Deux Généreaux VI.

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Propagnada pedindo clemência para Pétain; Eis o grito do povo: Viva Petain.
Chegara o momento difícil de pacificação da alma francesa dividida entre desertores e colaboracionistas e seus combatentes. E cada caso era um caso diferente a examinar, amainando ódios e perfídias.

 

Quando do processo de Robert Brasillach, crítico de cinema, escritor e jornalista, anti-semita extremado, ideólogo do fascismo à francesa e colaboracionista que justificava como necessárias mortes de reféns inocentes, em reparação a atentados contra os alemães, De Gaulle recebe pedidos de perdão assinados por Paul Valéry, Paul Claudel, François Mauriac, Daniel-Rops, Albert Camus, Marcel Aymé, Jean Paulhan, Roland Dorgelès, Jean Cocteau, Colette, Arthur Honegger, Maurice de Vlaminck, Jean Anouilh, André Barsacq, Jean-Louis Barrault, Thierry Maulnier, e tantos outros. A intelectualidade, os que louvam a palavra e o beletrismo, não querem que um dos seus seja executado.

 

 

Mas, “que dizer das palavras?” Raciocina De Gaulle segundo texto de Max Gallo; “Quando elas são lançadas por uma pena esperta e renomada, matam mais seguramente que as balas, e no fundo são as palavras que fazem e desfazem os exércitos, que erguem as fogueiras e as guilhotinas, absolvem os carrascos e lançam os matadores à caça das vítimas”.

 

O perdão a Brasillach não foi concedido, De Gaulle sofrerá por isso. Acusá-lo-ão de intolerante.  

 

Também não foi concedido o perdão a Pierre Laval, segunda pessoa de Pétain, responsável por muita violência, repressão e morte.

 

Quanto a Philippe Pétain, mesmo condenado à morte, sua pena é comutada a prisão perpétua por De Gaulle, vindo a morrer aos 95 anos de idade no dia 23 de julho de 1951 em Port-Joinville, durante seu internamento na ilha de Yeu na Vendéa onde foi enterrado.

 

Personagem contraditório, Pétain enseja muitas discussões, Seu advogado Jacques Isorni lança a lenda do “desvio da velhice”, defendendo-o de ter sido abusado por Pierre Laval que teria se aproveitado de sua idade avançada.

 

O próprio De Gaulle enquanto comutava a pena de morte do velho soldado dissera: – “A velhice é um naufrágio”,… “a tragédia é que o Marechal morrera em 1925 e ninguém se apercebeu”.

 

Alguns defensores, porém, acreditam que a ação de Pétain enquanto chefe do governo colaboracionista não foi de todo ruim. Dizem até que existia um Vichy de Laval, violenta e inclemente e um Vichy de Pétain interessada apenas na coexistência pacífica e preservação da sociedade francesa.

Alguns acreditam mesmo que se deve a ele a não destruição da França como se deu com a Polônia.

 

O Marechal Philippe Pétain é processado e condenado a morte.

No entanto segundo os historiadores franceses Pétain acresceu seus sofrimentos permitindo aos alemães realizar suas ações nefastas: entregar os judeus aos nazistas, repressão da Resistência, envio à força, de mão de obra francesa à Alemanha, pilhagem alimentar e econômica, etc.

 

Charles De Gaulle, em suas Mémoires de guerre, l’Appel, 1940-1942 dirá sem muita caridade de Pétain: “Toda a carreira deste homem fora um longo esforço de recalque. Muito orgulhoso pela intriga, muito forte pela mediocridade, muito ambicioso por ser arrivista, ele alimentava em sua solidão uma paixão por dominar, longamente endurecida pela consciência de seu pobre valor, pelos procedimentos desencontrados, ou pelo desprezo que ele tinha dos outros. A glória militar lhe tinha, outrora, prodigalizado suas carícias amargas. Mas ela não o tinha satisfeito […] E eis que de repente, no extremo inverno de sua vida,os acontecimentos ofereciam a seus dons e a seu orgulho a ocasião tão esperada de expandir os seus limites mesmo que o desastre o elevasse e o condecorasse em sua glória.[…] Apesar de tudo, eu estou convencido que em outro tempo, o Marechal Pétain não teria consentido se revestir de púrpura com o  abandono nacional. […] Os anos, por baixo do invólucro, corroeram o seu caráter. A idade o entregou a gente hábil que se aproveitou do seu majestoso cansaço. A velhice é um naufrágio. Para que nada nos fosse poupado, a velhice do marechal Pétain ia se identificar com o naufrágio da França. […] É preciso não se deixar envelhecer nos negócios”.

 

É preciso saber a hora de sair. Em política o grande negócio é saber sair a tempo, dizia De Gaulle.

 

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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