Chapada Diamantina (BA): Lençóis mais que coadjuvante

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Casarios e balaustrada á beira do rio Lençóis

A maioria dos turistas que procuram Lençóis, cidade localizada na região Centro-Oeste da Bahia, localizada na encosta oriental da Serra de Sincorá, a tem como cidade dormitório para conhecer os atrativos naturais do Parque Nacional da Chapada Diamantina. Mero engano. De coadjuvante, a cidade tem se tornando protagonista dos destinos de ecoturismo da Bahia, reinventando-se em infraestrutura e serviços e mostrando a quem a visita que por si só já é um bom atrativo para afivelar as malas e desembarcar na região. A cidade reúne as baianidades de outros roteiros, rico patrimônio histórico datado de meados do século XIX, cercada por lendas e mitos, boa gastronomia, e, obviamente, os atrativos naturais que fazem dela a porta de entrada para o a Chapada Diamantina.

Praça Horário de Matos é um dos largos que acontece a noite de Lençóis

Com pouco mais de 11 mil habitantes (IBGE 2018), o apogeu de Lençóis se deu no século XIX quando se descobriu diamantes na região do rio Mucugê. Os casarões e vestígios dessa fase do Brasil documentam o tempo áureo, desenhando a cidade como um bom atrativo a ser desbravado.

O centro histórico de Lençóis é pequeno, mas charmoso, prédios interessantes e preservados. O conjunto arquitetônico e paisagístico de Lençóis foi tombado, pelo Iphan, em 1973, com uma área de proteção de cerca 570 imóveis.

A dica é percorrê-lo a pé, sem pressa, iniciando do lado direito da ponte que interliga a avenida Senhor dos Passos à charmosa praça Aurelino Sá (praça das Nagôs), onde fica o antigo Mercado Municipal de Lenções, onde ocorriam as atividade comerciais em época escravagista.

Rio Lençóis

Entre 1845 e 1871, a cidade foi a maior produtora mundial de diamantes e a terceira cidade mais importante da Bahia, tornando-se entreposto comercial de exportação de produtos minerais para a Europa e de importação de artigos de luxo, a ponto de ter se instalado ali um vice-consulado da França para facilitar o comércio com este país.

Seu acervo arquitetônico é formado, basicamente, por casas e sobrados da segunda metade do século XIX, construídos com diversidades de técnicas. Diferente de outras cidades baianas, a arquitetura civil tem uma importância maior que a religiosa, e não existe apenas um monumento dominante no conjunto tombado.

Esse conjunto corresponde a toda a área urbana da cidade, em função da topografia e da ausência de planejamento na ocupação típica dos núcleos de mineração dos séculos XVIII e XIX. A povoação se formou a partir de dois núcleos: o Serrano, mais acima, e São Félix.

Igreja do Nosso Senhor dos Passos

O primeiro atrativo a ser descoberto pelo visitante em Lençóis é a igreja Nosso Senhor dos Passos (1830), com boa vista panorâmica que se tem do outro lado do rio Lençóis. Suba a ruazinha que fica do lado da igreja, vire à esquerda. Do Alto do Bomfim terá a vista ainda mais apurada da cidade, com um belo casarão representativo da arquitetura da época em rua calçada de pedra, decorada por lustres que são símbolos de Lençóis e que até hoje adornam a iluminação pública.

Avenida 7 de Setembro reúne um belo complexo arquitetônico

Logo após a ponte sobre o rio Lençóis está o antigo Mercado Municipal, hoje um centro cultural. Do outro lado, à direita, há o largo chamado de praça Horácio de Matos, com bonitos casarões, onde funcionam os Correios, o Banco do Brasil e o Campus da Chapada da Universidade Estadual de Feira de Santana. A noite o largo fica cheio de mesinhas na rua e também ganha uma feirinha de comidas e artesanato em uma de suas vias. Na avenida Sete de Setembro há uma concentração de agências de turismo e serviços.

Alto do Bonfim tem uma vista panorâmica da cidade

Subindo essa rua, um imponente casarão da antiga prefeitura municipal hoje é sede do Iphan. Vale também uma visita ao antigo Teatro de Arena, entre outros casarões no entorno da praça.

