Saindo do lugar comum

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Estou em viagem pelo Mar Egeu.

Já visitei a Turquia, achei notável a civilização otomana, suas mesquitas silenciosas, onde os homens se curvam para orar a seu Deus, orientando-se para Meca.

Eu tinha um grande desejo de visitar o Bósforo, conhecer o Chifre de Ouro. Ver o Mar de Mármara, conhecer os Dardanelos, o Helesponto transposto porAlexandre, o grande macedônio que unificou a Grécia, conquistou o império Persa, o Egito e foi até a Índia, no maior império que o homem reuniu.

Eu tinha muita vontade de conhecer os Dardanelos, ver o cenário da célebre batalha de Gallipole, onde Churchill, como primeiro Lord do Almirantado inglês enterrou milhares de cadáveres de australianos, neozelandeses, indianos entre muitos súditos de sua magestade britânica na 1ª Grande Guerra.

Não consegui Inserir foto da batalha de Gallipoli, com a respectiva legenda.

O tema da batalha de Gallipoli me fascina, sobremodo a resistência turca, comandado por Mustafá Kemal, aquele que pedia a seus soldados que dessem até a última gota de sangue se necessário fosse para manter inexpugnável os Dardanelos.

Não consegui Inserir foto do 2º mural da batalha de Gallipoli com a legenda.

Sobre a catástrofe de Gallipoli escrevi, em 24/04/2015 o texto “Gallipoli; Cem anos de um grande desastre”, que pode ser lido abaixo.

Gallípoli; Cem anos de um grande desastre.

Não pude ir até Gallipoli, precisaria de mais um dia, o que foi insuficiente diante de outras atividades em Istambul, como visitas a Torre dos Gálatas, a igreja de Santa Sofia (Sabedoria), a mesquita Azul e seus seis minaretes, o Hipódromo da época bizantina, a cisterna Yerebatan, o Palácio Topkapı, o Grande Bazar, o Bazar Egípcio e outros roteiros na parte europeia da Turquia;.

Depois atravessamos o Bósforo , há varias pontes e túneis e voamos para Ankara, sede capital, já no continente asiático, visitando o notável mausoléu de Atatürk.

Há uma verdadeira devoção a Mustafa Kemal, o Atatürk,seu retrato espalhado por toda a Turquia, herói de Gallipoli e depois President fundador da República Turca.

Todas as cidades da Turquia exibem com orgulho a bandeira vermelha com a lua crescente é uma estrela 🇹🇷.E também a efígie de Atatürk, em retrato, busto ou estátua de corpo inteiro.

Não consegui Inserir a foto do Mausoléu de Ataturk com legenda.

Nunca vi em país algum tão notável culto a tamanha personalidade histórica; nem Napoleão na França, Nelson na Inglaterra, San Martin e Bolívar em latina América. Um pouco talvez Washington e Abraham Lincoln nos Estados Unidos da América. Que dirá o Brasil que não reverencia ninguém. Nem o Duque de Caxias, o consolidador do nosso imponente território.

Não consegui Inserir foto de Ataturk com legenda.

Na Turquia asiática visitei ainda a Capadócia, Konya, o vale de Göreme, incrível complexo monástico bizantino com suas igrejas escavadas nas rochas, seus afrescos, vestígios de povos trogloditas de Pasabag em Zelve, a fortaleza natural de Uçhisar, Ortahisar. As chaminés de fadas de Ürgüp e as rochas em formas cônicas.

Visitei algumas cidades subterrâneas em que os cristãos da época refugiavam-se da perseguição romana a partir do imperador Domiciano.

Terrivel visitá-las por labirintos, qual tatus nos enfiando pedra à dentro, agachado mais das vezes, quando pensei em entrar e jamais sair. Mas saí para contar a experiência; ofegante ainda agora: eu e minha Tereza, que não tem vocação para visitar catacumbas.

Após a experiência de conhecer tais vivendas na pedra cavada visitamos um ateliê artesanal de tapetes, onde vimos a confecção de tapetes lindíssimos desde o desfio da seda extraída do casulo do bicho da seda.

Não consegui Inserir foto da retirada do fio de seda do casulo do bicho da seda.

O homem é incrível. Descobriu que o casulo do bicho da seda aquecido a cerca de 80 graus centígrados começa a liberar o fio finíssimo que depois é suavemente desnovelado metros à fio, restando por final a crisálida desnuda.

Não consegui Inserir foto que contém novelo de seda já retirado ao lado de sua crisálida.

Fomos também a Capadócia-Konya-Pamukale, visitando o monastério dos Dervixes dansantes.

Passeios à antiga Hierápolis e ao castelo de algodão e as piscinas naturais alvíssimas de águas carregadas de sais calcários de fontes termais; uma experiência magnífica pela beleza, mas que me foi difícil por dolorida, por ter que percorrer o acesso às piscinas com pés descalços, num piso marmóreo, altamente escorregadio embora rugoso, incompatível àminha planta do pé, nunca acostumada a andar descalça.

