Anorexia Nervosa: o que é e como devemos tratá-la?

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“Existe uma crença hindu em que cada pessoa vive em uma casa de quatro cômodos: um físico, um mental, um emocional e um espiritual. A maioria de nós tende a viver em um dos cômodos a maior parte do tempo, mas a menos que entremos em todos os cômodos todos os dias, mesmo que somente para mantê-los arejados, nós não estaremos completos. ”
(Rumer Godden).

Anorexia nervosa é um transtorno alimentar no qual a busca implacável por magreza leva a pessoa a recorrer a estratégias para perda de peso, ocasionando importante emagrecimento, o que sabemos é que as pessoas anoréticas apresentam um medo intenso de engordar mesmo estando extremamente magras, além disso, cerca de 90% dos casos, acomete mulheres adolescentes e adultas jovens, na faixa de 12 a 20 anos, e que trata-se de uma doença com grandes riscos clínicos, podendo levar à morte por desnutrição.

Causas:

A causa exata deste distúrbio é desconhecida, mas atitudes sociais em relação à aparência do corpo e fatores familiares desempenham um papel no seu desenvolvimento, é uma condição que afeta preferencialmente o sexo feminino ocorrendo geralmente em adolescente ou jovens adultas.

É importante salientar que o empanturramento seguido de vômito (espontâneo ou induzido) e o uso inapropriado de laxantes ou diuréticos são comportamentos que podem acompanhar frequentemente esse distúrbio.

Fatores de risco são origem caucasiana, bom nível sócio – econômico sexo feminino e ter uma família ou uma personalidade orientada para alcançar grandes e às vezes inatingíveis objetivos, alguns estudos chegam a citar que a incidência da doença seria de 4 em cada 100.000 pessoas.

Principais Sintomas:

  • Ocorre uma recusa compulsiva a manter o peso corporal em um nível igual ou acima do mínimo normal adequado à idade e à altura (por ex., perda de peso levando à manutenção do peso corporal abaixo de 85% do esperado; ou fracasso em ter o ganho de peso esperado durante o período de crescimento, levando a um peso corporal menor que 85% do esperado).
  • A pessoa desenvolve um medo intenso de ganhar peso ou de se tornar gordo mesmo com o peso visivelmente abaixo do normal.
  • Além disso, ela pode apresentar perturbação no modo de vivenciar o peso ou a forma do corpo, influência indevida do peso ou da forma do corpo sobre a auto-avaliação, ou negação do baixo peso corporal atual.
  • Devemos salientar que nas mulheres pós-menarca, podem ocorrer períodos de amenorréia, isto é, ausência de pelo menos três ciclos menstruais consecutivos. (Considera-se que uma mulher tem amenorréia se seus períodos ocorrem apenas após a administração de hormônios, por ex., estrógeno).

Em resumo podemos encontrar:

  • Intolerância ao frio
  • Atrofia muscular do esqueleto
  • Perda acentuada de peso (maior que 35% em geral)
  • “Prisão de Ventre” (obstipação /constipação intestinal)
  • Pressão arterial sistêmica baixa
  • Cáries dentárias
  • Pele amarela, descolorida ou manchada
  • Queda de cabelos, ou cabelos secos, quebradiços e /ou sem brilho.
  • Ausência de menstruação
  • Depressão leve, moderada e às vezes grave.
  • Perda de tecido gorduroso
  • Maior susceptibilidade às infecções

Tratamento 

O objetivo principal do tratamento é restaurar o peso corporal normal, além dos hábitos alimentares saudáveis e solucionar problemas psicológicos coexistentes.

Dependendo das condições clínicas da paciente, é necessário, muitas vezes em função de uma caquexia, proceder a sua internação  para o restabelecimento de sua saúde em ambiente hospitalar, é extremamente importante orientar os familiares sobre a gravidade do problema, sobre falsas expectativas e de que a cura não será fácil.

Se o tratamento é em regime de hospitalização procede-se à correção hidroeletrolítica, dieta hipercalórica mesmo contra a vontade da paciente, correção de possíveis alterações metabólicas e início do tratamento psiquiátrico.

O “Stress” desencadeado pela doença pode ser aliviado com o encaminhamento do indivíduo para “grupos de apoio”, onde os membros compartilham experiências, dificuldades e problemas em se alimentar adequadamente.

Psicologicamente deve-se abordar o caso cognitivamente e/ou comportamentalmente, encorajando a adoção de atitudes mais sadias por parte da paciente, que é recompensada com elogios e diminuição de situações aversivas como restrição de sua mobilidade, a maioria dos médicos sugerem que a psicoterapia individual é indicada visando à modificação do comportamento, das crenças e dos esquemas falhos de pensamento.

A psicofarmacoterapia é indispensável e, normalmente, se faz às custas de antidepressivos, notadamente com tricíclicos que tenham como efeito colateral também o estímulo do apetite e o ganho do peso, como é o caso da maprotilina, amitriptilina ou clomipramina, mas quando se tem necessidade de sedação (quase sempre há), recomenda-se que seja feita com neurolépticos e, preferentemente, com aqueles que também aumentam o apetite, como é o caso da levomepromazina.

Devemos salientar que os programas de tratamento realizados geralmente conseguem ter sucesso em 62% dos casos, porém 50% das pessoas afetadas podem continuar a ter problemas psicológicos e/ou alimentares.

É raro, mas em 5,8% dos indivíduos acometidos de anorexia nervosa pode ocorrer morte (suicídio ou por  complicações da doença)

O controle do peso pode ser difícil e um tratamento prolongado pode e deve ser necessário para maior segurança e adequada manutenção de um peso corporal saudável.

Complicações (não tratadas)

  • Desnutrição grave
  • Desequilíbrio de sais minerais do organismo
  • Desidratação Severa
  • Arritmias Cardíacas
  • Choque Hipovolêmico
  • Desorientação Mental

Mesmo após a melhora do quadro clínico, sempre é bom lembrar que as recaídas são freqüentes, convém chamar a atenção que nos casos de internação, a taxa de recidiva imediata é superior a 25%, indicando, portanto que o acompanhamento destas pacientes deve-se ser feita por muitos anos.

Lembre-se se você desconfia que um parente ou amigo apresenta suspeita de anorexia nervosa, procure uma ajuda com alguém da equipe de saúde (médico, enfermeira, psicólogo, etc…) mais próximo de onde estiver.

Essa atitude pode salvar uma vida.

Além disso, chame imediatamente o SAMU (192) ou outro Serviço de Emergência que conhecer, se uma pessoa com anorexia nervosa apresentar desmaios, pulso irregular, convulsões ou outros sintomas graves.

A anorexia nervosa muitas vezes não é curada porque não é diagnosticada.

A cura existe, mas precisamos confiar em nossos profissionais da saúde e que com nosso apoio eles conseguirão realiza- La com o sucesso que desejamos.

Boa Semana, muita paz, harmonia e simpatia.

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