Perspectivas da Economia Mundial

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Apresentarei adiante algumas informações de perspectivas da Economia Brasileira, conforme informações do Presidente do Banco Central do Brasil, Dr. Alexandre Tombini em evento recente, com executivos de finanças.

No cenário internacional percebe-se uma maior complexidade de entendimento do futuro, em especial para as chamadas economias maduras e isto ainda é reflexo da crise iniciada em 2008 que gerou reações e resultados.

A crise poderia ter sido maior se não posse a ampla coordenação mundial que colocou em evidência o grupo G-20 e praticamente destruiu a importância dos países ricos o G-8. Lembrando que o G-8 é o grupo dos sete países mais ricos (Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Canadá) mais a Rússia. Registre-se que o G-8 já era muito criticado por um grande número de movimentos sociais.

A coordenação do G-20 evitou que a crise bancária fosse mais aguda e tivéssemos uma efetiva depressão econômica. Destacando-se que este é um conceito muito complexo, mas de forma objetiva é quando ocorre uma queda no Produto Interno Bruto (PIB) durante dois trimestres consecutivos.  Porém não tivemos um restabelecimento de crescimento sustentável nas economias maduras, que ainda buscam equilíbrio, diante dos problemas de crescimento do endividamento público.

Alguns exemplos de economias da União Européia que apresentaram significativo aumento na relação dívida/PIB são: a Grécia que saiu de 105,4% em 2007 para 165,6% em 2011, a Irlanda que saltou de 24,9% em 2007 para 109,3% em 2011; Portugal evoluiu de 68,3% em 2007 para 106,7% em 2011 e Espanha que estava em 36,1% em 2007 e chegou a 67,4% em 2011. Além disso, as economias de maior porte também observaram aumentos relevantes na relação dívida/PIB, a exemplo da Itália que saiu de 103,6% para 121,1%, a França evoluiu de 64,2% para 86,8% e a Alemanha cresceu de 65,0% para 82,6% no período de 2007 para 2011. Também teve crescimento neste quesito nos Estados Unidos que saiu de 62,3% para 100,0%, no Japão a evolução foi de 187,7% para 233,11% e no Reino Unido o crescimento foi de 43,9% para 80,8%.

Valem relembrar que a dívida pública é a divida contraída pelo governo com entidades ou pessoas da sociedade para financiar parte dos gastos do governo que não são cobertos com a arrecadação de impostos e a dívida pública se subdivide em dívida interna e dívida externa.

A experiência internacional tem demonstrado ser possível classificar a dívida de duas formas distintas, variando em função dos riscos considerados relevantes para o gestor da dívida, dentre outros fatores. Em países com histórico de crises em seu balanço de pagamentos, o critério que melhor capturaria os riscos associados à dívida é o referente à moeda utilizada para negociação do título.

Diante deste quadro foram adotadas em referidos países, políticas monetárias expansionistas, a exemplo da redução da taxas de juros que não foram eficazes no restabelecimento do crescimento sustentável. Além disso, na Política Fiscal o espaço para ampliar gastos ficou reduzido, ficando a obrigação de redução dos déficits e busca de alcance de superávits fiscais.

Estabeleceu-se assim, um círculo vicioso, a elevada relação dívida/PIB que é um risco soberano causa perda de valor dos títulos soberanos, o que é um risco financeiro que por sua vez é traduzida em baixa perspectiva de crescimento econômico, ou seja, risco de recessão.

Destaque-se que risco-soberano e risco-país são distintos, sendo risco-país um conceito mais abrangente e que se refere a algo além do risco soberano, ao risco de inadimplência dos demais credores residentes em um país associado a fatores que podem estar sob o controle do governo, mas não estão sob o controle das empresas privadas ou dos indivíduos.

O que se verifica no momento é que os riscos soberanos e financeiros estão afetando a confiança dos empresários em produzir e investir; os consumidores, em consumir; depois na seqüência a queda dos preços das ações e de outros ativos contribui para reduzir a confiança dos agentes econômicos, gerando um efeito na riqueza; por isso que as expectativas de crescimento da economia global estão em processo rápido de deteriorização. Uma visualização disso foi a desvalorização das ações das empresas listadas em bolsas nos últimos quatro meses representou uma destruição de riqueza mundial de quase US$ 11 trilhões é essa perda de riqueza que vai culminar em efeitos negativos sobre o comportamento dos agentes econômicos.

Com este complexo cenário internacional, a confiança dos agentes econômicos influencia as previsões de crescimento, que estão apontando para um crescimento mundial de 4,0% em 2011, sendo diferenciado entre as regiões/países. Enquanto a China deve crescer 9,5% e Índia 7,8%, os países maduros (Estados Unidos, Zona do Euro, Japão e Reino Unido) crescerão 1,6% e os emergentes 6,4%, ficando o Brasil com uma perspectiva de 3,8%.

Em conclusão, entende-se que o ambiente econômico internacional mais restritivo tende a permanecer por um período mais prolongado do que se imagina anteriormente e as perspectivas de desaceleração da economia mundial estão consubstanciadas pelas incertezas associadas aos desdobramentos da crise fiscal na Europa. O mundo mudará e na minha visão a geopolítica econômica deslocará o seu eixo para os países emergentes.

*Presidente do Banco do Estado de Sergipe e Doutor em Geografia

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