Os desastres naturais e a tragédia nordestina

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O blog publica hoje artigo de Ailton Francisco da  Rocha analisando os desastres naturais de 2010 e os problemas de recursos hídricos. Leia o artigo completo:

Dentre os principais problemas de recursos hídricos, cinco se destacam: enchentes, secas, desmatamento, ocupação desordenada do solo e poluição dos cursos de água.

A fim de analisar o contexto dos desastres naturais no primeiro semestre de 2010, em 23 de junho deste ano, foi levantada junto à Secretaria Nacional de Defesa Civil a quantidade de portarias emitidas neste período.

A análise das portarias declaratórios de Situação de Emergência e Estado de Calamidade Pública emitidas de 1º de janeiro a 16 de junho de 2010 constata um recorde em desastres naturais nos últimos tempos. Ao todo, foram reconhecidos pela defesa civil nacional, neste período de seis meses, 1.635 desastres naturais em municípios brasileiros, uma quantidade maior que todos o ano de 2009, que chegou a 1389. Trata-se de um número gritante para apenas um semestre.

No período de janeiro a junho de 2010 constata-se que a maioria das portarias emitidas foram referentes a eventos relacionados às chuvas, que totalizaram 1.028 (enxurradas, inundações, enchentes, alagamentos, ciclones, vendaval, granizo, deslizamentos). Em segundo lugar vêm os eventos relacionados à seca, totalizando 588 (estiagem, seca e geada).

No último ano, o Brasil tem sido vítima de desastres naturais que, em número de mortes, não podem ser comparados aos efeitos de furacões e terremotos. Mas têm deixado um rastro de destruição. A diferença é que, por aqui, o algoz é cíclico e tem época mais ou menos pré-definida para chegar: a chuva.

Durante os primeiros meses do ano, as chuvas provocaram estragos e destruição nos Estados da Bahia e Sergipe.No dia 18 de junho, as chuvas que caíram sobre a Zona da Mata de Pernambuco e Alagoas romperam barragens nos rios da região. Em Pernambuco, 59 cidades foram destruídas. Em Alagoas, 28 municípios foram arrasados por inundações – entre os mais atingidos estão União dos Palmares, Branquinha, Murici, São José da Laje e Santana do Mundaú.  Nos dois estados, 51 pessoas morreram e 154.830 foram atingidas.

A primeira hipótese que surge é a de que a violência da enxurrada foi motivada pelo rompimento de barragens, situadas ao longo de rios que cortam Pernambuco e Alagoas. Estas ocorrências evidenciam para a necessidade urgente de implantação de Salas de Situação nos Estados que deverão planejar e promover ações destinadas a prevenir ou minimizar os efeitos de secas e inundações, no âmbito dos Sistemas Estaduais de Gerenciamento de Recursos Hídricos, em articulação com a ANA, o órgão central do Sistema Nacional e Estadual de Defesa Civil, em apoio aos Municípios.

 

A principal atribuição da Sala de Situação é acompanhar as tendências hidrológicas, com a análise da evolução das chuvas, dos níveis e das vazões dos rios e reservatórios, da previsão do tempo e do clima, bem como a realização de simulações matemáticas que auxiliam na prevenção de eventos extremos. Esse acompanhamento visa a subsidiar, em especial, decisões na operação de curto prazo de reservatórios, com vistas à minimização dos efeitos de secas e inundações.

Outra ação relevante é a instalação de Painel de Segurança de Barragens. As barragens são geralmente obras associadas a um potencial de risco devido à possibilidade de ruptura, com conseqüências catastróficas para as próprias estruturas, para o meio ambiente, com destruição de flora e fauna, e principalmente pelas perdas de vidas humanas e econômicas.

 Ailton Francisco da Rocha – Superintendente de Recursos Hídricos da SEMARH, Diretor Regional da Associação Brasileira de Recursos Hídricos em Sergipe e Presidente do Fórum Pensar Cedro.

Nota de Esclarecimento – Zona de Expansão de Aracaju I

A Secretaria Municipal de Planejamento da Prefeitura de Aracaju vem a público prestar esclarecimentos sobre as afirmações feitas pelo Ministério Público, através de sua Nota de esclarecimento de 01/07/2010: 1 – O Ministério Público Federal, através do Of. 269 de 27/05/2010 questionou esta Secretaria sobre: “Quais são as obras de execução programadas para a Zona de Expansão de Aracaju, que utilizarão o valor de R$ 15.680.598,00, já aprovado no Orçamento da União em razão de apresentação de Emenda apresentada pela Bancada do Estado de Sergipe”;

 

Nota de Esclarecimento – Zona de Expansão de Aracaju II

2 – A Secretaria Municipal de Planejamento respondeu que “prioritariamente, a Emenda atenderá, em parte, às construções dos Canais Beira Mar e Costa do Sol”; 3 – A Nota de Esclarecimento apresentada pelo Ministério Público Federal em 01/07/2010 não guarda coerência com o questionamento e resposta apresentada; 4 – A partir de então, o Município só se pronunciará sobre a Zona de Expansão nos autos do Processo, que corre na Justiça Federal.Atenciosamente,Dulcival Santana de Jesus- Secretário Municipal de Planejamento – PMA.

 

Ameaças ao suco de laranja sergipano

Em Maio de 2010, foi anunciada a fusão de duas das maiores empresas exportadoras de suco do planeta.  Com isso surgirá uma nova empresa líder mundial do suco de laranja. Essa decisão, que implicará um faturamento de R$ 2 bilhões e a conquista de 25% dos consumidores mundiais de sucos, pode ameaçar a indústria sergipana que tem no suco concentrado de laranja o seu principal produto da pauta de exportações.

