Hábitos simples que educam

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Eu conversava com uma amiga e o assunto enveredou para o comportamento dos filhos.

 

Ela disse, de forma assustada e com uma ponta de tristeza, que sua filha mais nova declarou recentemente ter dificuldades para praticar certos atos de afabilidade para com as pessoas que realmente ama.

 

A sua dificuldade residia, por exemplo, em verbalizar ou manifestar uma emoção através de um abraço, de uma palavra ou de outra forma espontânea. Enfim, tinha sérias restrições em demonstrar os seus sentimento de amor e carinho para com as pessoas e isso lhe deixava muito mal, pois via os seus colegas praticarem com tanta naturalidade aquelas ações que, para ela, embora tão desejadas, eram também tão difíceis de ser praticadas.

 

Na verdade, uma mãe constatar que um filho seu tem dificuldades com uma coisa tão simples e de tanta importância como a de não saber expressar, num gesto ou numa palavra, o seu sentimento mais sublime, deve representar um grande susto, além de ser motivo bastante para uma profunda reflexão.

 

No caso de minha amiga, tornou-se pior ainda, pois ela chegou a conclusões assustadoras, lembrando das vezes que sua filha chegava em casa com a expressão pesada, demonstrando, inclusive, ter chorado na escola. Ela concluiu que, naquelas oportunidades, sua filha chorava exatamente por não saber verbalizar o que queria e, por isso, vinha sofrendo muito com essa vontade reprimida de dizer o que sentia.

 

Essa mãe deixou transparecer que gostaria muito de poder ajudar a esta sua querida filha e, como primeira providência, estava pensando em enviá-la a um psicólogo.

 

Tal providência certamente é uma das melhores, porque fazer uma terapia com um bom profissional ajuda muito. Mas outras atitudes podem ser tomadas ali mesmo, dentro de casa, pelos próprios pais e familiares.

 

Na verdade, o grande problema ali detectado reside na falta de determidado hábito, do bom hábito.

 

A arte de criar, formar e educar é um processo em que os pais deverão praticar, mostrar e incentivar os bons hábitos.

 

Lembram do axioma que diz “o costume de casa vai à praça?”. Se a criança não vir, por exemplo, manifestações de carinho em casa: entre os pais, entre os irmãos e, sobretudo, não participar deste circulo virtuoso, terá, certamente dificuldades para praticá-los também.

 

Portanto, necessário se faz que as atitudes de abraçar, beijar, dizer que ama etc., façam parte do convívio. Os pais devem evoluir juntamente com os filhos para que, mais tarde, não sobrem certos temores e inibições esteja ela onde estiver: no lar, na escola, numa reunião de amigos, numa festa…

 

É fundamental que os pais encarem esta missão com muito mais amor e, às vezes, renuncias, buscando sempre praticar atitudes que elevem a auto-estima daquele a quem têm a responsabilidade de formar.

 

Temos que estar conscientes de que, se a vida é uma escola, o lar deverá ser a sala de aula e se o lar é uma sala de aula, os pais são obrigatoriamente os professores.

 

O que preocupa é que, infelizmente, os pais não recebem nenhum treinamento para isso e o pior é que normalmente em suas casas, onde foram criados, também não tiveram este ambiente favorável, não estão, portanto, preparados para cumprir a sua principal missão.

 

O interessante é que para quase tudo há um treinamento, um curso preparatório, uma graduação, uma pós-graduação, um mestrado, um doutorado e, até, pós-doutorado. Porém, para criar, formar e educar uma criança, não há, sequer, um treinamento. Não é estranho?

 

É exatamente por isso que, infelizmente, os pais só vão saber o quanto “erraram”, quando a situação já está, às vezes, perdida.

 

No caso específico, creio que o aviso foi dado a esta minha amiga e que agora, mesmo enviando ou não a sua filha ao psicólogo para uma terapia, necessário se faz também uma mudança em casa, no ambiente em que ela vive.

 

Se não havia hábitos de tolerância, de aconchego, de carinho na família, é urgente repensar estes comportamentos e iniciar imediatamente: o abraço deverá fazer parte do costume diário de todos da família; as frases “eu te amo”, “gosto de você”, os elogios sinceros, devem fazer parte do cotidiano da família. As virtudes, as realizações deverão ser honestamente evidenciadas, elogiadas e incentivadas. As críticas, bem, estas devem, a todo custo, ser evitadas.

 

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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