Diabetes: uma causa de todos nós – parte I

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Se você tivesse acreditado na minha brincadeira de dizer verdades, teria ouvido as verdades que insisto em dizer brincando. Falei muitas vezes como palhaço, mas nunca desacreditei na seriedade da plateia que sorria. Charles Chaplin

‘’Uma vez diagnosticado o diabetes todo esforço se dirige no sentido de tratar da melhor maneira, o desarranjo metabólico da doença, mantendo a glicemia o mais próximo do normal. Acreditamos firmemente que, se conseguirmos a normalização metabólica evitaremos ou retardaremos ao máximo as complicações ‘’. (ADA/ EASD).

Cresce em toda parte de forma assustadora o número de diabéticos.

O mundo está enfrentando uma epidemia crescente de diabetes de proporção devastadora, sendo seu impacto mais severamente sentido nos países em desenvolvimento.

Em muitos países o diabetes consome de 5 a 10% da verba destinada à saúde, sendo 50% deste custo dirigido as complicações. No mundo anualmente 3,2 milhões de mortes são devidas a diabetes; Sendo uma em cada  20 , 8.700 ao dia , 6  por minuto , 1 em cada 10 pessoas na faixa  de 35 a 64 anos e 3/4 das mortes de pessoas com menos de 35 anos , comparando com pessoas não diabéticas.

A frequência do seu aparecimento vem aumentando de forma alarmante, cerca de 171 milhões de pessoas no mundo, tem diabetes, e estima-se que em 2030 essa quantidade dobrará, sendo que nos países em desenvolvimento esse aumento será em torno de 150%¨; esse crescimento provavelmente será decorrente do envelhecimento e crescimento da população, além do aumento da obesidade, dietas inadequadas e sedentarismo.

Isso tudo se pode prevenir ou retardar o seu aparecimento (complicações) desde que se modifiquem os padrões de vida desse grupo de pessoas, sendo lógico que se adicione às medidas comportamentais, o uso de medicamentos, dieta, exercício físico e principalmente a colaboração de todos para auxiliar os diabéticos e seus familiares a obter as informações e o conhecimento necessário para cuidar-se e poder levar uma vida plena e saudável.

Vários estudos têm demonstrado que a mudança de estilo de vida, a dieta e a atividade física podem reduzir o risco de desenvolvimento do Diabetes tipo II. O estudo Finlandês foi um dos que evidenciou e constatou de forma inconteste essa verdade.

Nessa avaliação um dos fatores que mais tem influenciado o crescimento dos casos de diabetes nos países em desenvolvimento é a tendência à urbanização, ou seja, a ida do povo das áreas rurais para cidade, afetando sobre maneira o número de pessoas que irão desenvolver diabetes, pois as pessoas que moram na cidade tem a tendência a serem menos ativas fisicamente, além de apresentarem maior índice de sobrepeso e obesidade que as da área rural.

A atividade física é necessária e importante para todas as pessoas, sem restrições, no entanto 60% da população mundial não pratica atividade física de forma adequada, consequentemente vem aumentando de forma progressiva o aparecimento da obesidade não só nos países ricos, como também naqueles em vias de desenvolvimento, decorrente da redução da atividade física, aliada ao aumento no consumo de dietas ricas em carboidratos e gorduras.

Isso vem preocupando muito, porque esta atingindo cada vez mais as camadas da população mais jovem, e que estão se tornando adultos com níveis de obesidade sem precedentes.

Conforme dados do “Grupo de Trabalho Internacional de Obesidade‘’ e de informações da OMS /2002 (Saúde Mundial), 58 % do diabetes mundial decorre de um IMC >21 Kg², evidenciando a associação mórbida entre obesidade e diabetes tipo II.

Os pontos comuns existentes entre a epidemia de obesidade e diabetes nos conduzem a tentar obter respostas não só a nível geral como também individual, sendo pouco provável que os métodos baseados em educação individualizada possam obter êxito em locais em que não há  incentivo para  executar as condutas propostas. A educação para ser individualizada e ter um bom resultado deve estar apoiada por mudanças significativas como, por exemplo: transporte, urbanização da cidade, baixo preço dos alimentos, e condições sócios – econômicas adequadas da população.

A grande conclusão obtida através dessas informações é que, somente com parcerias construtivas, envolvendo o governo, a sociedade civil e o setor privado é que se possa fazer as mudanças necessárias para reverter a tendência atual de crescimento do sobrepeso e da obesidade, e o crescente aparecimento das enfermidades crônicas a elas associadas.

Só para se ter uma ideia da importância do crescimento do excesso de peso e do sedentarismo como fator preponderante na gênese do diabetes , um milhão de adultos tem sobrepeso e trezentos milhões são obesos.

I – Educação

‘’Entre os recursos com que contamos para essa formidável luta em prol do controle metabólico ideal, é fundamental a educação dos pacientes e suas famílias para entender a doença, ajustar-se psicologicamente a ela, colher informações diárias sobre o andamento do controle metabólico e colaborar com o tratamento. O tratamento inclui dieta correta, estilo de vida adequado, conhecimento das medicações e sua aplicação, ou seja muito conhecimento, disciplina e educação.’’   (Sotero)

Essa taxa alarmante de crescimento do diabetes, entidade clínica complexa e crônica que atinge todas as áreas da vida do individuo e que necessita sempre  de um tratamento  de qualidade indiscutível, é altamente preocupante .

Em decorrência disso a educação tem uma importância fundamental, devendo ser considerada parte integrante e inseparável da conduta terapêutica dos diabéticos.

