Padrão para criar softwares a nivel federal

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Demoiselle foi o nome dado por Santos Dumont para um modelo leve e pequeno de avião que ele construiu e dirigiu em 1907, um ano após o lendário voo do 14 Bis. Após algumas alterações do projeto, em 1909, ele disponibilizou toda a sua documentação para quem desejasse copiar e aprimorar o Demoiselle. Cem anos depois, o Serpro resolve prestar uma homenagem a Santos Dumont, batizando seu framework de desenvolvimento com o nome do (quem sabe?) primeiro projeto colaborativo.
 
Deixando a história de lado, o assunto é bem sério. Após alguns anos de gestão, uma antiga ideia se concretiza para o presidente do Serpro, Marcos Mazzoni: conseguir estabelecer um padrão de desenvolvimento de software a nivel federal. Gostando ou não da decisão, é um feito e tanto. O Demoiselle é para a plataforma JEE e tem como objetivo facilitar o desenvolvimento de aplicações, garantindo uma boa integração com outras aplicações, além de fácil manutenção, entre outras coisas.
 
Muita gente torce o nariz e diz que ninguém precisa de mais um framework. Realmente, não deixam de ter razão. A plataforma Java é um infindável criadouro de frameworks, todos os meses temos novos produtos e fica impossível separar o joio do trigo. Porém, a ideia do Serpro é acertada. O Serpro não consegue ser o fornecedor único de software para o governo. A demanda de aplicações é muito grande e o Serpro não tem fôlego para desenvolver todos os projetos. Dessa forma, o governo precisa licitar e contratar empresas para desenvolver seus projetos. Até aí tudo normal. O problema é que cada fornecedor desenvolve com o que achar mais conveniente e depois, ou o governo fecha um contrato de manutenção com a empresa ou assume a aplicação e toda a sua complexidade. Imagine a salada de frutas que o Serpro precisa tomar conta. Tenho até pena quando penso nisso.
 
A solução para este problema é padronizar a utilização de um framework para o uso do governo e OBRIGAR a que os produtos sejam desenvolvidos com ele. É bastante justo. Quem não gostou nada da história foi a Microsoft. A plataforma .NET vai começar a perder espaço dentro do governo federal. Além disso, os produtos Jxxx (JCompany, JDeveloper, etc.) também saem perdendo pois a fatia de mercado do governo é sempre bem alta.
 
Só uma coisa que não ficou bem esclarecida. Segundo o Serpro, a adoção desse framework fará com que as pequenas empresas tenham mais oportunidade de fornecimento de soluções para o governo. Não vejo como. O fato da softhouse economizar em licenças não quer dizer que consiga ganhar as licitações. Além disso, empresas pequenas geralmente vivem sem muito capital de giro e num caso como este, vai precisar treinar o seu pessoal para usar o Demoiselle.
 
Bem, de qualquer forma não deixa de ser uma boa oportunidade de negócios. Os cursos de informática do Estado poderiam colocar esse conteúdo em alguma das suas disciplinas, já que normalmente é visto um framework de desenvolvimento Java e isso não implicaria em mudança de grade. E vou além, se uma das prioridades do governo Déda é alavancar as empresas de TI locais, o SergipeTec bem que poderia ser um dos defensores e apoiadores do Demoiselle.
 
Prometo postar as minhas primeiras impressões sobre o Demoiselle no próximo mês. 
 
 
Cadeia nos criadores do site Pirate Bay
Os quatro rapazes responsáveis pelo site Pirate Bay (Peter Sunde, Gottfrid Svartholm Warg, Fredrik Neij e Carl Lundstrom) foram condenados a um ano de prisão, por violação de leis de direitos autorais. Na verdade eles estão servindo como bode espiatório, já que na prática o Pirate Bay não tem em si nenhum “obra” que possa ser enquadrada nas leis de direito autoral. O que tem lá são arquivos torrent para download.
De qualquer forma o tribunal de Estocolmo os condenou para que sirvam como exemplo.
Como já coloquei em outro post, é melhor a indústria de música e filmes conseguir outro meio de distribuição ou ficará brigando eternamente contra o resto do mundo. Se o site Pirate Bay for fechado aparecerão outros com o mesmo tamanho, ou até maiores. É só lembrar do que aconteceu com o Napster.
Bem, a decisão ainda não é definitiva e a defesa deverá recorrer. Vamos esperar e ver no que vai dar. A figura ai ao lado (e a frase também) podem ser vistos no site do Pirate Bay. Pelo menos, o bom humor eles não perderam.
 
 
 
Brasil no mercado mundial de offshore 
Segundo a consultoria A.T. Kearney, mas a pedido da Brasscom (Associação Brasileira de Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação), o Brasil subiu cinco posições no ranking mundial de serviços de outsourcing offshore. Não deixa de ser uma boa noticia, mas para chegar no mesmo patamar da India ainda temos uma longo estrada para percorrer. A lingua inglesa ainda é nosso principal problema. Lembrando que é possivel formar um técnico em alguns meses, mas para deixa-lo fluente no inglês precisamos de três a quatro anos, ou seja, o Brasil só estaria apto a competir em pé de igualdade em 2011. 

 
Fórmula 1
Embora sempre coloque a parte esportiva no “em tempo”, dessa vez resolvi colocar um parágrafo só para falar da F1. Após três GPs todos estão falando mal de Barichello. O carro deu problema em todas as etapas até agora. Vamos esperar as próximas corridas, até porque, o ano passado ele foi sempre melhor que Button e eu não acredito que ele tenha desaprendido. Acho que ainda teremos algumas alegrias com ele. A Ferrari já era…
 

Oracle compra a Sun Microsystems (por Hugo Doria)
Ontem tivemos uma notícia bombástica: a Oracle, desenvolvedora do famoso banco de dados, comprou a Sun Microsystems, dona do Java, MySQL, OpenOffice, VirtualBox e outras coisas mais. O valor oferecido pela Oracle foi de cerca de US$7,4 bilhões, um pouco mais do que a IBM tinha oferecido pela empresa há algumas semanas.

Para a Oracle a compra foi ótima, claro. Agora a empresa detêm duas tecnologias que já usava bastante: Java e o Solaris (o sistema operacional). Somado a isso, terá toda uma linha de hardware (um dos pontos fortes da Sun) e poderá fornecer soluções totalmente integradas e prontas para o uso.

Para a Sun, que estava querendo ser comprada, a negociação também foi boa, mas eu achei uma coisa curiosa. É estranho uma empresa do seu porte e quantidade de projetos ir mal das pernas. Para você ter idéia de como as coisas não andavam bem: a Sun vendeu mais de US$13,3 bilhões de um ano para cá, mas mesmo assim conseguiu um prejuízo de quase US$2 bilhões no mesmo período. Sinal de má administração? Talvez, mas agora já não importa. 

Tem muita gente enrugando a testa com medo do futuro do MySQL e achando que o mesmo irá acabar. Eu sou um pouco mais otimista e acredito que ele continuará vivo e será usado em aplicações mais simples da Oracle. Vale lembrar que o MySQL é rei na WEB e a Oracle também pode se aproveitar disso. Outro sinal que as coisas podem ser boas para o MySQL é que a Oracle já comprou um outro banco opensource antes e ele está bem e continua aberto.

Esta compra ainda vai dar muito o que falar e gerar muitas dúvidas (como a do Mysql). O jeito mesmo é esperar para ver o que acontece.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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