Liga Sergipense contra o analfabetismo

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Salve, Liga Sergipense contra o Analfabetismo, deusa redentora da Pátria!

Completa 100 anos de fundação no dia 24 de setembro de 2016

O dia 24 de setembro de 1916 tornou-se memorável para a história da educação nacional, devido à fundação da Liga Sergipense contra o Analfabetismo! Investida de uma divindade atribuída por seus criadores, essa sociedade surgiu para cumprir uma missão: ensinar a população sergipana a ler, escrever e amar o Brasil. À deusa redentora da Pátria coube enfrentar a tormenta dos 83% que cabiam a Sergipe no total nacional de 80% de analfabetismo, considerando-se uma população de 30 milhões de habitantes, segundo dados da época. Passados cem anos da fundação, a Liga Sergipense contra o Analfabetismo merece nossa homenagem. Salve, deusa redentora! Por nos fazer refletir acerca do presente e futuro humanos. Na atualidade, diante dos 8,5% de analfabetos que ainda nos aflige, o centenário dessa sociedade nos faz questionar: o patriotismo já caducou ou ainda cabe um pouco de solidariedade para solução de problemas coletivos como os educacionais?

Patriótica, a Liga Sergipense contra o Analfabetismo secundou a ação estatal, cultivando as letras, o civismo e o trabalho, com ações sociais e culturais, principalmente com a criação de escolas de alfabetização. Que tarde gloriosa aquela em que se reuniram os sócios do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe para fundá-la! Dentre os fundadores estiveram: Alcebíades Correa Paes, Adolpho Ávila Lima, Ítala Silva de Oliveira, Florentino Menezes, José da Silva Ribeiro, Evangelino de Faro, Edgar Coelho, Possidônio P. da Rocha, Manuel Cândido dos Santos Pereira. Na presença do Presidente do Estado, Manuel Prisciliano de Oliveira Valadão, eles deram impulso a campanha pró-escolarização estadual, integrando a Liga Brasileira contra o Analfabetismo que desde o dia 21 de abril de 1915 adentrava o interior do país.

Um ano depois da oficialização, o Maçom Amintas José Jorge assumiu a liderança estadual da campanha contra o analfabetismo. De 1917 até 1939, ele coordenou a criação de trinta e oito escolas de alfabetização em Sergipe, mantidas por doações e subvenções públicas obtidas com o esforço pessoal dos sócios. Àquele tempo, a Loja Maçônica Cotinguiba solidarizou-se com os ideais patrióticos deflagrados, tornando-se sócia benemérita. Quando Lívio Pereira da Silva tornou-se presidente em 1939, os maçons estavam prontos para adotar definitivamente a Liga Sergipense contra o Analfabetismo. Isso aconteceu em 1941, quando teve início o processo de implantação das escolas profissionalizantes. Ainda em 1984 havia uma escola de alfabetização em Aracaju. Em 2004 a última escola existente na capital oferecia os cursos de datilografia e corte e costura. À parte as mudanças porque passou, o ideal da Liga Sergipense contra o Analfabetismo jamais pereceu! Eternizou-se na sua história! Em busca da pátria letrada, homens e mulheres tornaram-se solidários a educação do Brasil, movidos por valores antiquados à vista do presente, porém muito adequados à situação de egoísmo e comodismo que ultrapassa gerações.
Salve, Liga Sergipense contra o Analfabetismo, deusa redentora da Pátria!

Clotildes Farias de Sousa
Aluna do Doutorado em Educação – Universidade Federal de Sergipe
Orientanda do Prof. Dr. Dilton Maynard
E-mail: clotildesfs@gmail.com

Para saber mais, leia:

SOUSA, Clotildes Farias. Liga Sergipense contra o Analfabetismo. Aracaju: SEGRASE, 2016 (no prelo).

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