UFS irá monitorar os impactos do coronavírus em 15 municípios de SE

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15 municípios serão monitorados quanto à evolução da prevalência de infecção por Covid-19(Foto: UFS)

A Universidade Federal de Sergipe firmou uma parceria com o governo do estado para o desenvolvimento de um projeto que visa acompanhar o grau de contaminação e os impactos do novo coronavírus em Sergipe.

Subdividido em três vertentes, o projeto terá duração de um ano e consiste em monitorar o nível de infecção por Covid-19, identificando-se a prevalência em quinze municípios, estimar os impactos socioeconômicos da pandemia no estado e o acompanhar de impactos sociais sobre populações vulneráveis. Os municípios são: Aracaju, Barra dos Coqueiros, Nossa Senhora do Socorro, São Cristóvão, Capela, Estância, Itabaianinha, Propriá, Tobias Barreto, Simão Dias, Lagarto, Itabaiana, Nossa Senhora da Glória, Canindé e Porto da Folha.

“A universidade sozinha não teria como viabilizar a realização das diversas ações que estão sendo propostas. Esse projeto é mais uma demonstração da contínua interação da UFS com a comunidade”, assinalou o vice-reitor Valter Santana.

Os recursos para execução do projeto partiram de uma emenda da bancada parlamentar sergipana, mais especificamente do senador Alessandro Vieira, que direcionou o montante de R$4.160.000,00 para o projeto a ser desenvolvido pela universidade. “Ao longo dos anos criamos laços institucionais com a bancada federal que destina regularmente recursos do orçamento da União, por meio das emendas, para o desenvolvimento de ações específicas na UFS”, explicou ainda o vice-reitor.

Subprojeto 1: monitoração de infectados

Além de estimar o percentual da população infectada, o primeiro subprojeto, Evolução da prevalência de infecção por SARS-CoV-2 em Sergipe, também tem como intuito analisar a evolução quinzenal da prevalência desses infectados em Sergipe em um período de 45 dias, através de 12 mil testes divididos por cada um dos municípios, dentre estes: Aracaju, Nossa Senhora do Socorro, São Cristóvão, Estância, Propriá, Itabaiana, Lagarto e Nossa Senhora da Glória.

“Ampliar a testagem é um fator determinante para definir as políticas públicas sociais e de saúde. Além disso, ainda faz-se necessária a validação dos diferentes métodos de testagem nos diferentes países o que pode levar a uma estimativa equivocada da real prevalência de infectados, sendo esse um estudo que irá contribuir enormemente também nesse sentido”, pontua o professor Adriano Antunes, diretor do CCBS e coordenador do projeto de monitoração de infectados.

Segundo o pró-reitor de Pós-Graduação e Pesquisa, Lucindo Quintans, como não há como avaliar todos os municípios de Sergipe, será realizada uma amostragem heterogênea e, consequentemente, representativa, para que seja possível saber qual a real situação do estado. “Os inquéritos epidemiológicos servem para dar base aos gestores públicos sobre qual o perfil da contaminação dos pacientes de Sergipe. Vamos saber exatamente quais as localidades onde temos mais ou menos contaminação e isso pode determinar medidas restritivas ou de abertura do comércio, de lockdown, ou outros direcionamentos”, explica.

Subprojeto 2: impactos socioeconômicos

O segundo subprojeto, Evolução da contaminação e estimação de impactos socioeconômicos da pandemia de Covid-19 em Sergipe, além de propor a construção de cenários frente a evolução dos casos, também busca avaliar os impactos econômicos decorrentes da pandemia a partir de modelo de simulação e acompanhar a evolução de três modalidades de crimes no âmbito do estado: homicídios, roubos e furtos e violência doméstica.

De acordo com o professor do Departamento de Economia (DEE), Luiz Carlos de Santana Ribeiro, esse subprojeto impacta de duas grandes formas na vida da população sergipana. “A primeira é fazer a projeção de números de casos de infectados, mortos e curados no estado, informações necessárias para orientar políticas de saúde. Por exemplo: à medida que se faz a projeção crescente do número de casos, isso pode ser confrontado com a disponibilidade do número de leitos, para saber se há ou não a necessidade de ampliação”.

“A segunda seria estimar os impactos econômicos da paralisação, ou seja, decorrentes das medidas de isolamento social por conta da disseminação do vírus; identificaríamos os setores econômicos de Sergipe mais impactados e, junto com a equipe de saúde do projeto, pensaríamos em possíveis medidas de retomada com segurança”, conclui.

Subprojeto 3: populações vulneráveis

Impactos sociais sobre populações vulneráveis de Sergipe é o terceiro e último subprojeto, que tem como intuito o acompanhamento da evolução dos casos de Covid-19 na população carcerária (masculina e feminina), na população de adolescentes em cumprimento de medidas socioeducativas, na população de rua e na população de idosos vivendo em Instituições de Longa Permanência (ILP).

Para Karyna Sposato, professora do Departamento de Direito (DDI) e coordenadora dos Observatórios Sociais, além de acompanhar e descrever os principais problemas e desafios relacionados a essas populações vulneráveis, espera-se indicar soluções e políticas públicas adequadas. “É importante destacar que a pandemia produz impactos em todos os aspectos da vida social, mas, sem dúvida, tais impactos são ainda mais desafiadores para aqueles que já viviam em situação de exclusão, pobreza e desigualdade”, afirma.

Essa ação da UFS é inspirada em um projeto originalmente desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) intitulado “Evolução da prevalência de infecção por COVID-19 no Rio Grande do Sul: estudo de base populacional – EPICOVID-19”.

Com informações da UFS

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