PF: Poço Vermelho cumpre 24 mandados judiciais

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Momento em que acusado chega preso na PF (Fotos: Cássia Santana/Portal Infonet)

Atendendo mandados de prisão e de busca, policiais federais desencadearam a Operação Poço Vermelho para cumprimento de 24 mandados judiciais, entre os quais seis de prisões preventivas, 15 conduções coercitivas e três mandados de busca e apreensão, fruto das investigações desencadeadas no mês de maio para desvendar um suposto grupo de extermínio ocorrido no interior de Sergipe.

A operação foi iniciada na madrugada desta quarta-feira, 3, e algumas prisões já foram realizadas nos Estados de Sergipe e Bahia, segundo informações oficiais da Polícia Federal, que investiga a existência de um suposto grupo de extermínio em solo sergipano. O nome da Operação faz alusão à cidade de Poço Verde, em Sergipe, que seria o local onde ocorreu grande número de execuções com extrema violência.

A operação está envolvendo 120 policiais federais, que continuam em diligências nas cidades de Poço Verde, Simão Dias, Boquim, Lagarto e Aracaju, em Sergipe, e também nas cidades de Cícero Dantas e Heliópolis, no Estado da Bahia.

Material apreendido pela PF (Foto: Ascom PF)

Continua grande a movimentação de advogados, que acompanham os clientes presos ou conduzidos coercitivamente para prestar depoimento na Superintendência da Polícia Federal em Sergipe. Os acusados e as pessoas indicadas para prestar depoimento conduzidas coercitivamente por determinação judicial chegam à sede da PF em Aracaju transportadas em viaturas da Polícia Federal.

Escrivão de Polícia

O advogado Alexandre Porto confirmou a prisão em flagrante do seu cliente, um escrivão de polícia identificado apenas como Cris Aislan, localizado na própria residência na rua Riachão, em Aracaju. Segundo o advogado, o escrivão foi autuado por posse ilegal de arma.

O advogado revelou que o escrivão foi localizado na residência dele, onde os policiais encontraram uma pistola.40 de propriedade do Estado, que é usada oficialmente pelo escrivão, e também um revólver calibre 38, sem registro. A prisão em flagrante, segundo o advogado, é decorrente da posse do revólver calibre 38 que o escrivão mantinha guardado em um cofre. O advogado descarta participação do cliente no suposto grupo de extermínio.

Mulher conduzida coercitivamente para prestar depoimento

O advogado revelou que o cliente não resistiu à prisão e já adotou medidas para que o cliente seja posto em liberdade. Segundo o advogado, o cliente aguarda apenas a definição da fiança para que o valor seja pago e o escrivão liberado.

Informante

Também chegou à sede da Polícia Federal em Aracaju o advogado Bruno Pinto, para atender o cliente George Carlos de Santana, que funcionaria como uma espécie de informante do suposto grupo de extermínio. O advogado conversou com a equipe do Portal Infonet na porta da sede da PF, mas não deu detalhes. Disse apenas que foi contratado pela família do rapaz e que estaria tentando entender os motivos que levaram o cliente à prisão nesta operação da Polícia Federal.

Família de Augusto

O advogado Getúlio Sobral, que atua na defesa dos interesses da família de José Augusto Aurelino Batista, 41, morto em suposto confronto com a polícia civil sergipana no dia 15 de outubro deste ano dentro da própria residência na cidade de Poço Verde. José Augusto era apontado como um dos principais integrantes deste grupo de extermínio, que teria forte atuação na região de Poço Verde.

Alexandre Porto: escrivão foi preso por posse ilegal de arma

O advogado revelou que os procedimentos da Polícia Federal estão sendo realizados sob sigilo, mas ele está tentando ter acesso aos autos para definir os encaminhamentos quanto às investigações relacionadas à morte de José Augusto.

Grupo de Extermínio

Nesta operação, a PF já realizou prisões e apreendeu muita munição e armas, que foram conduzidas para a Superintendência da Polícia Federal em Aracaju. O suposto grupo de extermínio começou a ser investigado no mês de maio deste ano pela Unidade de Repressão a Crimes Contra Pessoa da Divisão de Direitos Humanos da Polícia Federal a partir de uma série de homicídios ocorridos com características de execução. As investigações foram iniciadas a partir do encaminhamento à Polícia Federal de listas – divulgadas na cidade de Poço Verde, em Sergipe – contendo nomes de pessoas marcadas para morrer e que, algumas delas, foram brutalmente assassinadas, com requintes de crueldade.

Operação mobiliza grande número de viaturas e policiais

Os investigados serão ouvidos na Polícia Federal, sendo que os presos preventivamente serão encaminhados ao Complexo Penitenciário de Aracaju e os depoentes em condução coercitiva serão liberados. Após comprovação, todos responderão na medida do seu envolvimento nos crimes de homicídio, constituição de milícia privada, posse, porte e comércio ilegal de armas e munições. A Polícia Federal prestará maiores esclarecimentos em entrevista coletiva a ser concedida à imprensa, às 11 horas, na Superintendência da Polícia Federal em Sergipe.

Por Cássia Santana, com informações da Ascom da PF

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