Catedral de Sal de Zipaquirá: maravilha colombiana

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Nave central da Catedral de Sal entre várias outras capelas, monumentos, túneis e atrativos da mina

Impossível ir à Colômbia e não visitar a Catedral de Sal de Zipaquirá, construída em uma mina a 2.600m acima do nível do mar e a 180m abaixo do solo interior, nos arredores da capital Bogotá. A catedral é uma das maravilhas da Colômbia e fica a 50km ao norte da capital, Alcaldía de Zipaquirá.

A Catedral de Sal de Zipaquirá fica num complexo em homenagem aos mineiros colombianos chamado de Parque de Sal e a poucos metros da sede municipal de Zipaquirá. Ao chegar, o visitante já percebe o cuidado com a localidade com uma área verde, esculturas, parques infantis, lanchonetes, lojas de souvenir e a bilheteria que te conduz à entrada da mina. Ao longe, tem-se uma vista da cidade, que reserva parte da sua história econômica a extração do sal, oriundo de um pequeno oceano existente há milhões de anos.

Um dos primeiros miradores para ver a nave central da catedral a mais de 160m abaixo do solo

Os túneis foram sendo escavados para a extração do mineral no início no século XVI com a chegada dos espanhóis. Os trabalhadores das minas já dedicavam o lugar a Nossa Senhora do Rosário, que é a padroeira dos mineradores. Em 1932, foi feita uma pequena capela subterrânea. Com a grande devoção dos trabalhadores, em 1950, foi construída uma grande catedral no segundo nível de exploração da mina, que na época tinha quatro níveis, cada um deles com 80 metros de extensão. Como havia falhas estruturais e risco de desmoronar, ela foi fechada em 1992, quando um novo projeto já estava em andamento, a 60 metros abaixo da antiga catedral.

Na época, 44 projetos foram apresentados e o desenho aprovado para o novo templo religioso foi o proposto pelo arquiteto Roswell Garavito Pearl, de Bogotá. A nova catedral foi inaugurada em 1995. Tanto que em 2007 foi feito um concurso para escolher as 7 Maravilhas da Colômbia e a Catedral de Sal obteve a maior votação popular.

Esculturas estão espalhadas no caminho da via sacra até chegar a catedral

Há vários passeios para se fazer no parque que deve ser comprados em “combos”, ou recorrer somente ao conhecimento do caminho da Via Crucis, que leva ao interior da catedral. Um outro deles é acrescentar ao passeio tradicional a chamada Ruta Del Minero, que inclui uma visita completa a mina, e um tour pela cidade no trem que sai do parque.

Capelas e corredores levam à capelas e salões grandiosos de oração

O passeio da Via Crucis inicia pela antiga mina de sal recebe a orientação de um condutor. Ao entrar na mina você passa por um longo túnel de quase 400 metros de comprimento coberto de sal e 13 de altura que acompanha 14 estações da Via Crucis representando a caminhada de Jesus, desde o momento em que ele foi condenado, crucificado, até seu sepultamento. Os altares foram esculpidos nas rochas de sal e a iluminação tem um efeito especial na escuridão.

Mais adiante, o grupo inicia a via crucis por paradas em salões da antiga mina, transformada em parada da via sacra, com símbolos cristãos.

O guia vai mostrando a simbologia de cada uma das 14 passagens e no caminho ainda existem diversos outros salões, cada um com sua característica e atração própria. Alguns dos salões são grandiosos e a iluminação do caminho dá um show à parte, colorindo cúpulas, capelas, monumentos e, por vezes, lembrando que o local sagrado foi um local de trabalho.

Há paradas em vários templos até chegar a nave central da Catedral de Sal, totalmente construída em uma mina

Há o salão com uma cascata de sal, outro com uma cruz gigante (maior do mundo talhada em uma pedra só), um chão de vidro, onde é possível ver a água que passa por debaixo do solo), cinema 3D, lojas e lanchonetes. Isso tudo a cerca de 180 metros abaixo da terra.

Após descer um túnel que há duas direções e um miradouro, o visitante tem a primeira visão do salão que dá acesso à Catedral de Sal da mina de Zipaquirá.

