Interessa a quem?

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Tem coisas que acontecem na vida e na política que fazem as pessoas refletirem se foram inventadas por um acaso ou se foram maquiavelicamente boladas pela mente de algum gênio ou de algum idiota se achando o tal. É mais fácil que, na vida fora da política, o livre destino atue com mais liberdade do que dentro dela, já que os atores envolvidos no processo político partidário nada têm de ingênuos e conhecem bem os caminhos para que a manipulação de informações lhes sopre ventos favoráveis. É certo também que às vezes erram na medida e acabam colhendo tempestades. A última, da central de boatarias, foi uma possível aliança entre o governador João Alves Filho (PFL) e o prefeito de Aracaju, Marcelo Déda (PT). Surgiu exatamente a partir do momento em que o governador nomeou o deputado federal Mendonça Prado (PFL) para a Secretaria de Estado da Administração, fazendo com que o seu suplente, Ivan Paixão (PPS), chegasse a uma cadeira na Câmara Federal, assumindo, de imediato, uma postura totalmente contrária a de Prado, que militava na oposição ao Governo Federal, votando contra seus projetos. Paixão já chegou dizendo a que veio. Sem meias palavras, afirmou que não irá fazer oposição ao governo petista e que sua relação institucional com o Planalto será de paz, amor e votos favoráveis a granel, seguindo orientação da ala rachada do seu partido que apóia o ministro da transposição do Velho Chico, Ciro Gomes, e que reza na cartilha do presidente Lula. Essa posição de Paixão foi o estopim para que a esquizofrenia paranóica e delirante coletiva pudesse assimilar a semente de discórdia plantada e reproduzida como se verdade consumada fosse e virasse lenda. Dezenas de teorias foram ventiladas, daquelas do tipo montagens de chapa para 2006, incluindo as duas principais lideranças políticas do Estado, que, atualmente, polarizam o campo da disputa: o governador e o prefeito da capital. E como a faísca não precisa de mais nada, além de ar e palha, juntaram-se os elementos e colocaram fogo no circo, dando asas a imaginações doentias, segundo palavras do próprio governador em relação a este assunto. O que precisa se usar um pouco, nesta hora, é algo simples que ajuda em todas as áreas da vida: o bom senso. As perguntas que devem ser feitas neste momento não precisam ser formuladas por nenhum gênio das ciências políticas, pois são bem simples: a quem interessa a propagação destas informações? Quem sai ganhando com isso? A confusão gerada na população diante destes fatos beneficia a quem? A partir daí começam a surgir as respostas. Mas a falta de lógica de um assunto como esse, poderia, já por si só, dispersá-lo. Já que não teve esta força, a própria sociedade poderia fazê-lo através de um pouco de reflexão. É plausível que alguém argumente que em política tudo pode acontecer e que não é prudente duvidar da capacidade dos homens e mulheres que a habitam, em fazer acordos e conchavos. É verdade. A história mostra que a esta capacidade é quase ilimitada, mas com um porém: estamos falando de quase. Nem João Alves Filho e nem Marcelo Déda têm interesse em aliar forças tão antagônicas, por um motivo bem simples: eles polarizam, atualmente, e provavelmente também em 2006, a liderança dos dois principais grupos políticos do Estado. Abrir esta discussão pode até dar uma abertura para que surja uma terceira via. Bom, aí já está uma boa dica de quem interessar possa o lançamento deste boato. Mas existem outras. O que se pode reparar na verdade, são movimentos liderados pelo governador João Alves Filho que demonstram um certo tratamento amistoso em relação a alguns aspectos direcionados ao Palácio do Planalto, inclusive em questões que envolvem votações. Esta foi uma maneira diplomática que ele encontrou para poder beneficiar o Estado de Sergipe, ganhando um pouco da simpatia da máquina federal, na tentativa