Testemunha revela como foi a agressão sofrida por soldado

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Família do jovem agredido pede providências (Foto: Portal Infonet)
Coragem e indignação foram fundamentais para que assistente social L.L. decidisse se colocar à disposição da família de Alexsandro Santos, soldado do exército que alega ter sido espancado por dois policiais militares no último sábado, 21.

Durante entrevista exclusiva à equipe do Portal Infonet, a assistente social contou todos os detalhes da violência que segundo ela, foi presenciada por outras pessoas que se aglomeraram no local. “Eu estava indo visitar minha mãe quando percebi um carro de polícia e a movimentação dos policiais”, relata.

Abordagem

A mulher contou que quando passava pelo local, ouviu um disparo e se assustou. Ela acreditou que poderia ser alguma troca de tiro entre bandidos e a polícia. Neste momento a testemunha olhou em direção aos policiais e presenciou o momento da abordagem ao jovem. “O rapaz desceu da moto e foi tirando o capacete, quando o policial já foi logo gritando, xingando e jogando o capacete no chão. Nisso só vi o murro no peito do rapaz da moto e então resolvi pegar o celular e filmar tudo. Ele batia e chamava o rapaz de “neguinho vagabundo” e outras coisas mais”, revela.

No momento da gravação, um dos policiais dirigiu-se à ela de maneira grosseira e desrespeitosa, reclamando da atitude. “Ele já veio gritando, falando palavras obscenas, perguntado o que eu estava fazendo. Só que eu não me intimidei perguntei o que eu tinha feito e mandei ele me levar para delegacia”, acrescenta.

Nesse momento a testemunha desligou o celular e seguiu em direção a casa da mãe na tentativa de entrar em contato com o irmão, que também é policial, para tentar ajudar ao jovem. Como não conseguiu falar com ele, ela explicou que voltou ao local, mas o soldado do exército já havia sido levado. Ela então procurou saber onde o jovem morava e quem eram os pais dele.

L.L. ainda revelou à equipe do Portal Infonet que temendo agravar ainda mais a situação, e com receio do que pudesse acontecer, acabou deletando a gravação do aparelho celular. “Eu apaguei porque achei que o rapaz poderia não gostar de ter a imagens dele sendo espancado no celular de alguém. Minha mãe também ficou preocupada e pediu que eu deletasse”, explica.

Diante do que presenciou, a mulher ressaltou a sua indignação e revolta na forma da abordagem policial. ”Foi uma coisa muito agressiva e eu como cidadã fiquei revoltada, porque não é assim que se aborda uma pessoa. Mesmo que ele fosse um marginal, não deveria ter sido tratado do jeito que foi. Que polícia despreparada é essa?”, questiona.

O pai de Alexsando, o tenente-coronel Gravatá, indignado com as agressões sofridas pelo filho, diz que a situação demonstra não só a atitude agressiva do polícial, como também o racismo. “Ele chamou meu filho de “neguinho safado” e isso é outro crime”, lastima.

Gravatá ressaltou que ainda na tarde desta terça-feira, 24, vai procurar a Corregedoria da Polícia Militar e que o filho irá até o 28° Batalhão de Caçadores ( 28º BC), onde deverá conversar com o comandante do Exército. “Vamos também ao Ministério Público [MP] aqui em Socorro, já que as agressões foram sofridas aqui”, explica o tenente-coronel, salientando que toda humilhação sofrida pelo jovem não poderá ficar impune.

Por Alcione Martins e Kátia Susanna

*A reportagem foi alterada às 10h15 da manhã desta quarta-feira, 25, a pedido da própria testemunha, que teme por represálias. Por isto o vídeo e a foto dela foram retirados.

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