Em frente à cúpula, tem um espaço dedicado ao coral da igreja, com um balcão e um grande anjo, de onde se vê a Nave Central. Escadas e rampas talhadas nas rochas de sal descem até o centro da Catedral que tem três salões: Nave do Nascimento, Nave da Vida e Nave da Morte e Ressurreição. Elas se comunicam por passagens e labirintos. A Nave Central é ancorada por quatro grandes colunas que simbolizam os apóstolos Mateus, Marcos, Lucas e José. Ela ostenta uma cruz de sal muito grande e tem no chão um medalhão que faz referência ao nascimento de Cristo.  A Catedral de Sal, sem dúvida, é um ótimo motivo para visitar a redondeza de Bogotá.

No piso da nave central, a imagem esculpida na rocha é a projeção de uma das célebres pinturas de Michelangelo: A Criação de Adão.

Dicas de viagem

O passeio da Ruta Del Minero baseia-se na simulação da jornada de um mineiro e simula dificuldades e situações do dia a dia de um trabalhador e, por último, acompanha-se uma simulação de uma “explosão” com dinamites.

Saindo da mina, o trem é uma boa opção pra fazer o tour pela cidade, mas não esqueça que deve adquirir o ticket no início. O trem circula os principais pontos turísticos de Zipaquirá.

Faça um roteiro que permita uma hora para ida, uma hora para volta e mais duas para conhecer com tranquilidade o templo.

A Catedral de Sal de Zipaquirá fica na Carrera 6 Calle 1 – Zipaquirá, Cundinamarca, e a entrada para adultos estrangeiros custa, em média, combos de R$ 55. O horário é das 9h às 17h40 (horário limite para entrar). Para mais informações acesse o site oficial da Catedral de Sal de Zipaquirá.

Parque do Mineiro é a entrada principal numa colina que se tem uma vista de Zipaquirá

Como chegar

Para se chegar ao Parque, a forma mais econômica é utilizar o transporte público de Bogotá, que é inspirado no sistema de transportes de Curitiba e lá é chamado de Transmilenio. Do centro da cidade é preciso ir até o Terminal chamado Pontal del Norte. Chegando no Terminal Pontal del Norte é preciso sair e pegar um ônibus/van do transporte metropolitano, que fica no terminal ao lado. Do Pontal Norte até Zipaquirá são cerca de 50 minutos de viagem.

Zipaquirá é a charmosa cidade nos arredores de Bogotá, que sedia a Catedral de Sal

A segunda maneira é através de táxi, com um preço que pode variar de 180 mil pesos a 220 mil pesos (ida e volta), e não esqueça que em Bogotá há dois tipos de táxis: branco e amarelo. O branco serve para turistas e executivos e o amarelo para transporte de massa. O ideal é contratar um motorista de táxi para levar você até lá, esperar a visita e trazer de volta.

Ajiaco é tradicionalmente colombiano, contendo milho, frango, alcaparra, abacate e creme de leite

Gastroterapia

A gastronomia colombiana por si só já valeria um post. Sem sombra de dúvida o Ajiaco é o prato típico colombiano e pode ser degustado em qualquer restaurante da cidade. O prato é um caldo de batata com milho inteiro, frango (desfiado ou não), servido com abacate, alcaparras e creme de leite.

Os patacones, pedacinhos fritos de banana da terra crocantes, são sempre servidos como acompanhamento de vários pratos. Essa é à base do Patacón, típico e simples prato colombiano, que pode ser servido puro ou com patês de frango, guacamole, vinagrete.

As Arepas são presença certa no café da manhã e costuma ser servidas como acompanhamento. Feito a partir da farinha de milho, a arepa tem formato circular. A farinha é misturada com água e sal, e, às vezes, é acrescentado leite e/ou ovos. A massa feita em pequenas bolas e achatadas é consumida normalmente com queijo, manteiga ou outro alimento.

Arepa é presença marcante como acompanhamento no café da manhã

A Changua é uma sopa servida no café da manhã à base de leite e ovo, com ervas, principalmente coentro.

Não titubei em pedir o Arequipe, doce de leite colombiano, ou os doces regionais, a exemplo do de mora (amora) ou tamarillo (tamarindo).

O Oblea, talvez o mais vendido doce colombiano, é um sanduiche composto por dois biscoitos gigantes e finíssimos com recheios variados que podem ir do tradicional doce de leite (arequipe) até chips de chocolate, coco ralado, queijo e geleia de frutas. Esses são vendidos em qualquer esquina do centro histórico.

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Fotos: Silvio Oliveira
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