Arquitetos fazem “Velório Simbólico” de casa demolida

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Protesto dos arquitetos na avenida Beira Mar
Um grupo de arquitetos juntamente com alunos de graduação em Arquitetura e Urbanismo fizeram na noite dessa quinta-feira, 26, um ‘Velório Simbólico’ da  primeira casa modernista construída em Aracaju. A edificação estava localizada na avenida Beira Mar, em frente à ponte que dá acesso à Coroa do Meio. A casa foi vendida por R$6,8 milhões e a demolição aconteceu na segunda-feira, 23.

A residência era uma das últimas obras pertencentes ao período modernista da capital sergipana e em seu lugar será construído um prédio residencial. “Essa era uma das poucas residências modernistas da cidade. Aracaju perde um pouco da sua história, porque a casa mostrava o que a cidade fez para entrar no estilo modernista”, explica a arquiteta Danielle Meneses, que realizou seu trabalho de conclusão de curso sobre a casa.

Demolição aconteceu na segunda-feira, 23 / foto: Danielle Meneses
Para não passar em branco o fato, os manifestantes acenderam velas e levaram flores ao local onde antes abrigou a casa histórica. Pouco antes da demolição do imóvel o grupo estava mobilizado para conseguir o tombamento da residência por ser um expoente da história da arquitetura sergipana.

“Estamos tentando organizar um grupo de arquitetos para combater certos atos contra algumas obras de arquitetura da cidade”, explica a arquiteta Tainá Souza. O grupo, que lutou pela revitalização do Farol da Atalaia, agora lutará pelo planejamento na zona de expansão da cidade. “Estão construindo muitos condomínios indiscriminadamente, sem a mínima condição de habitação no local”, diz Tainá. 

Histórico

Casa foi a primeira no estilo modernista da capital
A residência pertenceu à família Melo e foi construída em 1952. A casa primeiramente pertenceu a Osvaldo Marinho Tavares, dono de uma empresa de transporte. Posteriormente Wolney Leal de Melo e Maria Aguiar Melo foram os donos da propriedade. Wolney Melo foi um importante político do Estado, na década de 70 e chegou a presidir a Assembléia Legislativa. Maria Aguiar Melo foi a última proprietária da residência, que foi comprada por uma construtora.

Situada num terreno de aproximadamente 4.000m², “a residência com características modernistas se destaca pelo seu formato, seu jardim e ser uma das poucas residências na cidade de Aracaju com piscina naquela época”, explica Danielle Menezes, que realizou sua monografia de graduação em Arquitetura e Urbanismo sobre a referida obra histórica.

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