Dia Internacional da Mulher

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Fotos: Fernandes
Alessandra, exemplo de mulher que conduz sua vida com determinação, humor e sabedoria.
Muitas indagações vêm à mente da mulher para esclarecer o modo como ela vem sendo tratada no mundo em que vive. Será que estão dando a ela o devido valor, existe um tratamento igualitário entre homem e mulher, estão tendo os mesmos direitos, são cobradas e julgadas na mesma medida que os homens? Há realmente cortesia no tratamento?

 

Acredito que não, existe ainda muita discriminação no presente, instaladas no passado que muitas vezes impedem das mulheres de obterem o mesmo tratamento e valor dado ao homem.

 

O dia 8 de março está aí para lembrar, a luta pela igualdade de gêneros, das mulheres guerreiras que fizeram história, abrindo espaço, lutando pelos seus direitos, denunciando a violência, abrindo caminhos por melhores condições de estudo e trabalho, e dentre muitas outras coisas, exercer a feminilidade e sexualidade sem críticas e preconceito.

 

De onde vem o modo de tratamento e quem fez as regras de convívio social? Na história vemos a supremacia nos reis, sacerdotes e governantes. Quando se fala em início de civilização em sociedade, encontramos na pré-história preocupações do homem primitivo com a conservação da espécie humana, sendo a mulher valorizada pela fecundidade e com afazeres de cuidar das crianças e coletar frutos e raízes. Os homens dividiam o território, caçavam e pescavam.

 

Maria Elidete Almeida
Encontramos na história escrita, poucas fontes documentais relativas à figura feminina, existem muitos discursos masculinos, garantindo regras de conduta de acordo com a visão do homem. Um dos mais antigos conjuntos de leis já encontrados é o Código de Hamurábi, vistos por volta de 1.700 a.C.. Nele é retratada a hierarquia da sociedade na época onde existiam três grupos: os homens livres, os subalternos e os escravos. Ele afirma que elaborou esse conjunto de leis “para que o forte não prejudique o mais fraco, a fim de proteger as viúvas e os órfãos” e “para resolver todas as disputas e sanar quaisquer ofensas”.

 

Ourto código encontrado faz parte de uma coleção de livros bramânicos, é o Código de Manu , em torno de 1500 a C. que constitui-se na legislação do mundo indiano e expõe regras rígidas para as mulheres, entre elas:

 

XIX – DOS DEVERES DO MARIDO E DA MULHER

Art. 419º Dia e noite, as mulheres devem ser mantidas num estado de dependência por seus protetores; e mesmo quando elas têm demasiada inclinação por prazeres inocentes e legítimos, devem ser submetidas por aqueles de quem dependem à sua autoridade.

Art. 420º Uma mulher está sob a guarda de seu pai, durante a infância, sob a guarda de seu marido durante a juventude, sob a guarda de seus filhos em sua velhice; ela não deve jamais se conduzir à sua vontade.

  

Neire Campos
Uma das normas mais valorizadas onde cristãos acreditam que foram inspiradas por Deus, estão contidas na Bíblia, 1.600 d.C. onde várias pessoas fazem registros da moral e da cultura da época de várias religiões dos filhos de Abraão, além do cristianismo, judaísmo e islamismo.

 

Na modernidade, nós temos a Constituição, que define os princípios políticos fundamentais e estabelece a estrutura, procedimentos, deveres e o poder de um governo e que garantem certos direitos à população. No Brasil, a Constituição de 1988 trouxe muitas normas de alto valor democrático e um importante avanço de democracia, como vemos no item I do artigo 5º – “homem e mulher são iguais em direitos e obrigações, nos termos da Constituição, e no item XLI do mesmo artigo -” a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais “.

 

É impressionante que haja necessidade de leis e normas para ser dado tratamento decente às mulheres, até pouco tempo os costumes a deixavam em plano secundário. A revolução dos costumes mudou o status da mulher, o tratamento dado a ela é outro depois de muitas conquistas políticas e econômicas, sair dos afazeres domésticos e sair para o mercado de trabalho contribuiu bastante com a democracia, sem contar com a medicina por meio dos métodos contraceptivos.

 

Lígia Alves
O mundo que se apresenta aos nossos olhos é aquele onde vivemos de acordo com a cultura vivenciada. Sabemos que existiram e existem inúmeras culturas onde evidencia os papéis destinados aos gêneros. São muitas as regras culturais do universo social. Magdalena Nigro, Psicanalista e Professora da FESPSP diz que “O corpo do homem e o corpo da mulher são diferentes. Mas a identidade de gênero, masculina ou feminina, é algo que no entendimento da psicanálise vai sendo construída ao longo do tempo, como consequência das vivências do sujeito na vida familiar e social”.

 

Muito dos nossos direitos já foram conquistados integralmente, enquanto outros parcialmente e outros ainda estão para ser conquistados perante o Estado e a sociedade.

Hoje a mulher vive mais integrada na era tecnológica e globalizante, existem respeito e consideração em muitas formas de viver, mas existem ainda partes desse passado sofredor que anula e a faz sentir infeliz  pelo tratamento adotado. A violência e agressões por parte de alguns homens ainda impera em muitos lugares. Aqui no Brasil, a Lei Maria da Penha continua surtindo efeito no combate a violência. Ainda existem casos pavorosos em que agressões do companheiro deixaram mulheres em coma, segas e outras paraplégicas. Aplicar essa Lei é mais um passo da conquista e manutenção dos direitos da mulher.

 

Jaqueline Almeida(blusa azul) e Denise
O sentimento feminino prossegue de acordo com o modo de como são tratadas; felizes se há equidade, respeito, amor e cortesia; infelizes se há grosseria, violência e poder discriminatório.

 

O importante é que a mulher seja autodeterminada sem querer ser a super, a melhor em tudo conduzindo uma competição acirrada com o homem sem esquecer o quando é valorosa a sua feminilidade e suas particularidades e abrir espaço para que o homem também participe do processo de crescimento pessoal, mesmo nas áreas em que ela julgue que ele irá atrapalhar.

 

Nessa mistura de sensações, o progresso triunfará quando existir dentro de nós, independente de leis e regras de conduta, um tratamento igualitário e cortês por todos os seres humanos.

 

Encontrei algumas mulheres sergipanas que expressaram o desejo delas perante a vida.

 

MARIA ELIDETE ALMEIDA

Seu desejo é crescer profissionalmente fazendo o curso de Serviço Social. Ela diz que se houverem no mundo mais harmonia e amor entre os homens a violência será banida.

 

NEIRE CAMPOS

Gostaria de ter paz interior, fazer o bem e estar em harmonia com o universo. Ser sempre um ser humano cada vez melhor.

 

LÍGIA ALVES

Deseja paz, saúde e uma família sempre unida onde haja harmonia, compreensão e amor no lar. Sente grande prazer em estar na companhia do esposo, filhos e netos.

 

JAQUELINE ALMEIDA

Deseja ser respeitada e ter apoio do companheiro e  ser querida por toda família.

 

Adelaide Moura
ADELAIDE MOURA

Saber que é filha de Deus traz grande satisfação e agradecimento a Adelaide. Ela valoriza a união familiar e espera sempre contar com o ombro amigo do esposo.

 

 

 

 

VALTIDES DA CONCEIÇÃO

Valtides da Conceição
Quer saúde, a tranqüilidade que não tem e a paz. Ela vive em oração para ajudar a sanar os problemas familiares. Diz que Deus dá força para ela ter felicidade e ser forte. Deseja que o companheiro seja cada vez mais compreensivo e que tenha seriedade.

 

 

 

 

 

 

 

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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