Diabetes: uma causa de todos nós- parte III

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VI Tipos de ensino (Em Diabetes)

A orientação educativa deve ser feita  em um ambiente  tranquilo e calmo de uma forma transparente e real através de uma linguagem clara e compreensível, evitando termos técnicos difíceis. Podemos utilizar impressos, material áudio visual e tudo aquilo que a moderna ciência da comunicação utiliza no século atual, mas nada pode nem deve substituir a palavra e a comunicação interpessoal.

Deve se excluir, principalmente no primeiro momento as informações inúteis, e /ou àquelas que possam assustar o paciente, e/ou seus familiares.

 VII – Motivação

A motivação deve preceder todo trabalho educativo e consiste em predispor o diabético para  aceitar e acompanhar atentamente as tarefas educativas, pois a sua ausência  neutraliza os efeitos positivos do programa, impedindo a consequente modificação de conduta do paciente em função de um provável aprendizado.

O planejamento do tratamento do diabético é feito baseado no equilíbrio entre a ingestão de alimentos, gasto calórico e a dose da medicação utilizada (insulina e/ ou medicamentos orais) . Quando o paciente não é capaz de manter esse equilíbrio, concluímos que está existindo um nível superficial de compreensão e / ou que o método educativo empregado foi inadequado. É reconhecido que a heterogeneidade do diabetes é um fator que dificulta a adesão ao seu tratamento, que a falta  de compreensão influi negativamente na adesão e que informações isoladas não garantem o cumprimento do plano terapêutico correto.

Muitos acham que a medida que vai aumentando o tempo de diabetes e a complexidades de seu tratamento, vai diminuindo o grau de adesão , como se fosse uma resistência inconsciente ao fato de ser diabético.

Outro ponto importante da motivação é  de que não ocorra contradição entre os membros da Equipe de Saúde em relação a conceitos e definições, pois a confusão decorrente de informações desencontradas levam a uma  insegurança que pode resultar em desestímulo para um tratamento bem feito .

O princípio básico da educação deve ser o de transmitir a informação, retê-la e fazer a  sua aplicação imediatamente após,  para garantir que ela torne se  efetiva. Temos de estimular e apoiar o paciente para  que ele possa desenvolver maior confiança em si mesmo, nunca  subestimar suas opiniões e colocar sempre a sua disposição a disponibilidade  da equipe de saúde,  mostrando  que o erro é um tropeço normal no caminho da aprendizagem.

É necessário que todo educador conheça as distintas técnicas de motivação como, por exemplo:

·  Correlação com a necessidade real

·  Vitórias e fracassos iniciais

·  Problemática das idades

·   Material didático

·  Críticas

·   Elogios

·  Intercorrências ocasionais

·   Progresso na aprendizagem

·   Conhecimento preciso dos objetivos que devem ser alcançados e por fim profundo espírito lúdico

É recomendável, que de acordo com a complexidade e a necessidade de múltiplas ações no plano terapêutico, possamos introduzi-las gradualmente, trabalhando passo a passo, podendo fazer as mudanças com segurança passando com cautela de uma determinada ação para outra.

O conhecimento das dúvidas, incertezas, mitos e crendices, sobre diabetes que cada paciente possui, irá permitir a equipe de saúde uma ação mais específica sobre cada um deles, resultando na melhora da motivação e consequentemente da adesão ao plano terapêutico escolhido, chamamos a atenção ao papel relevante da família nesse processo, que deverá sempre tentar lembrar, apoiar e reforçar a educação do paciente.

A educação diabetológica para que tenha um bom resultado, motivando e conseguindo uma adesão real, deve conter informações curtas e concisas, procurando enfatizar os aspectos específicos desejados; Sendo que a repetição deve complementar esse trabalho por ser um método educativo eficiente, secundado por sua vez por material escrito, adequado e incisivo.

VIII – Avaliação

A maior avaliação que pode ser feita a respeito do processo educativo é a comprovação de que nosso paciente está clinica e metabolicamente bem, com relação familiar e laborativa adequada e principalmente com boa qualidade de vida.

Nessa avaliação existem muitos dados subjetivos que só o paciente e seus familiares poderiam  informar; porém existem alguns  critérios quase universais  de que a educação diabetológica é um processo contínuo e que o conhecimento, autonomia e  as mudanças de hábitos e condutas tem que ser avaliada de forma contínua, e  para tanto alguns serviços sugerem a inclusão de uma folha de avaliação educativa no prontuário clínico, registrando todas as vezes em que ele recebeu instruções , analisando quais os pontos de reforço e os que devem ser mais aprofundados .

A educação diabetológica não pode ser considerada completa senão temos a comprovação dos conhecimentos teóricos  que podem ser analisados através de questionários (gerais, de nutrição, atividade física, Hipoglicemia/ hiperglicemia, etc…), e de constatações praticas do dia a dia do paciente e de alguns itens significativos. Como exemplo  temos alguns dados concretos e objetivos que podem avaliar o trabalho desenvolvido;

São analisados:

Controle Metabólico (Hemoglobina Glicosilada< 7)

Redução do número de internamentos

Redução das complicações.

Redução das amputações.

Melhora na expectativa de vida.

Melhora da qualidade de vida

Redução do absenteísmo ao trabalho etc.

Observação: Uma avaliação específica deve ser feita com a gestante diabética desde quando a evolução, o parto e o recém-nascido é que fornecerão os dados como ponto de referência para a avaliação do trabalho educativo. Nesse ponto devemos lembrar que é muito importante e significativo o acompanhamento da menina diabética, a partir da puberdade e  desenvolver programas específicos para instrução de métodos anticoncepcionais, evitando uma gravidez indesejada, porque sabe se que uma boa instrução irá reduzir os abortos espontâneos, as mortes intrauterinas e perinatal, bem como a presença de complicações e mal formações congênitas nos recém nascidos .

Não deve ser esquecido que a equipe de saúde também deve ser avaliada com frequência para que sejam corrigidas algumas deficiências existentes e garanta que a informação possa chegar ao diabético de forma correta  uniforme e adequada.

Concluindo não deve se ser esquecido a relação custo – benefício do processo educativo, que trará a avaliação econômica de que precisamos para justificar os recursos utilizados no tratamento desenvolvido.

Por fim, que poderia ser inicialmente, podemos afirmar:

‘’ O DIABÉTICO QUE MAIS E MELHOR VIVE,
É O QUE MAIS CONHECE O SEU PROBLEMA,
TEM MAIS CONFIANÇA EM SI MESMO
E MAIOR PRAZER DE VIVER.’’

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