Rua das Pedras de dia é o centrinho da cidade. De noite, a rua dos bares e restaurantes

A rua das Pedras, assim como a rua da Baderna (rua perpendicular à das Pedras), durante o dia passa veículos, mas a noite é fechada e se concentra por lá o burburinho de bares, restaurantes e lojinhas. Mesinhas tomam conta da rua e músicos e artistas circulam entre elas promovendo um show de diversidades até a madrugada, quando novamente o centrinho volta a acordar para mais um dia de descoberta.

Igreja Nossa Senhora do Rosário e a fé católica

No final da rua das Pedras está a igreja de Nossa Senhora do Rosário (1855 a 1860), a maior expressão católica da cidade. Parte integrante e atuante no cotidiano da cidade, a edificação é um exemplar significativo da arquitetura religiosa colonial brasileira e um imóvel importante do contexto histórico da cidade. A edificação do santuário consolidou o espaço urbano do povoado de São Félix. Devotada ao Senhor Bom Jesus dos Passos, padroeiro dos garimpeiros.

Sede do Iphan reune beleza em um casarão do século XIX

Perpendicular a pracinha do Correto ficam as trilhas de acesso ao Parque Municipal de Muritiba, onde se pode ter como primeira atração a considerada prainha de Lençóis: a corredeira do Serrano. O Parque de Muritiba inclui as piscinas naturais ou caldeirões que se formam no rio Lençóis, o Salão de Areias Coloridas, a Cachoeirinha, a Cachoeira Primavera, o Poço Halley e um mirante, mas esse será o segundo post desta série.

Dicas de viagem

Lençóis é um dos 25 municípios que compõem o vasto Parque Nacional da Chapada Diamantina. A Chapada Diamantina é composta por 24 municípios: Abaíra (juntamente com seu distrito Catolés e seu povoado de Ouro Verde), Andaraí, Barra da Estiva, Ibitiara, Iramaia, Itaetê, Marcionílio Souza, Morro do Chapéu, Novo Horizonte, Palmeiras, Rio de Contas (distritos Arapiranga e Marcolino Moura), Seabra, Souto Soares, Tapiramutá, Utinga, Wagner, Boninal, Bonito, Ibicoara (distrito Cascavel), Iraquara (distrito Iraporanga), Jussiape (distrito Caraguataí), Lençóis, Mucugê, Nova Redenção e Piatã (distritos Cabrália e Inúbia);

Cafés e restaurantes na rua da Baderna

Próximo da sede há alguns atrativos naturais com caminhadas curtas, como o Parque Municipal da Muritiba, que abriga as trilhas do Serrano e da cachoeira do Sossego, porém é imprescindível e bem mais seguro a contratação de um condutor, especialmente para quem visita pela primeira vez;

Construções típicas pedra sobre pedra da Chapada Diamantina

Confira alguns atrativos e consulte as agências de turismo para mais informações, como valores, disponibilidade e transporte. Se você não estiver de carro, é possível fazer os passeios com agências de viagem. Os preços giram em média de R$ 130 por pessoa. (Maio 2019). Consulte a Zentur  Viagens e Turismo através do telefone Telefone: (75) 3334-1397 ou (75) 99955-9482;

Rua da Baderna é a noite em vida para turistas e moradores

Lençóis oferece uma agenda cultural diversificada durante o ano, com opções que variam de festas tradicionais, como o São João, a shows de MPB, com destaque para o Festival de Lençóis;

Em qualquer época do ano, vá preparado para caminhar muito e não se esqueça de se hidratar bastante e passar protetor solar. A noite as temperaturas tendem a cair e beiram os 19º;

Ruas calçadas a pedra é um chame da cidade

Lençóis possui agência do Banco do Brasil e postos de atendimento Bradesco e Caixa Econômica Federal. Sacar dinheiro não é uma tarefa muito contínua. Nenhuma agência ou posto de atendimento bancário regional também oferece serviço de câmbio.

