Menos de 1% do lixo passa por coleta seletiva em Sergipe

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Questões ligadas ao saneamento básico foram discutidas (Foto: Portal Infonet)

Foi realizado na manhã desta quarta-feira, 24, no auditório do Sebrae, o I Fórum Estadual de Consórcios Intermunicipais de Saneamento de Sergipe. O evento, idealizado pelo Instituto Federal de Sergipe (IFS), reuniu estudantes, representantes de municípios sergipanos, órgãos públicos ambientais e de controle, cooperativas de catadores e organizações não governamentais para discutir o cenário atual dos consórcios públicos de Sergipe com destaque nas ações e dificuldades para a implementação das políticas de resíduos sólidos.

Segundo a professora Kelma Vitorino, coordenadora do evento, uma das principais dificuldades enfrentadas pelos municípios no que diz respeito à obtenção de um saneamento básico de qualidade, passa principalmente pelo interesse dos gestores públicos e uma educação ambiental da população, para que haja uma coleta seletiva dos resíduos. “Para o aterro sanitário, que é a disposição final, só devem ir rejeitos, tem que existir uma coleta seletiva. Tanto os municípios devem implementar quanto a comunidade”, declara.

De acordo com a coordenadora, a coleta seletiva em Sergipe ainda deve ser encarada como um desafio, considerando o baixo número em todo estado. “No estado nós temos menos de 1% de coleta seletiva. Com os consórcios isso tem avançado, mas temos que ter incentivo às recicladoras para que seja destinado os vidros, copos descartáveis, para não precisar enviar esses materiais para outro estado. Antes de implantar a coleta seletiva, temos que verificar o mercado de recicláveis”, explica.

Uma das entidades presentes no evento foi o Movimento Nacional dos Catadores em Sergipe (MNCR-SE). Conforme Adriano dos Santos, que é o representante estadual da organização, a atividade foi uma oportunidade de levantar demandas para a categoria. “É um momento no qual necessariamente precisamos participar, e dentro das discussões, colocar nossas reivindicações, com a necessidade da inclusão social dos catadores”, afirma.

Para ele, a falta de estrutura para que os catadores deixem de trabalhar nos lixões e passem a trabalhar em cooperativas é um dos principais desafios a serem enfrentados nos próximos anos. “Há um processo entre sair do lixão e entrar em um galpão mais estruturado. Leva determinado tempo e investimento para isso, com equipamentos básicos para que seu empreendimento possa funcionar”, relata.

A coleta seletiva, segundo ele, é um fator primordial dentro do processo de uma cooperativa de catadores. “A coleta seletiva vai dar condição para a cooperativa, diminuindo a quantidade de rejeitos que os municípios vão destinar os aterros sanitários, reduzindo também os impactos ambientais e economizando recursos públicos”, acredita.

Atividade foi organizada pelo IFS (Foto: Portal Infonet)

Semarh  

Também esteve presente no local o secretário de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (SEMARH), Olivier Chagas. Questionado sobre as medidas que a Secretaria tem adotado no que diz respeito aos resíduos sólidos, o gestor afirmou que o Estado tem atuado na coordenação dos quatro consórcios intermunicipais, organização dos catadores e capacitando-os através de cursos.

Equipamentos como balanças e prensas estão passando por um processo de licitação, segundo o secretário, para que as cooperativas e catadores, aliados aos consórcios possam fazer a ação dentro da política nacional de resíduos. Sobre a coleta seletiva, o gestor informou que o estado tem colaborado através da capacitação dos catadores, investindo cerca de R$ 6 milhões junto ao Ministério do Meio Ambiente. “Aquilo que é formal no sentido de fazer coleta seletiva, tem sido ainda um índice pequeno, porque os municípios estão implementando isso, inclusive com a nossa participação. Nossos técnicos vão os municípios para discutir com as secretarias, e também faz um trabalho junto aos catadores. Então, o estado tem investido fortemente nisso”, acrescenta.

Catadores estiveram representados na ocasião (Foto: Portal Infonet)

Para o secretário, além do trabalho das cooperativas e dos gestores, a população também possui um papel primordial no processo de segregação dos resíduos sólidos. “A participação começa em casa. Se a sociedade não fizer sua triagem primeira, para separar o plástico do papel, do metal, do que é orgânico, você vai tornar aquilo numa mistura muito mais difícil de fazer a separação”, completa.

por Yago de Andrade

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