Sessão da Câmara comemora Dia do Índio

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Apolônio Xokó
O cocar e a pintura no rosto são os mesmos dos antepassados, mas o vestuário e os acessórios diferem da maioria dos índios a que a população está acostumada a ver. Assim é o índio sergipano Apolônio Xokó, representante da única tribo sergipana, que compareceu a Câmara Municipal de Aracaju (CMA) na manhã desta segunda-feira, 20, para participar de uma sessão especial dedicada ao Dia do Índio. Representante da tribo Xokó, que reside na Ilha de São Pedro, em Porto da Folha, Apolônio discorreu sobre a importância de seu povo, destacando as lutas enfrentadas pelos indígenas sergipanos para conquistarem seu atual território.

De acordo com Apolônio, “a data [o dia do índio é comemorado no dia 19 de abril] visa à reflexão sobre a importância dos índios, que foram os primeiros habitantes do Brasil”. Durante sua fala, ele se mostrou satisfeito com o reconhecimento da Câmara de Aracaju ao grupo indígena de Sergipe. “Somos hoje 75 famílias, num total de 400 pessoas que conquistaram seu espaço a custo de muita luta e sofrimentos, de modo que esta sessão demonstra o reconhecimento a nossa causa”, afirmou Apolônio.

Sessão especial na CMA
Para o presidente da CMA, Emmanuel Nascimento, que solicitou a sessão comemorativa, “esta é uma oportunidade para refletir e avaliar o papel dos indígenas sergipanos”. Desse modo, a sessão funcionou como “meio de ampliar o debate e contribuir para o estudo sobre a riqueza cultural dos índios”.

Lutas

Segundo Apolônio, por volta de 1978, a partir de um estudo desenvolvido pela antropóloga Delvair Melatti, foi constatado que as 22 famílias residentes na região de Porto da Folha eram de origem xokó. “Desde então nós saímos em busca da nossa identidade perdida. Depois de quase 20 anos de luta, o povo xokó conseguiu reconquistar todo o seu território”, explica ele. Atualmente, o grupo reside na Ilha de São Pedro, em um território de 24 mil m² e vive da agricultura e da pesca.

Por Valter Lima

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