 

Exportação

Até maio, o Brasil exportou cerca de US$ 600 milhões em todos os tipos de suco de laranja. No mesmo período, as exportações sergipanas somaram cerca de US$ 23,5 milhões, sendo o suco de laranja responsável por cerca de US$ 8,5 milhões desse valor, ou seja 36% de toda exportação do Estado, cerca de 1,4% de todo suco exportado pelo país.A produção estadual do produto voltada para exportação cresceu cerca de 10%, comparada ao ano passado, enquanto a produção nacional sofreu uma retração na exportação em todos os tipos de suco de laranja. Esse fato é conseqüência da diminuição do número consumidores de sucos ao redor do mundo, muitos migrando para o consumo de energéticos. Diante disso, o consumo médio mundial de suco concentrado diminuiu.

 

Sem reflexos

Por enquanto essa retração mundial não refletiu no mercado de cítricos sergipano, e não se sabe até quanto, em números, à fusão dessas duas empresas irá afetar exatamente a balança comercial sergipana. No entanto, empresas sergipanas já estão reagindo à diminuição de competitividade e às prováveis perdas de mercados no mundo. Uma das estratégias já implementadas é a diversificação dos sucos, hoje distribuídos entre outras frutas tropicais como maracujá, manga e acerola.  Por outro lado, produtores sergipanos já identificam investida de produtores do sul do pais sobre a compra da safra, oferecendo preços similares acrescidos do adicional de frete, em torno, a maior, de R$130, o que inviabiliza a compra por parte da industria sergipana.

 

Medidas importantes

Os empresários acreditam que algumas medidas, num primeiro momento, seriam importantes para o fortalecimento da indústria de sucos, como  por exemplo a melhoria das estrada que ligam as rodovias aos produtores, hoje em situação de calamidade e pioradas por força das chuvas. Também a reativação de um terminal de container no porto seria de grande utilidade já que o transporte dessas unidades para Salvador ou Suape, em Pernambuco, cairiam a menos da metade do preço mínimo hoje praticado, em torno de R$1.800. O porto de Sergipe tem uma das áreas costeiras mais privilegiadas e subutilizadas e que poderia ser demandada, inclusive, por exportadores da Bahia e por outros produtos de Sergipe que saem via estados vizinhos.

 

Demanda

Segundo o Centro Internacional de Negócios da Federação das Indústrias do Estado de Sergipe que desenvolve atividades de fomento às  exportações no Estado, há mercado para os sucos sergipanos, inclusive a recente visita do gestor do porto de Houston, Jonh Cottino, evidenciou essa demanda por parte de importadores americanos. (FIES).

 

Feijoada em prol dos animais

A Associação Defensora dos Animais São Francisco de Assis (Adasfa), aqui de Aracaju, promove, domingo, dia 4, uma feijoada beneficente em prol dos animais que são cuidados pela entidade. O ingresso individual custa apenas R$ 15 e o almoço acontece no complexo desportivo do Sesi, na avenida Tancredo Neves, próximo ao terminal DIA, a partir do meio-dia. O evento conta com o apoio do Instituto GBarbosa (IGB). Mais informações com Maria Antônia: 8817-8175, 3231-6428 ou adasfa-se@hotmail.com.

 

 

ARTIGOS

Dunga: trauma e lição- Fernando de Barros e Silva (FSP – 03/07)

Em 1982, vivemos um trauma; em 2006, recebemos uma lição. O jogador Dunga é uma consequência histórica do trauma da seleção de 82. E o técnico Dunga parece ter sido o produto da lição de 2006. Não deu certo. O dunguismo está morto. E o futebol agradece.

Voltemos no tempo, porque as comparações esclarecem: a derrota da seleção de Telê, Sócrates, Zico e Falcão, que fascinou o mundo, pertence à ordem da fatalidade -e por isso foi traumática. O destino daquele time marca o fim de uma era do futebol brasileiro. A derrota em 82 acelerou a escalada mundial do futebol-força, feio e pragmático, que, para nós, desembocou na seleção de Parreira, tão bem simbolizada na figura do capitão zangado.

Lembre-se, porém, que em 94 a pátria foi salva por Romário, o gênio arredio, convocado sob pressão na última hora. Naquele time “chatocrático”, a ovelha negra fez arte e ganhou a Copa praticamente só.

Em 2006, é o caso de falar menos em fatalidade do que em desleixo. A cena de Roberto Carlos ajeitando a meia enquanto o atacante francês selava nosso destino passou à história como síntese autoexplicativa de um fiasco anunciado. O time galáctico e deslumbrado de 2006 se dissolveu na própria fama -virou éter; o de agora desmoronou na própria fragilidade -virou pó.

Dunga, o treinador, quis se mirar no espelho do capitão vitorioso de 1994. Acabou criando um time à sua semelhança -esforçado, aguerrido, humilde, sem “estrelismos”, mas sobretudo um time medíocre e um tanto destemperado.

O discurso patriótico serviu para justificar o espírito punitivo do técnico e os hábitos restritivos e escolares de uma seleção cujos atletas lembram, talvez, mais escoteiros, infantilizados, do que os “guerreiros” da propaganda na TV.

É simbólico que Felipe Melo, o dunguinha versão 2010, termine a Copa no papel de carrasco, como Roberto Carlos quatro anos atrás.

Dunga exagerou na dose. O remédio se transformou em veneno.

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Frase

 “Lotado! O Brasil inteiro está aqui dentro!”. Frase do Ônibus do Brasil na Copa do Mundo de 2010. Esqueceram apenas que aquela Seleção não representava o verdadeiro futebol brasileiro, criativo e técnico. Era apenas o time de Dunga, contra tudo e contra todos. Que a CBF deixe de fazer da seleção brasileira, laboratório para jogador que nunca foi técnico de futebol.

 

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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