima Moura, o órgão foi até o local para proteger as crianças que, segundo ela, estavam sendo colocadas na linha de frente. “Pode haver ação da polícia e as crianças se machucarem. Pedimos que os pais tivessem consciência e que não as utilizem como escudo. Não acho justo que isso aconteça”, relata.

A assistente social Regina Araújo explica que a Sedest foi até a ocupação mais uma vez para informar que a prefeitura está disposta a fornecer suporte. De acordo com outra assistente, Mirilene Rodriguez, no primeiro contato 40 famílias foram contatadas, mas apenas sete buscaram ajuda da prefeitura. “Só cinco ficaram alojadas e a maioria disse que tinha para onde ir”, acrescenta.

Conselho Tutelar conversa com moradores

Lona foi retirada

Carroça é ajuda para carregar material de moradores

Luta

E com o objetivo de não desistir da área, a moradora Patrícia Alves reforçou a ideia de as famílias saírem do local, mas disse que a luta permanece. “Vamos tentar nos organizar e sair com as coisas na mão e na garra. A luta não acabou. Simplesmente está começando”, destaca.

Por Monique Garcez

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