Coverama: fenômeno de público para reaquecer a cena alternativa

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Com um público médio de 1.500 pessoas por noite, o Coverama já pode ser considerado, se não o maior, um dos maiores eventos de música alternativa do circuito sergipano. Sobre esse fenômeno e também sobre a final da disputa que acontece neste sábado, 9, a equipe de Portal Infonet conversou com um dos organizadores e idealizadores do evento, Alexandre Hardman.

Hardman: cover estimula a produção autoral
Portal Infonet – Como surgiu a idéia de fazer um evento voltado para a execução de covers?

Alexandre Hardman – Eu já produzo eventos há 11 anos. Em 2005 eu e o pessoal que organizava o Punka decidimos acabar com o evento. Estávamos passando por uma grande crise em Aracaju, porque o público parou de freqüentar os eventos de música alternativa. A gente queria de alguma maneira resgatar esse público. O lance do cover foi uma maneira de conseguir isso e reestruturar a base das novas bandas.  Desde 1994 para cá, ficamos sem o surgimento de boas bandas como surgiu de 2000 a 2004, a exemplo de Plástico Lunar, Naurêa, Maria Scombona… De 2004 para cá, isso parou. A gente sentia que não havia novos músicos entrando com novas idéias. O Coverama vem para estimular a produção musical através do cover, que é como todo mundo começa. E com qualidade musical, porque o público exige muita qualidade. As bandas que participam ficam meses pesquisando e ensaiando para ficar idêntico ao original.

Infonet – Então o Coverama também é uma forma de impulsinar a produção autoral das bandas?

AH – É tanto que parte do prêmio são horas e gravação em estúdio. Pra quê isso serve a uma banda cover? Isso serve para incentivar o músico a gravar material próprio.

Infonet – Quais foram as principais dificuldades que você encontrou no início para realizar essa evento?

Confira as bandas que vão tocar na grande final
AH – Rolou um certo freio dos músicos tradicionais daqui da cidade, porque como tinham poucas pessoas produzindo eventos aqui, quando eu parei de fazer show para bandas autorais, eles sentiram, porque caiu a quantidade de shows que eles eram convidados a participar. Por outro lado, os eventos que a gente estava fazendo não estavam dando muito certo. Então, a gente criou um projeto paralelo de covers, que acontece o ano todo, o que acaba tomando um pouco a visibilidade da cena autoral. Eu acho que a médio prazo isso é bom, porque vai dar uma melhorada na cena em geral, mas eles, os artistas, querem um resultado a curto prazo. Só que de um ano para cá, eles começaram a aceitar bem e inclusive estão participando.

Infonet – Como você avalia o cenário alternativo hoje? Ele já tem certa força ou ainda é meio devagar?

AH – Meio não, muito devagar. Têm ainda muito desinteresse do público. Não é querendo rotular nada, mas todo mundo aqui diz que curte rock e que não gosta dos circuitos tradicionais de axé, pagode e brega, mas não aparece nos shows de bandas autorais. É isso que está faltando: fazer como há cinco anos, na minha geração, que o pessoal era fiel. Hoje em dia isso morreu. Mas eu acho que vai melhorar, só que não para agora.

Infonet – O perfil das pessoas que freqüentam o Coverama é o mesmo do das que freqüentavam os eventos alternativos de tempos atrás?

AH – De jeito nenhum, é totalmente diferente. Legal é encontrar pessoas que freqüentavam os shows há dez anos num evento hoje, o que é raro. A garotada atualmente está indo mais pela farra do que para ver uma banda. O que é diferente da época em que eu freqüentava os shows. A gente ia pela banda. Ia tocar uma banda do Rio aqui, a gente ia, trocava idéia com os caras se a gente tivesse uma banda, dava um CD pros caras… Hoje o pessoal vai mais pela farra mesmo.  Uma prova disso foi o Sonorama, um projeto paralelo que a gente fez no ano passado, que tinha o mesmo formato do Coverama só que para bandas autorais. No Coverama a gente tem um público médio de 1.500 pessoas e no Sonorama a gente não conseguia nem 100.

A cena local ainda é muito dédil
Infonet – O Coverama está em crescendo visivelmente, e é verdade que existe até uma proposta de fazer o evento em Maceió?

AH – Estamos nos organizando para começar no próximo ano em Maceió e em João pessoa, e estou com proposta também para Salvador e Goiânia, só que ainda estou analisando, é muito longe… (risos)

Infonet – O que essa idéia de expansão do Coverama pode trazer de benefício para o cenário de música alternativa sergipana.

AH – Visibilidade. Acho que todo grande artista começou tocando cover. E cover dá visibilidade. A gente tem aqui a Plástico Lunar, que tem mais de 10 anos de história, e deu uma caída na oferta de shows para eles. Aí eles montaram um projeto chamado Revitrola, só de covers, e estão tocando toda semana com esse projeto e estão sendo convidados novamente para tocar com a banda autoral deles, porque voltou a existir aquele carisma por eles.


Por Zeca Oliveira e Carla Sousa

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