A carreira de sucesso e o hemisfério cerebral direito: uma correlação muito próxima

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A CARREIRA DE SUCESSO E O HEMISFÉRIO CEREBRAL DIREITO: uma correlação muito próxima. (*)

 

Alguns anos atrás um amigo conhecendo o trabalho que desenvolvia na empresa na qual eu trabalhava me convidou para fazer uma palestra numa famosa instituição na qual ele atuava como voluntário. Depois de alguns dias recebi uma ligação do presidente dessa instituição. Ao se identificar ele me disse de imediato: “Olha, o fulano está querendo me convencer para convidar você para dar uma palestra em um nosso evento para grandes empresários de São Paulo, todavia, antes de definir que realmente o seu trabalho vai interessar a esses empresários eu gostaria de fazer uma pergunta, pode ser?” Claro, pode perguntar, respondi ao meu interlocutor. “Você poderia me dizer se na sua palestra você vai falar sobre esta besteira de cérebro direito e cérebro esquerdo?”, perguntou-me. Então eu lhe respondi: “Provavelmente terei que falar”. Ele respondeu: “Certo obrigado”. Nunca fui convidado para essa palestra. Talvez, não fosse a hora. Todavia, para minha surpresa na revista “HSM – Management, maio-junho, 2008, há um brilhante artigo intitulado “As aventuras do hemisfério direito”. Nesse artigo o autor Daniel Pink aborda a questão dos hemisférios cerebrais direito e esquerdo e discorre sobre as suas principais funções. Segundo o autor, as habilidades do hemisfério esquerdo sempre foram muito consideradas no mundo ocidental; todavia na atualidade na qual vivemos os grandes destaques estão centrados nos artistas, designers, inventores, empreendedores e pensadores, ou seja, indivíduos que sabem também utilizar com sucesso o lado direito do cérebro, o qual, por sua vez, tem como característica essencial compreender as coisas em conjunto, em processar mais o contexto do que o texto e em se preocupar mais com a síntese do que em apenas analisar; em suma aquele indivíduo que é capaz de ver o todo e não apenas um detalhe específico.

Portanto, segundo Pink, a sobrevivência no Século 21 está diretamente atrelada ao uso que os seres humanos farão do hemisfério cerebral direito. Logo, o que poderemos afirmar é que as pesquisas sobre o potencial humano cada vez mais vêm confirmando a natureza dual do nosso cérebro. Os antigos filósofos chineses chegaram aos conceitos de Yin (hemisfério direito) e Yang (hemisfério esquerdo) há milhares de anos; todavia, só a partir do século passado foi que os médicos ocidentais começaram a pesquisar e constatar que os danos resultantes de derrames cerebrais tinham repercussões diferentes a depender da área do cérebro atingida (hemisfério direito ou esquerdo).

Assim sendo, ao longo da nossa evolução como seres humanos, o cérebro fez um trabalho muito bem feito dividindo as tarefas. Desta forma, o hemisfério cerebral esquerdo se especializou em tarefas lógicas, lineares, seqüenciais e analíticas; todavia, o hemisfério cerebral direito se especializou em compreender as coisas em seu conjunto, em vez de em seqüência e em processar o todo e não apenas as partes.

 

No início da década de 1960, Dr. Roger Sperry e sua equipe trabalhando em um grande hospital americano realizaram várias experiências com pacientes epiléticos, os quais tiveram as conexões entre os seus hemisférios cerebrais (direito e esquerdo) desfeitas através de uma cirurgia como uma maneira de reduzir os efeitos da epilepsia. Os estudos de Sperry confirmaram que os dois lados do cérebro cumprem funções diferentes. O lado esquerdo (que controla o lado direito do corpo) lida principalmente com a linguagem, a lógica e o tempo; e o lado direito, principalmente, com emoção, imaginação, visão, intuição e orientação espacial. Muitas outras experiências como essa vêm confirmando essas descobertas, e em 1983 Roger Sperry recebeu o Prêmio Nobel de Medicina pelo seu trabalho sobre dominância cerebral.

A partir de então, começaram as pesquisas para mapear e identificar qual a porção do cérebro que é mais utilizada pela maioria das pessoas e o que faz com que utilizemos mais o hemisfério direto ou o esquerdo. Acompanhando-se essas pesquisas as mesmas apontam que o ambiente familiar, a comunidade, o país e também a educação escolar que recebemos são os responsáveis por esse desenvolvimento. Dai, constatamos que a nossa educação nos impele a aprendermos a utilizar muito mais o hemisfério cerebral esquerdo, pois a matemática, o português e a maneira como aprendemos favorece que desenvolvamos muito mais este hemisfério.

Por sua vez, como era de se esperar, esse conhecimento chegou ao mundo organizacional e aquelas mais avançadas e inovadoras começaram a utilizar esse conhecimento como uma maneira interessante, principalmente para se montar equipes de trabalho, considerando que a diversidade favorece com que tenhamos equipes mais desenvolvidas e conseqüentemente melhores resultados.

Esses estudos foram se tornando cada vez mais sofisticados até que Ned Herrmann[1] apresentou a sua pesquisa, reconhecida mundialmente e dividindo o cérebro em quatro quadrantes com as seguintes características:

 

Esquerdo Superior

Direito Superior

ANALÍTICO

EXPERIMENTAL

·        Lógico

·        Holístico

·        Quantitativo

·        Intuitivo

·        Baseado em fatos

·        Sintetizador

 

·        Integrador

Esquerdo Inferior

Direito Inferior

ORGANIZACIONAL

INTERPESSOAL

·        Planejador

·        Emocional

·        Organizado

·        Baseado em Sentimentos

·        Detalhado

·        Cinestésico

·        Seqüencial

 

 

As pesquisas realizadas nos últimos anos mostram que a maioria dos altos executivos, gerentes e supervisores, tendem a serem indivíduos que desenvolveram fortemente preferências para utilizar o lado esquerdo do cérebro e, conseqüentemente, como resultado disto, as organizações tendem a focar as suas atividades em áreas que são primariamente orientadas para o hemisfério esquerdo.