de angariar resultados práticos e concretos para a melhoria da qualidade de vida da população.Traduzindo: trocando seu apoio em algumas questões, por recursos e ações para o Estado. Afinal, não é fácil governar um Estado pobre como Sergipe sem a ajuda do Governo Federal. E, como politicamente as duas esferas do poder publico, Federal e Estadual, são antagônicas, se não houver um mínimo de entendimento em relação a algumas questões, quem vai sofrer é a população. Não deve haver ilusão, o governo petista de Lula, como qualquer outro, usa de critérios políticos para liberar verbas. Basta conferir a lista de deputados e senadores aliados, que tiveram emendas orçamentárias liberadas e os de oposição. Trata-se de um abismo. Daí a se imaginar um entendimento político de bastidores entre João Alves e Marcelo Déda a história é bem outra coisa. Uma insanidade, talvez… INAUGURAÇÃO A candidata do PPS à Prefeitura de Aracaju, Susana Azevedo, não inaugura mais o seu Comitê Central amanhã. Ficou para a outra sexta-feira. O problema é que o presidente do PPS, deputado Roberto Freire, só pode vir a Aracaju na próxima semana, prestigiar a inauguração. SILÊNCIO Susana Azevedo não quis falar sobre essa boataria sobre apoio a Marcelo Déda, porque esse é um problema que não se pode ver fundamento. Ontem à noite ela teve um encontro demorado com o governador João Alves Filho e conversou sobre a campanha municipal. JORGE O candidato do PMDB, Jorge Alberto, considera que sua campanha está em ascensão, dentro do previsto pela coligação. Seu material de campanha já está pronto. Ontem à noite ele teve reunião com os candidatos proporcionais para preparar a carreata que realiza dia 31. Visitou o Hospital João Alves Filho, a Fies e o Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil. LOUCURA O prefeito Marcelo Déda (PT) considera uma loucura falar sobre acordo com João Alves Filho (PFL). “Seria como o Flamengo jogar com a camisa do Vasco”, disse. Déda acrescentou que são teses deflagradas para favorecer alguém e com o objetivo de tumultuar o processo sucessório em Aracaju. ANÁLISE O prefeito Marcelo Déda fez uma análise simples, mostrando que hoje o PT e o PFL lideram os blocos de Governo e da oposição. Um entendimento dessas duas forças deveria interessar a uma terceira via: “Não sei a quem interessaria uma terceira via nesse momento”. ELEIÇÃO Marcelo Déda disse que pode até perder as eleições municipais, “mas vocação para o suicídio eu não tenho”. E continuou: “um apoio desse tipo, com um adversário de tanto tempo, seria burrice, não tem o menor cabimento”, disse. SOBRE JOÃO “Olhando agora para o outro lado, que vantagem teria o governador João Alves Filho em se aliar comigo?”, pergunta Marcelo Déda. Quanto ao governador trabalhar em Brasília e votar ou não em projetos do Governo para angariar recursos, é uma política que ele faz por motivações administrativas. IMPUGNAÇÃO O juiz Sérgio Lucas, de Canindé do São Francisco, impugnou a candidatura da prefeita Rosa Feitosa (PMDB) à reeleição, por parentesco com o ex-prefeito Genivaldo Galindo. Também foi impugnado o candidato Jorge Carvalho em razão das sentenças jurídicas que o tornam ilegível. Os dois podem recorrer a instâncias superiores. PAULO O juiz Sérgio Lucas ainda não havia dado parecer sobre o candidato Paulo de Deus (PHS), mas já estava trabalhando nele e o resultado deve ter saído à noite. Paulo de Deus teve pedido de impugnação porque utilizou carros da Prefeitura de Paulo Afonso durante a convenção que homologou o seu nome. DENUNCIA O deputado Augusto Bezerra (PMDB), sem relatar nomes, disse que a Petrobras tem um “Departamento de Shows”, na empresa. A acusação é que a Petrobras fechou uma série de shows com cantores famosos, mas só utilizou a metade. A outra parte animaria comícios petistas. PROJETO O projeto de reforma administrativa do Estado só deve chegar à Assembléia Legislativa na próxima segunda