Presidente do Sintracon pode ser deposto por vontade dos trabalhadores

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Os trabalhadores da Construção Civil em Sergipe estão revoltados com a própria entidade representativa, o Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil (Sintracon). Eles desconfiam que serão demitidos pelas empresas de construção por causa da greve, mas até o momento, a demissão soa como boato, já que nenhuma empresa deu sua posição oficial sobre o assunto.

 

Revoltados com o anúncio de que a greve poderia ser considerada ilegal pela Justiça, agora os trabalhadores estão organizando um abaixo assinado pedindo a renúncia do atual presidente do Sintracon, Jaime Umbelino de Souza. Eles atribuem o fracasso do movimento ao presidente, já que a greve foi finalizada por falta de algumas providências.

 

De acordo com o vice-presidente do Sintracon, José Carlos, “Jaime é uma pessoa boa, mas ele quer levar as coisas sozinho. Realmente, houve essa falha imperdoável por parte dele e por isso, muitos pensam que a direção do sindicato é culpada”. As falhas seriam muitas, desde a falta de realização de assembléias para a deflagração da greve até a falta de documentos.

 

José Carlos contou que a greve foi iniciada de um momento para outro, quando Jaime chegou até um canteiro de obras e solicitou a adesão dos trabalhadores. “Quando foi na terça, ele descobriu que ninguém poderia parar de trabalhar. O que aconteceu: ele chegou no meio de mil pessoas e disse que a greve era ilegal, isso com dois dias de manifestação…”, lamentou.

 

Agora, uma comissão está sendo formada pelos próprios sindicalizados parra tentarem negociar com o Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Sergipe (Sinduscon). Para Manoel Messias dos Santos, um dos participantes do movimento, Jaime “está sendo uma vergonha para a gente. Há muitos anos ele vem entregando os pontos e escondendo os documentos. Ele é um fracasso em Sergipe e está desvalorizando a gente. Precisamos do nossos empregos”.

 

JAIME – Jaime informou que cometeu o erro de não notificar o acontecimento da greve às empresas. Para evitar que a greve fosse declarada ilegal por uma decisão judicial, ele decidiu pela suspensão do movimento. “Esqueci de mandar o ofício e este não estava muito bem redigido. É difícil, mas tem que ser assim. Os patrões prometeram que não irão demitir ninguém”.

 

Ele disse também que está marcada uma reunião na sexta-feira, às 16 horas, para renegociarem com os patrões. Caso não haja sinalização positiva, pode ser que o movimento seja retomado a qualquer momento. 


PATRÕES – Os patrões acionaram a Justiça para que a greve da categoria fosse considerada ilegal. A decisão foi tomada em assembléia, na tarde de terça-feira. O Sinduscon argumentou que os trabalhadores não comunicaram à Delegacia Regional do Trabalho (DRT) sobre a paralisação e não publicaram a decisão de deflagrar greve em veículos de comunicação impressos.

 

Enquanto os trabalhadores da construção civil reivindicam um aumento de 30%, o fim do contrato de experiência, um auxílio-alimentação de R$ 100, e café da manhã servido nos canteiros de obras, a classe patronal acena apenas com 9,09% de reajuste. Além disso, a categoria reclama que tem sofrido com o baixo salário e a precariedade dos direitos sociais.

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