O MOMENTO POLÍTICO

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O momento político no país não é dos melhores. Não é aquele que dignifica a democracia. No executivo, não vemos a unidade na base parlamentar. No próprio partido do presidente, as divergências são enormes e teve início quando no governo, para gerir o país, o presidente Lula teve que adotar medidas que, quando oposição, jamais admitiu.


Em função deste posicionamento, deputados e senadores deixaram o partido. Na última eleição para presidente da Câmara de Deputados, contra a vontade da direção do partido, um deputado do PT lançou sua candidatura à presidência da Câmara, concorrendo com o candidato oficial do partido e o resultado foi a vitória de um deputado, que para a mídia e para a sociedade foi uma grande surpresa.


Ainda com referência ao executivo, alguns casos de corrupção vêm abalando o governo. Com ênfase no caso de Waldemiro Diniz, assessor do Ministro José Dirceu, mais recentemente, com as acusações contra o ministro da Previdência Social e agora contra o presidente do PTB, deputado Roberto Jefferson.


No legislativo, a surpresa da eleição do deputado Severino Cavalcanti, que como primeiro ato, tentou aumentar o salário dos deputados e senadores, que somente deixou de ser efetivado pela reação da sociedade.
O que também vem pesando contra o presidente da Câmara, é sua luta pelo nepotismo. Para ele, colocar parentes seus no serviço público remunerado é ato correto e pelo qual nada tem que se arrepender.


Um ponto de conflito entre o legislativo e o executivo são as Medidas Provisórias, que para o legislativo é um ato de autoritarismo do executivo e que pela quantidade emitida impede a votação de outros projetos. Para o executivo, a sua emissão é função da urgência para aplicação do que se propõe, pois se o que se propõe fosse através de Projeto de Lei, quase impossível seria a sua aprovação imediata.

Para citar um exemplo, a Lei de Falências, sancionada em 09/02/05 pelo Presidente, tramitou no Congresso durante 11 anos.
Ainda quanto ao Congresso, lá estão 513 deputados e 81 senadores, que muito pouco, ou quase nada, nos representam em nossos anseios.


A nossa democracia leva ao enriquecimento, deputados e senadores. Segundo a Revista Veja, só na Câmara dos Deputados “trabalham” 17.000 pessoas. Apenas 14 empresas instaladas no Brasil, entre públicas e privadas, nacionais e multinacionais, superam este número.


O orçamento da Câmara é de dois bilhões trezentos milhões de reais para produzir em média duzentas leis por ano, o que significa que cada lei aprovada custa 11 milhões e quinhentos mil reais. O pior ainda é que destas duzentas apenas seis são de autoria dos deputados.


Além disso, ainda são os deputados ressarcidos por despesas como: Verba para contratação de funcionários; verba para manutenção do escritório, telefone, correio; auxílio moradia para quem não tem apartamento funcional gratuito. Estas despesas custam R$ 70 mil por mês e ainda têm a aposentadoria após oito anos de mandato.


Apesar de todas estas vantagens, não vemos no Congresso, deputados e senadores se preocuparem com a qualidade de vida dos brasileiros.


Esta atitude dos congressistas já é sentida pela sociedade, pois em qualquer pesquisa que se faça, os congressistas são considerados os menos confiáveis.


Na América do Sul, pesquisa feita recentemente mostra que na maioria dos países, a maioria da população, por não sentir melhoria na sua qualidade de vida com a democracia, prefere a ditadura como forma de governo.

EdmirPelli é aposentado da Eletrosul e articulista desde 2000
edmir@infonet.com.br

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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