Assim sendo, as atividades do lado direto são engajadas com freqüência muito menor, ao mesmo tempo em que os indivíduos que utilizam mais o lado direito do cérebro têm poucas chances de progredir nessas organizações.

Portanto, quais são as implicações para tudo isto? Quando uma organização foca apenas as atividades que estão mais dirigidas para o lado esquerdo, logo de cara está utilizando quando muito, 50% da sua capacidade. Ao mesmo tempo por não valorizarem as funções do lado direito, tendem a ser muito burocráticas, e têm os seus focos muito mais dirigidos para a área operacional e por este motivo não conseguem se conectar com o todo.

Quando consideramos que o pensamento criativo gera um processo, através do qual utilizamos dois tipos de pensamento, ou seja, o pensamento divergente que é resultante da ação focada no hemisfério cerebral direito (adiar julgamento, imaginar, ousar, buscar novas alternativas, sair do velho paradigma), e o pensamento convergente que é resultante da ação focada no hemisfério esquerdo (julga, avalia e escolhe).  É a partir daí que entendemos a importância do processo criativo nas organizações, já que o mesmo tende a gerar um movimento entre os centros de pensamento divergente e convergente.

O que podemos percebe é que em nossa sociedade despendemos mais tempo e trabalho com as nossas habilidades ligadas ao hemisfério esquerdo. Portanto, a educação tradicional preocupa-se muito mais com a nossa habilidade de ler, escrever, aritmética, matemática, as quais estão totalmente vinculadas ao hemisfério cerebral esquerdo; ao passo que a arte, a música, a poesia, a estratégia, a visão sistêmica, o empreendedorismo, a criatividade que são habilidades ligadas ao hemisfério direito não são consideradas prioritárias ou importantes.

Logo, vale considerar que o individuo criativo não é aquele que apenas usa o lado direito do cérebro, mas principalmente, aquele que sabe utilizar bem os dois hemisférios cerebrais. Só para dar exemplo, um determinado indivíduo A é um excelente artista, pinta quadros belíssimos tanto em técnica, perspectiva e qualidade de trabalho, todavia não sabe lidar com as questões monetárias relativas à sua carreira e é nada mais do que um “artista falido”; já o indivíduo B é também um fantástico profissional, seus trabalhos são belíssimos, todavia o mesmo investiu profissionalmente na sua carreira, nas suas exposições, no seu marketing profissional e, portanto tem comprovadamente uma carreira de sucesso. Qual a diferença? O indivíduo A sabe utilizar muito bem o lado direito do cérebro e por algum motivo não desenvolveu o seu hemisfério esquerdo, que planeja, age e executa; já o indivíduo B, valoriza os dois hemisférios cerebrais e, portanto, por utilizar mais seu potencial cerebral, consegue além do sucesso profissional, também encontra o desejado, procurado e importante sucesso financeiro da sua carreira.

 

“No portal da PETROBRAS há uma informação sobre a relação de candidatos x número de vagas para o último concurso público da empresa. A relação é a seguinte:

Cargos de nível médio: 1 vaga para – em média – 197 candidatos.

Cargos de nível superior: 1 vaga para – em média – 137 candidatos.”

 

Todavia, uma grande preocupação se descortina. Para onde estamos caminhando se o nosso sistema educacional continua preparando as pessoas apenas para o emprego? Se as famílias continuam a incentivar os seus filhos para “estudarem para concurso e acharem o emprego garantido?” Que muitos outros concursos e entrevistas irão fazer as 450.000 pessoas que não passaram na seleção da Petrobras; ou seja, os 304.128 candidatos que não passaram nas seleções para nível médio e os 144.970 candidatos de nível superior que não passaram na seleção para nível superior? Em que velocidade se descortina no Brasil 450.000 empregos?

Por tudo isto que está sendo percebido e constatado fica bastante claro que, cada vez mais, a busca do emprego certo garantido e seguro só será uma realidade para uma minoria expressiva das pessoas, já que os órgãos federais, estaduais e municipais não têm capacidade e disponibilidade para absorver toda a mão de obra que cada ano está sendo disponibilizada no mercado.

Por outro lado, também fica bastante claro que as pessoas para competirem e conquistarem sucesso – honradamente – num mercado cada vez mais exigente precisam estar preparadas para tal e, dispostas a desenvolverem competências diferenciais, como por exemplo: a capacidade de pensar criativamente, a capacidade de enfrentar desafios, a visão empreendedora, habilidade de transformar problemas em oportunidades, a visão sistêmica, aprender a trabalhar cooperativamente e em equipe. Logo, como já foi mencionado essas habilidades por não serem lineares e lógicas poderão ser desenvolvidas por aqueles indivíduos que por possuírem uma visão mais flexível e empreendedora ousarem sair da sua zona de conforto e investirem no desenvolvimento do seu hemisfério cerebral direito. Uma decisão que é plenamente possível! E aproveitando a oportunidade, a FBC foi criada – exatamente – para ajudar nesse sentido.

 

(*) Fernando Viana

Diretor Presidente da FBC

fbcriativo@fbcriativo.org.br

 



[1] The Creative Brain – Ned Herrmann -1995

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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