Quando morre um herói

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Cabo Hélio foi assassinado brutalmente
A morte de dois policiais militares em apenas uma semana, foi alvo de duras criticas por parte de associações de militares em Sergipe. Os assassinatos que aconteceram no mês passado mostram os riscos de uma profissão que lida com o bem maior do ser humano: a vida!

No dia 20 do mês passado o sargento Genilson de Jesus Menezes, de 45 anos, foi brutalmente assassinado por um bandido que surpreendeu ele, e outro militar enquanto realizavam uma perseguição a dois bandidos no bairro Industrial. O crime chocou familiares e amigos do sargento. De acordo com as investigações da polícia o Genilson não teve chance de defesa, morreu com um tiro no peito.

A polícia continua investigando o homicídio, mas até o momento ninguém foi preso.

Uma semana após o assassinato do sargento, o cabo Hélio Menezes de Andrade, de 52 anos, também foi vitima de um bandido que matou o policial com vários tiros a queima roupa. Poucas horas, após o ocorrido a polícia conseguiu prender o acusado. De acordo com as investigações do

Advogado lembra que após morte de policiais, familias ficam desamparadas
delegado Everton dos Santos, responsável pela Delegacia de Homicídios e Proteção a Pessoa (DHPP) , o acusado de ter efetuado os disparos sabia que estava matando um militar e não se intimidou.

Além da dor, saudade e da perda do herói as famílias dos militares podem enfrentar dificuldades financeiras. Esse é o alerta do representante da Associação Beneficente dos Servidores Militares de Sergipe (Absmse), sargento Edgar Menezes. De acordo com o sargento as duas famílias poderão ter perda de 40%.

Edgar explica que as pensionistas recebem apenas o salário atual do marido e que não tem direito ao reajuste da categoria que é escalonado até dezembro desse ano. “Essas famílias vão receber o aumento de 5% que corresponde a março desse ano, após isso elas não terão direito a receber o aumento total da categoria que será pago pelo governo até dezembro”, esclarece Edgar.

O advogado Márlio Damasceno diz que essa lei foi aprovada pelo Estado em 2004 e de lá para cá, familiares dos militares estão desprotegidos. “Vejo isso como grande injustiça, porque os militares

Sargento Edgar lamenta a morte dos companheiros de farda   
colocam a sua vida no embate pela sociedade e quando falece a família fica desamparada”, alerta o advogado que salienta que muitas esposas não trabalham fora de casa.

“Por conta da escala extra de trabalho dos militares muitas esposas ficam em casa tomando conta dos filhos. Por isso, essa legislação tem que ser revista para que os policiais possam trabalhar tranquilamente nas ruas, sabendo que as famílias estão amparadas”, ressalta o advogado que atua na Absmse.

De acordo com o sargento Edgar Menezes, uma das soluções para os militares é a criação da Comissão da Segurança Pública ou a aprovação da PEC 300. “A comissão não vai resolver os problemas, mas é uma forma de debater todos os problemas dos militares junto com quem faz as leis. Estamos insistindo para que os deputados formem essa comissão que já foi aprovada”, lembra, ressaltando que o texto da PEC prever uma paridade de salários entre os pensionistas e os ativos no serviço.

“PM´s têm que atirar mais”

A declaração é polêmica, mas o sargento Edgar Menezes que é militar há 18 anos, explica que os militares estão com medo de atirar porque podem responder a processos e perder promoções. “Infelizmente a verdade é essa, a nossa tropa está preparada para morrer porque estamos de pés e mãos atados pelos órgãos de Direitos Humanos e até Anistia Internacional”, diz o sargento que continua.

“O policial prefere não puxar uma arma para não se complicar. Muitos pensam que é melhor morrer do que atirar em um bandido, mas tenho dito para a tropa que é melhor atirar. Na frente do Juiz se vai uma ou duas vezes, mas para o cemitério vamos apenas uma”, declara Edgar, salientando que é preciso reconhecer quando se pode atirar.

“Não estou falando que o policial deve sair por aí atirando, mas quando se vai para o combate ao encontro de um marginal tem que está pronto para atirar”, observa.

O sargento esclarece que quando um policial responde a processos na Justiça perde o direito à promoção. “Ele [policial] responde a processos que leva anos na Justiça e enquanto aguarda a conclusão não pode ser promovido”, explica.

Coronel Pedroso diz que os PM´s são treinados em stands de tiros
Falta treinamento

O sargento conta que em 18 anos de atuação na polícia, só teve acesso a três treinamentos de tiros. Segundo Edgar a falta de treinamento e de um stand de tiros, fragiliza a tropa. “Em todos esses anos de trabalho a polícia só me proporcionou um treinamento de 30 tiros, como sei da necessidade de está preparado procuro frequentar vários stands de tiros particulares, até de escolas de vigilância”, destaca.

Edgar diz ainda que em virtude da grande importância que é ter um stand de tiro para o treinamento dos militares, as associações conseguiram uma emenda em Brasília de R$ 2 milhões para a construção de uma sede própria da polícia.

PM

A equipe do Portal Infonet conversou com o coronel Pedroso que foi enfático ao dizer que a polícia utiliza o stand do Exercito, Petrobras e da Academia de Polícia Civil (Acadepol). Segundo Pedroso a falta de um stand próprio em nada atrapalha o treinamento dos policiais. O coronel destacou também que a médio ou longo prazo pode ser que seja construído um stand de tiros.

Por Kátia Susanna

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