feira. Como se trata de mudanças profundas, que vai atingir toda a máquina, naturalmente o governador João Alves Filho precisa dar os retoques finais. MOSQUEIRO O governador João Alves Filho passou a maior parte do dia, hoje, reunido com técnicos da Fundação João Cabral, analisando a reforma administrativa. O governador discutiu alguns pontos e fez algumas alterações que não foram divulgadas. A reunião foi na casa de um amigo no Mosqueiro. PREOCUPAÇÃO Os funcionários das empresas públicas estão preocupados porque ainda não têm conhecimento de como ficará a situação empregatícia deles. Há uma grande aflição entre os funcionários, principalmente das empresas em que se divulgou a sua extinção, como a Emsetur. Notas UNIÃO O governador João Alves Filho disse, ontem, que não vê vantagem nenhuma em se aliar politicamente com o prefeito Marcelo Déda, porque não deseja ser secretário de Estado caso Déda assumisse o Governo de Sergipe: “além disso, o que eu seria daqui a dois anos?”, pergunta João Alves. João foi bem claro: “pode ter certeza que vou lutar para derrubar Déda”. Com essas palavras, o governador procura por um fim a todas as especulações, de uma suposta união existente entre ele e o prefeito. DUTRA O governador João Alves Filho acusou o presidente da Petrobrás, José Eduardo Dutra, de estar boicotando Sergipe: “se dependesse de mim, Zé Eduardo não assumiria o Governo do Estado nunca. Eu escrevi uma carta para ele dizendo isso”. João não disse o teor da carta, mas foi reclamando sobre atenção a Sergipe. O governador acha que o presidente da Petrobras também não aceita que ele seja o atual governador e ataca a toda população sergipana. João revelou que Dutra prejudicou Sergipe na questão da instalação da refinaria. CARTA O presidente da Petrobras, José Eduardo Dutra (PT), divulgou uma carta longa e dura, para responder as acusações do governador João Alves Filho. Disse que jamais interferiu junto à empresa espanhola para não fazer uma parceria com o Governo do Estado, para se habilitar a ter uma refinaria em Sergipe. Em sua carta, José Eduardo Dutra faz um balanço do que já realizou no Estado e de tudo que a Petrobras encaminhou para Sergipe, independentemente de tendência política. O gesto de ambos demonstra que é difícil haver entendimento. É fogo O candidato do PPR, José Renato Sampaio, realiza, amanhã, uma caminhada no centro de Aracaju e segue até a avenida Ivo do Prado, onde inaugura o seu Comitê. O prefeito Marcelo Déda faz festa de inauguração do comitê hoje, com a presença do líder do Governo, deputado Arlindo Chináglia. O show é de Jair Rodrigues. Marcelo Déda declarou que a conversa do acordo com João Alves Filho é típica de pescador de águas turvas. A candidata do PPS, Susana Azevedo, peregrina pelos bairros e percorre as feiras de Aracaju. Só inaugura seu comitê no dia 30. Não foi confirmada a exoneração do presidente do Ipes, José Lima. Ele estava na recepção ao governador no aeroporto de Aracaju. A pastora Claudia Andrade, vice na chapa de Susana Azevedo, tem trabalhado muito junto aos evangélicos. Com as impugnações do juiz Sérgio Lucas, de Canindé do São Francisco, a eleição naquela cidade pega fogo. O ex-prefeito Genivaldo Galindo continua comandando a política do seu grupo, em Canindé, da Penitenciária de São Cristóvão. Só a partir de segundo feira é que os deputados vão trabalhar para merecer o salário que vão receber pela convocação extraordinária. Depois de algumas declarações, o senador José Almeida Lima (PDT) deu uma pausa e não fala com repórteres. O prefeito Marcelo Déda será o entrevistado de amanhã na radio conferencia promovida pela Rede Ilha. Já foram entrevistados Jorge Alberto e Susana Azevedo. A menor pressão sobre o preço dos alimentos no atacado conteve o avanço da inflação medida pelo IGP-M na segunda prévia de julho. Por Diógenes Brayner brayner@infonet.com.br

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