Desconstruindo André Moura

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Em Nota Pública divulgada por sua assessoria de comunicação, o deputado federal André Moura (PSC/SE) declarou que a sua residência no município de Pirambu foi alvo de apedrejamento, no último sábado (23), por, segundo a própria Nota, “integrantes de movimentos sociais de diversas regiões de Sergipe, ligados ao PT”. A versão divulgada por André Moura imediatamente ganhou eco em parte da imprensa sergipana, que passivamente a tomou como verdade e não se prontificou nem mesmo a ouvir a versão dos manifestantes.

O desejo do sensacionalismo e da criminalização de ações do movimento social foi tamanho que analistas políticos e setores da imprensa local se posicionaram antes mesmo da divulgação de uma nota de esclarecimento publicada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, também no sábado.

Na nota, o MST: a) assume a autoria da manifestação na porta da casa de André Moura; b) esclarece que a manifestação foi parte da “Marcha pela Democracia”, realizada pelo movimento no final de semana em alguns municípios sergipanos; e c) que não houve nenhuma ação de apedrejamento, mas apenas uso de carro de som e palavras de ordem para denunciar o caráter golpista do processo de impeachment de Dilma Rousseff, que tem André Moura como um dos principais articuladores.

Ou seja, com a divulgação da Nota pelo MST e a ausência de imagens (fotos) que comprovem o suposto apedrejamento, André Moura demonstra que utilizou o fato para, mais uma vez, transmitir uma aparente imagem de vítima e colocar a população contra os que se mobilizam em defesa da democracia. Sua versão, infelizmente, foi logo repercutida como verdade absoluta por parte da imprensa sergipana.

Mas, aproveitando a oportunidade, acredito que o fato é também um bom momento para desconstruir a aparência política de André Moura e apresentar o que caracteriza, na essência, o parlamentar sergipano.

Homem de discursos em defesa da ética, da moralidade e da justiça, André Moura é, na prática, na sua atividade política, um dos parlamentares campeões em matéria de envolvimento em corrupção, um legítimo colecionador de processos judiciais.

Somente no Supremo Tribunal Federal (STF) há seis processos contra o deputado, sendo apropriação indébita e desvio ou utilização pessoal de bens públicos de Pirambu alguns dos crimes pelos quais André Moura está sendo processado.

De acordo com recente denúncia do Ministério Público, aceita pelo STF, André Moura, mesmo depois de prefeito de Pirambu, continuou usando e abusando de bens e serviços custeados pela administração municipal, como gêneros alimentícios, telefones celulares e veículos da Prefeitura. Ainda segundo a denúncia, alimentos eram comprados no comércio local de Pirambu e entregues na casa do parlamentar. Quem pagava a conta? A população de Pirambu.

Mas não é só no STF que o nome de André Moura circula negativamente. O Tribunal de Contas da União, por exemplo, já o responsabilizou por diversas irregularidades quando prefeito, condenando-o, inclusive, ao pagamento de multa.
Esse mesmo André Moura já foi condenado pelo Tribunal de Justiça de Sergipe por improbidade administrativa e, com base na Lei da Ficha Limpa, teve a sua candidatura impugnada pelo Tribunal Regional Eleitoral de Sergipe e pelo Tribunal Superior Eleitoral, tendo sido candidato e estando atualmente no cargo apenas porque obteve liminar do STF.

Frente ao abismo entre os seus discursos e a sua prática cotidiana, não restam dúvidas que na essência André Moura é, assim como a sua versão sobre o ocorrido no sábado, uma grande mentira. O que o MST fez, na porta de sua casa, foi somente tentar denunciar isso à população e desconstruir a sua (aparente) imagem de “bom moço”.

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