Economia de Sergipe sofre menos com a crise

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Economia sergipana: crise ainda não é gigante
De que forma a economia sergipana está se comportando durante a crise? Como estava o mercado local no período anterior à recessão financeira? Mesmo com a queda na arrecadação de tributos e de impostos, alguns setores continuam apresentando taxas de crescimento, como a área da indústria, principalmente, o setor de construção civil. Prova disso é a priorização do investimento em obras, por parte do Estado, para manutenção do crédito e dos trabalhadores na ativa. Já o comércio e agricultura registraram redução nos lucros. Os empregos ainda estão em média positiva, mas já em queda.

De acordo com dados da Consultoria Econômica e Planejamento (Ceplan), empresa que desenvolve pesquisas para a Secretaria de Estado do Planejamento (Seplan), o setor de extrativismo mineral cresceu 18,4% no último ano, enquanto a construção civil aumentou seus rendimentos em 21,4%. Já o comércio, a redução foi de 8%.

Na agricultura, as lavouras de laranja, que representam 21% no Valor Bruto da Produção (VBP) de Sergipe, estão com problemas. Houve redução na quantidade de fruta produzida em 5%. Já o milho, que tem 32,6% de participação no VBP, apresentou crescimento tímido – 1,6%. Entretanto, o cultivo da laranja é permanente e o do milho é temporário, de modo que a queda da laranja tem maior peso sobre a economia do que a subida do milho.

Luiz Moura: emprego precisa ser avaliado por tendências
Empregos

Nos três primeiros meses do ano, houve queda no estoque de empregos, em Sergipe, segundo o coordenador do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Luiz Moura. “Mas isso acontece em decorrência das demissões das lavouras de cana de açúcar que demitem mais com o fim do plantio. Em março, foram 8 mil desligamentos, segundo informações do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

Os setores que mais contratam são os seguintes: serviços, construção civil e comércio. “Juntos, eles respondem por 80% das contratações”, informa Luiz Moura, que ainda ressalta que estas áreas também são responsáveis pelo maior número de demissões. E explica: “O que precisa ser analisado é a tendência do mercado, se de aumento ou de redução da oferta de vagas”.

Em 2008, Sergipe encerrou o ano com um saldo positivo de 11 mil admissões em comparações ao número de desligamentos. Até o momento, houve redução para 9 mil empregos. “Com a crise, os empresários ficaram assustados e começaram a demitir”, sugere o coordenador do Dieese. Além de chamar a atenção para o outro problema: “o setor têxtil está passando por dificuldade e isso também entra na conta dos empregos no Estado”.

Lúcia Falcón: otimismo na superação da crise / Foto: Lúcio Telles
Confiança

Mesmo com dados não tão positivos, a secretária de Estado do Planejamento, Lúcia Falcón, ressalta que “Sergipe está conseguindo enfrentar este momento de dificuldade apoiado em suas características favoráveis”, como a existência de muitos profissionais empregados na área pública.

Além disso, ela explica que o fato de Sergipe não depender das exportações contribui para que as empresas locais sofram menos com a crise. “O fato de a gente não ter um volume alto de exportação e a produção ser muito voltada ao mercado interno, numa época em que as exportações caem, também atinge menos as nossas empresas”, argumenta ela, ao informar que o estado começou a sentir, de forma mais incisiva, os efeitos da crise nos primeiros meses de 2009.

Maior integração com o Brasil

“A economia de Sergipe está mais integrada com a nacional e por isso, mais preparada para lidar com este período de crise”, acredita o consultor da Ceplan, Aldemir do Vale. Para ele, “a recessão estimula o debate e abre caminho para a busca de novas formas de investimento”.

Opinião compartilhada pela consultora Tânia Bacelar. De acordo com ela, os diferenciais do país, contribuirão decisivamente para a superação da recessão financeira. “A força do petróleo e do gás, a disponibilidade de água, as terras férteis e o 

Tânia Bacelar acredita nos diferenciais do país
agronegócio são algumas das características determinantes para que o Brasil supere primeiro a crise, mesmo sendo um dos últimos países que sentiu os seus efeitos”, comenta a consultora.

Investimento em obras

“Precisamos manter os investimentos públicos. E não só em obras, como em outras áreas, como por exemplo, na iniciativa privada e em escolas técnicas. Com a assinatura do financiamento com o BNDS [Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social, para o programa Sergipe Cidades], os recursos serão direcionados para a interiorização do investimento“, salienta a secretária de Planejamento. Dessa forma, distritos industriais e escolas técnicas serão construídos no Estado. “Temos que enfrentar a crise com responsabilidade, mas muito otimistas com o futuro de Sergipe”, entende ela.

Por Valter Lima

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