Farinha de graviola pode gerar renda para produtores

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Farinha pode dar vez à fabricação de bolos e biscoitos (Fotos: Blog UFSCiência)

?O período de safra acaba gerando grandes desperdícios para os produtores e comerciantes de frutas tropicais. Boa parte dessa perda ocorre porque pouco se aproveita da potencialidade que cada fruta possui. Na Universidade Federal de Sergipe (UFS), no entanto, pesquisadores do curso de Nutrição estão encontrando soluções práticas e baratas para a fabricação de produtos que sirvam para famílias de produtores obterem renda extra e para incrementar o cardápio da merenda escolar.

Uma dessas frutas é a graviola, da mesma família da pinha e da atemóia, conhecida especialmente no Nordeste por seu sabor levemente azedo e por ser rica em nutrientes (100 gramas dela possui 60 calorias, 25 mg de cálcio, 28 mg de fósforo e 26 mg de vitamina C, o que representa um terço da recomendação de ingestão diária). A idéia principal das professoras Flávia Milagres Campos e Elma Regina Wartha é produzir bolos e biscoitos com uma farinha criada a partir da polpa da fruta.

Professora Flávia Milagres é uma das coordenadoras do estudo

A primeira etapa do projeto, de obtenção da farinha, está em fase de conclusão e até dezembro deste ano os biscoitos feitos a partir dela devem ser testados com o público. “Estamos dosando a quantidade de proteínas, gorduras e verificando a atividade antioxidante desse produto final. Queremos, ainda, aprimorar a técnica e deixar a farinha com a cor da fruta, pois no processo atual ela fica mais escura”, explica Milagres.

O método para se chegar ao produto final foi pensado para ser o mais simples possível. Isto porque, acrescenta a pesquisadora, a idéia é levar a técnica para pequenos produtores através de projetos de transferência de tecnologia. Ela explica que depois de descascada e despolpada manualmente, a graviola é levada para secar em tabuleiros a uma temperatura de 60º por 27 a 30 horas. Depois disso é triturada. “A gente utiliza equipamentos comuns como liquidificador e processador de alimentos”, destaca. O aparelho mais específico é um secador de baixo custo desenvolvido pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que pode ser montado pelo próprio agricultor.
 

Antes de se chegar ao resultado, no entanto, várias foram as tentativas de descobrir o melhor caminho. No início, quando o projeto era tocado apenas por Elma Wartha, o problema era com a farinha muito úmida; depois, qual a forma mais viável de secá-la. Agora é o momento de testar a fórmula e fazer a análise sensorial, avaliando junto ao público aspectos como sabor, aparência e textura.

Depois dessa resposta do público a intenção é contar com o aporte de alguma instituição para levar a técnica para os interessados. Em julho de 2011, inclusive, a parte que trata da produção de bolos e sucos deve ser finalizada.

Por Diógenes de Souza

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