Infelizmente essa não é a realidade encontrada na maioria dos países, destarte naqueles em desenvolvimento, aonde o processo educativo se encontra na melhor das hipóteses incipiente, em fase rudimentar e na sua grande maioria inexistente.

O que se observa é que quando aliamos a dificuldade de acesso à serviços médicos de qualidade , a falta de educação sobre diabetes , chegamos a resultados clínicos desastrosos , qualidade de vida inadequada, e elevação dos custos da manutenção à saúde , sendo este último decorrente do excesso de utilização dos serviços de saúde por pacientes indevidamente orientados e inadequadamente medicados.

Posição do IDF:

· Toda pessoa com diabetes independente de onde viva tem o direito de aprender sobre sua doença.

·Os profissionais na área de saúde devem ser orientados para serem responsáveis pela prevenção e pelo fornecimento de informações sobre cuidados do diabético

· A população de risco e o grande público devem conhecer esse risco e aprender sobre prevenção.

· Os ministérios de saúde devem ter um plano estratégico de educação em diabetes em seu programa nacional de diabetes.

· O que se observa é que a educação é a chave para se obter a prevenção e o correto tratamento do diabetes , e deve ser dirigido basicamente a três grupos: O diabético , a equipe de saúde e a população em geral.

Apesar de muitos povos identificarem o grande valor da educação, encontram grandes obstáculos para disseminar o processo educativo. Quais sejam:

1.     Financiamento

2.     Falta de conhecimento

3.     Dificuldade de acesso à informação

Com o aumento da incidência de diabetes cresceram os esforços para promover a educação, tentando conseguir com a disseminação do conhecimento da doença para o público em geral, reduzir o prejuízo econômico e humano decorrente desse problema crônico de saúde; O alto conhecimento educativo é extremamente importante desde quando o tratamento do diabético em 95% dos casos é realizado por ele e sua família; Sem uma educação adequada as pessoas não podem acompanhar corretamente a terapêutica necessária para uma boa saúde, qualidade de vida adequada e a sua  sobrevivência.

O objetivo do autoconhecimento em diabetes é dar oportunidade aos diabéticos de:

a.     Compreender a natureza de sua doença e seu tratamento.

b.    Identificar problemas em sua saúde numa fase inicial, capaz de ser reversível.

c.      Aderir as praticas de autocuidado.

d.    Fazer as modificações necessárias em seus hábitos de saúde.

O treinamento do autoconhecimento em diabetes serve para auxiliar a solução de seus problemas físicos e emocionais, adequando-os a seu nível sócio econômico e cultural.

A equipe de saúde deve participar ativamente no sentido de dar qualidade a educação e aos cuidados realizados pelo autoconhecimento, no sentido de motivar o paciente a fazer o seu tratamento corretamente durante toda a sua vida. Nesse ponto chamamos a atenção do que é considerado uma boa pratica, ou seja , quando a educação e o cuidado com o diabético é feito por uma equipe multidisciplinar integrada que deve incluir no mínimo uma enfermeira , uma nutricionista , um professor de educação física e um médico , obviamente com experiência na educação do diabético.

O grande obstáculo para o tratamento dessa equipe é que em virtude de sua especificidade, elas existem em quantidade reduzida, comparativamente com o grande número de pacientes que delas precisam fazer uso.

Além disso, existe em alguns países uma grande dificuldade de acesso para execução de programas educativos voltados para profissionais e seus pacientes, e por fim é assustador a variedade de padrões encontrados para realizar a educação do diabético, a depender do grau evolutivo da civilização, da cultural e do nível sócio – econômico de cada região.

 II Conscientização

Entre os povos desenvolvidos ou não, entre os líderes políticos independentemente da região analisada, ainda há muito pouca conscientização da importância do diabetes, seja a nível clínico ou de saúde  pública, e essa omissão torna-se significativamente mais importante na medida em que atinge as populações mais pobres,   o que acarreta uma piora   na qualidade de vida de milhões de pessoas e seus familiares,  extrapolando a capacidade de resolutividade dos sistemas de saúde, levando um impacto negativo na economia justamente nesses países que têm  maior necessidade de desenvolvimento.

 Essa conscientização deve se basear em princípios extremamente objetivos e concretos como, por exemplo:

Diabetes reduz a sobrevida da população acometida e sem orientação correta.

Diabetes atinge principalmente os adultos em sua fase mais produtiva.

Diabetes pode ser prevenido em um grande número de casos.

O diabético pode viver muito, bem e com qualidade de vida quando bem orientado.

Por isso é que o programa educativo deve ser desenvolvido sempre de forma precoce e abrangente para que possamos evitar principalmente as complicações crônicas advindas do seu tratamento inadequado.

Esse processo deve ser feito de forma diferenciada para cada um dos grupos abordados, utilizando métodos tradicionais, ou de comunicação virtual, dependendo do grau de desenvolvimento de cada um deles. Podendo usar:

Material educativo (impressos).

Manuais com recomendações para o tratamento.

Cartilhas com cuidados de higiene.

Material áudio visual.

Acesso on-line etc..

É lógico que devemos acompanhar a distribuição criteriosa do material avaliando cada nível de paciente e sua respectiva  compreensão do conteúdo existente  no sentido de identificar, se a informação está chegando às pessoas que mais dela necessitam. Também devem ser utilizados canais de comunicação que possam certificar que a equipe está conseguindo atingir o seu objetivo com o retorno que se deseja ter.

A conscientização da necessidade de se educar deve ser massificada, principalmente nos lugares aonde não existem programas nacionais de controle do diabetes, que está presente em apenas  43% dos países do nosso mundo.

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