Lateiros voltam dos EUA com a mala cheia de experiência

0

Festival contou com grandes nomes do jazz e reuniu milhares de pessoas
Quatro jovens de Sergipe viveram a experiência única de levar a música brasileira para terras estrangeiras. E o que trouxeram de volta foi a mala cheia de boas histórias para contar. Wesley, Gleidson, Michel e Gleirison componentes do grupo de percussão Lateiros Curupiras foram representar o grupo, e a música brasileira, no New Orleans Jazz & Heritage Festival, que ocorreu entre 24 de abril e 3 de maio nos EUA.

A apresentação ocorreu no último sábado, 2, junto com os cantores Chiko Queiroga e Antônio Rogério. Além do show, que durou 45 minutos, os jovens músicos fizeram diversas apresentações na cidade de New Orleans, que é o berço do jazz mundial.

Baldes “americanos” salvaram a apresentação do grupo
Eles levaram o som tirado de “instrumentos” inusitados, como panelas e baldes, para igrejas e escolas locais, entre elas uma instituição que atende portadores de necessidades especiais. Para o jovem Michel Barreto, 16 anos, este foi um dos momentos mais marcantes de toda a viagem. “Foi muito legal. Chamou minha atenção dois meninos com síndrome de Down que não paravam de dançar”, conta.

Para Gleidson dos Santos, 19 anos e 6 de Lateiro, foi o encontro com uma banda local, formada também por jovens músicos. Ao som, um tanto diferente com raízes no jazz, os sergipanos que trazem a música no sangue ficaram contagiados. “Ficamos tão envolvidos com o som e começamos a dançar juntos no meio da rua”.

Público “especial” se encantou com a sonoridade do grupo
O experiente músico Ton Toy viaja há sete anos viaja aos EUA acompanhando as apresentações feitas por Chiko Queiroga e Antônio Rogério em terras americanas. Desta nova experiência junto ao grupo Lateiros Curipiras ele destacou a forma respeitosa como o público assistia ao espetáculo. “Em todos os lugares que a gente se apresentou houve um respeito muito grande do público. O comportamento deles chama a atenção, seja criança, adolescente, especial ou não eles se sentam e prestigiam mesmo”.

Contratempos

As surpresas, apesar de não muito boas, começaram ainda no aeroporto. “Quando estava perto de embarcar anunciaram que

Ponto alto foi a apresentação no palco do Festival  
o vôo tinha sido cancelado. Isso causou um transtorno muito grande pra gente”, conta Ton Toy, diretor do Lateiros. Depois de chegar com atraso um outro contratempo ainda viria pela frente. Parte da bagagem, contendo instrumentos e roupas, foi extraviada.

Sem um dos instrumentos e com apresentação marcada para o mesmo dia, foi preciso correr pelas ruas de New Orleans a procura de algum material que servisse para susbstituir o perdido. “Tivemos que usar a criatividade. Como trabalhamos com material reciclado, fomos procurar nas ruas e conseguimos um balde, que serviu tanto que trouxemos de lá”, conta Ton, que também é músico e educador.

Michel e Gleidson há seis anos como Lateiros
Gleidson dos Santos, 19 anos e 6 de Lateiro, foi um dos que tiveram a mala com roupas perdida. Até ser recuperada depois de cinco dias, ele teve de contar com o apoio dos colegas. Apesar do episódio, o jovem músico afirma que ficou “só um pouquinho abalado”.

Experiência

Além de ter sido a primeira viagem de avião dos quatro jovens, que não teria ocorrido se não fosse o trabalho com a música, a experiência foi valiosa para todos. Tudo que foi vivenciado pelos quatro será compartilhado com os demais integrantes do grupo, que tem ao todo 38 componentes entre 12 e 21

Ton Toy, diretor do Lateiros Curupira, percusionista e Educador
anos de idade, neste final de semana.

“Essa foi uma grande conquista para o grupo e espero que possamos nos fortalecer cada vez mais. Foi sem dúvida um grande estímulo para eles darem continuidade. Estou muito otimista com relação ao trabalho que vem sendo desenvolvido que tem também um lado social. E tenho certeza que outras portas irão se abrir”, afirma Ton.

Por Carla Sousa









Comentários