As bandeiras dos cartões mais aceitos nos estabelecimentos locais são Visa e Mastercard, mas fique atento, pois muitos lugares ainda não trabalham com cartão de crédito ou débito. Nesse caso, a melhor alternativa é levar dinheiro em espécie.

Quando ir – Não existe época ruim para ir à Chapada, em temporada de chuva (novembro a janeiro), as trilhas estarão mais enlameadas, mas as cachoeiras exuberantes. Entre março e maio a chapada estará mais verde e, de maio a setembro, época de seca, provavelmente não vai chover.

Arte nas cores das casas

Onde se hospedar – Lençóis possui uma vasta rede hoteleira, contando com mais de 2 mil leitos, entre hotéis, pousadas, camping, hostel, albergues. Uma dica com bom custo benefício é a Pousada Canto Verde, um misto de tranquilidade e acolhimento. A pousada em sistema de chalés com rede na varanda, arte e contação de histórias dos proprietários Everaldo Barbosa em conjunto com a Cristiane, encrustada num braço de mata e pertinho do Serrano. Não poderia ser diferente: hospitalidade, aconchego e bom custo benefício. Endereço: R. da Muritiba, nº 03 – Centro, Lençóis – BA, Telefone para reservas: (75) 99900-9809

Pousada Canto Verde é realmente entre o verde das árvores e pertinho do Serrano

Como chegar – Localizada a cerca de 400 km de Salvador, há diversas formas de chegar à Chapada Diamantina, e grande parte delas sugere um tempo de permanência de, no mínimo, acima de três dias. Para os viajantes independentes, o acesso de carro a partir de Salvador pode ser feito pela BR-324 até Feira de Santana. A partir dali, o motorista pode decidir entre dois caminhos: ou pela BR-116 até o entroncamento com a BR-242 (Rodovia Bahia-Brasília) ou pela BA-052 até o município de Ipirá, e daí até Itaberaba. Depois desta cidade, os dois caminhos se reencontram e seguem pela BR242, até o trevo de acesso à cidade. Daí até Lençóis são apenas mais 12 km.

Há também vários horários diários de ônibus a partir de Salvador e a viagem dura cerca de seis a sete horas. A empresa que administra  a rota é a Real Expresso e circula nos horários de das 7h com chegada às 13h e das 13h com chegada às 19h. esse ônibus também vai até Palmeiras, porta de entrada para o Vale do Capão.

O aeroporto Horácio de Matos, no município de Lençóis, recebe voos regulares a partir de Salvador e está a 20km do centro da cidade, na BR-242.

Todas as quintas e domingos há voos regulares a partir de Salvador. As agências de receptivo prestam serviços de traslado privativo e oferecem roteiros regulares completos, que contribuem para reduzir o custo da viagem. Saindo de Salvador de avião para Lençóis, o voo tem duração de apenas 45 minutos e o aeroporto está a apenas 20 km da cidade. (Quinta e Domingo) – Partida 11h55 chegada 13h05. Lençóis x Salvador (Quinta e Domingo) – Partida 13h30 chegada 14h30.

Gastroterapia

Carne do Sol com Godó do restaurante Picanha na Chapa. Godó como coadjuvante da carne de sol, uma boa pedida

Há uma constelação de restaurantes e bares onde os turistas podem se deliciar de comidinhas regionais a criativas com pitadas internacionais. Nos últimos anos, os serviços de Lençóis têm se profissionalizado e a gastronomia é um deles. É interessante notar como este setor tem utilizando os ingredientes locais e transformado o sabor da chapada em um atrativo, como o cacto incorporado em quase todos os cardápios e algumas leguminosas e frutas não convencionais.

Um toque europeu no talharim à gorgonzola  com camarão do Dom Obá

O Godó, um puré de banana verde cozida com temperos e carnes, é um tradicional prato da culinária da época do garimpo que virou tradição em cardápios locais. A dica é experimentá-lo não como prato principal, mas acompanhado de outros complementos, como a carne de sol.

 

Godó é um dos pratos típicos da época do garimpo na região da Chapada
Café da manhã do Garimpo Café com os caprichos da D. Onete
Carne de sol, purê de queijo e arroz de alho do Lampião
Fotos: Silvio Oliveira

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