Professor da UFS é finalista do 62° Prêmio Jabuti

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Petrônio Domingues é professor de História da UFS. (Foto: Arquivo pessoal)

Antonio Cesarino nasceu em Campinas-SP, em 1906, e se formou em direito e medicina. Além de professor, ele foi redator-chefe de jornal, dirigiu várias sociedades científicas e criou partido político. Cesarino veio de uma família pobre e sofreu discriminação racial em diversos momentos da vida. Cesarino rompeu estereótipos.

Essa é apenas uma das histórias narradas na obra “Protagonismo negro em São Paulo: história e historiografia”, lançada pelas Edições Sesc São Paulo, em 2019. Escrito pelo doutor em história e professor da Universidade Federal de Sergipe (UFS), Petrônio Domingues, o livro é um dos 10 finalistas da primeira etapa da 62º edição do Prêmio Jabuti nas categorias “Ciências Humanas” e “Capa”.

A obra é resultado de mais de 10 anos de pesquisa sobre a população negra, tendo como pano de fundo os estudos contemporâneos que buscam recontar a história para além das visões estigmatizadas e unilaterais, em que associam, geralmente, o grupo social a posições simbólicas coadjuvantes, como a criminalidade e a marginalidade.

“Neste livro, eu procuro documentar a experiência negra em São Paulo no decurso pós-abolicionista, quando as relações hierárquicas entre senhores e escravos deixaram de existir. Assim, eu busco reconstituir e examinar o protagonismo negro, a partir de sujeitos (homens e mulheres), fatos, cenários, agências, conexões, movimentos sociais, políticas raciais, fluxos culturais e narrativas identitárias”, afirma o professor.

Petrônio acredita que o livro pode servir como fonte de inspiração para novas pesquisas que abordem a população para além da escravidão e que pensem o processo de pós-abolição não só de sofrimento e marginalização, mas também de inserção social e conquista e luta no campo do direito.

Livro concorre ao prêmio em duas categorias: Ciências Humanas e Capa. (Foto: Reprodução/Edições Sesc São Paulo)

“Assim, o meu livro pode servir de fonte de inspiração para que pesquisas, de outras localidades e regiões, procurem romper com o silêncio em torno do protagonismo negro e dar visibilidade a outras experiências históricas, que desconstruam estereótipos, clichês e imagens cristalizadas, a partir de novos olhares, saberes e dizeres”, diz.

Outra expectativa do pesquisador é que o livro sirva de “incentivo” para o rompimento de paradigmas sobre a história da população negra. “As pesquisas acadêmicas de outrora foram de fundamental importância para conhecermos capítulos importantes da história da população afro-brasileira, tanto do período da escravidão quanto do posterior, do pós-abolição. Mas, por diversas motivações, algumas daquelas pesquisas, ainda que involuntariamente, contribuíram para reificar estereótipos, imagens e representações pouco abonadoras daquele segmento populacional”, pontua.

Para Petrônio Domingues, estar entre os indicados do Prêmio Jabuti é um reconhecimento “ímpar” do trabalho intelectual dele. “Fazer parte dessa lista é um grande reconhecimento e incentivo para eu continuar investindo em minha agenda de pesquisa. Eu, que já sou bolsista de produtividade em pesquisa do CNPq, já estou ventilando novos projetos de pesquisas, projetos mais arrojados, inclusive abrangendo Sergipe.”

62º Prêmio Jabuti

A edição deste ano do Prêmio Jabuti recebeu 2.599 inscrições, um aumento de 20% em relação a 2019, segundo a Câmara Brasileira do Livro (CBL). No próximo dia 5 de novembro, será divulgada uma nova lista, com cinco finalistas por categoria,

Em 2020, ainda de acordo com a CBL, a premiação segue organizada em quatro eixos: Literatura, Ensaios, Livro e Inovação. O vencedor de cada categoria receberá o valor de R$ 5 mil e a estatueta do prêmio, exceto na categoria Livro Brasileiro Publicado no Exterior que receberá somente a estatueta.

Haverá também um grande vencedor do Jabuti, que poderá ser tanto uma obra de Ficção quanto de Não Ficção. Concorrem ao prêmio de Livro do Ano, no valor de R$ 100 mil, os vencedores das categorias dos Eixos Ensaios e Literatura.

Quem é o autor?

Além de coordenador do Grupo de Pesquisa Pós-Abolição no Mundo Atlântico da UFS, Petrônio Domingues é professor permanente dos Programas de Pós-Graduação em História (PROHIS) e de Sociologia (PPGS). Na Universidade de São Paulo (USP), ele concluiu o curso de história em 1997, ingressou no mestrado no ano seguinte e concluiu o doutorado em 2005. Entre 2012 e 2013, foi professor visitante da Universidade Estadual da Nova Jersey, nos Estados Unidos. No período entre 2016 e 2017, realizou pós-doutorado na Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Fonte: Rádio UFS

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