Mas, como todo sofrimento e cansaço inerentes aos passeios turísticos sempre vale à pena deixar de mirar o próprio umbigo imerso na própria caverna de Platão que todos temos para conhecer o mundo.

Não consegui Inserir foto das ruínas da Biblioteca de Adriano

Na costa ocidental da Anatólia está Éfeso, cidade fundada pelos gregos, antiga Ásia Menor, entre Mileto e Esmirna, visitando os resquícios do Templo, Biblioteca e Teatro de Adriano.

A Biblioteca de Adriano só perdia em importância para a de Alexandria e Pérgamo em variedade de livros.

Também visitamos aquela que é considerada a última morada de Maria, a mãe de Jesus, que aqui viveu trazida por João, o discípulo mais amado. Uma habilitação tosca, terna e acolhedora, tornada santuário pelas Igrejas Católica e Ortodoxa.

No porto de Kuşadası tomamos um navio para embarcarmos num cruzeiro cuja primeira escala foi em Patmos, uma das ilhas Cícladas no Mar Egeu, dificílimo de navegar.

Mas aí não estamos mais na Turquia. Em Patmos visitamos a tosca habitação onde São João Evangelista compôs seu último livro, o das Revelações ou Apocalipse, vindo aí a falecer.

Impressionou-me a Turquia sua organização em aparente caos.

No noticiário fala-se muito estar em grave crise econômica e em ausência de liberdade.

Não senti essa crise. O custo de vida é baixo, aí incluídos alimentação e mercadoria.

Se o presidente Restrep Erdogan é autoritário, pareceu-me eficiente e organizador, pois não vi mendigos, trombadinhas, flanelinhas, pichações, nem cocôs de cachorro nas calçadas.

As ruas são limpas, movimentadíssimas, cheias de gente, sobretudo nos mercados,onde reina o caos, com o comerciante regateando sua mercadoria.

Devo dizer ainda como boa experiência, que gostei muito de discutir preço com o mascate turco, lembrando que a Lira Turca vale 2/3 do nosso Real. E logo o nosso Real que se desmoraliza, enquanto desafio permanente de governos.

Enquanto estou a viajar, o Brasil se dilacera em vésperas eleitorais, com um candidato, o Jair Bolsonaro, hospitalizado, vítima de um atentado à facadas, nunca visto, disputando com o candidato do PT, Fernando Haddad, o indicado por Lula, que não deixaram concorrer, algo que contraria o bom senso, afinal uma lei tola, a da “ficha limpa” é tida como mais importante que os Dez Mandamentos, ditados por Deus a Moisés.

Não discutirei novamente Lula e seus processos.

Todos sabem minha opinião e alguns me confundem como um petista, eu que sou apenas um crítico da paranóica lei da“ficha-limpa”, onde todos se alimpam em tantas diarreias inconstitucionais.

Deixando a disenteria anti-constitucional, por página virada, estão Bolsonaro e Haddad duelando no primeiro turno.

Do Bolsonaro, alguns não lhe vêem méritos, mesmo sem tempo de TV, apoio político e sozinho esfaqueado.

Nunca vi isso! Um esfaqueamento desta natureza, me fazendo lembrar o grande tribuno Júlio César,apunhalado por Bruto, Cássio e Casca e o maior rei francês, Henrique IV, esfaqueado pelo sicário Ravaillac, e Abraham Lincoln que foi baleado.

A facada em Bolsonaro é um fenômeno mascarado por todos os concorrentes, que entendem ter o capitão encostado por vontade própria a barriga na ponta da fava do “inocente” Bispo.

Vejo Bolsonaro parecendo verdadeiro Dom Quixote a combater gigantes, e sendo acusado de demônio Ferrabraz.

Quanto a Haddad, pelo que vi e ouvi nós debates antes da viagem, pareceu-me um cavalo pangaré nomeado por Lula para conduzir a peleja.

Não é um “destrier”, aquele grande cavalo de combate, como deveria ser.

Evidencia-se ser mais um fiasco de Lula, um grande Presidente, vítima de suas escolhas sempre erradas.

Quanto a mim, procuro me afastar do lugar-comum da política brasileira.

Deixei a Turquia. Estou agora na Grécia.

Aqui, como no Brasil, há muita sujeira, pichação de parede, Atenas parecendo o centro de São Paulo, em decadência e até com cocôs de cachorros como Aracaju, motos barulhentas avançando sobre calçadas e calçadões destinados a pedestres. Mas isso será um assunto para outro dia.

Infelizmente, como dito acima, não consegui Inserir as fotografias que ilustrariam a matéria. O sistema novo de edição de matérias da infonet me está ainda muito complicado, sobretudo trabalhando via iPhone.

Fica faltando

Até outro dia.

 

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