Épica ao Rio São Francisco – por Gustavo Aragão

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Eis um ponto de luz que nasce

Na musa que agora se canta

Rogo as Uiaras franciscanas

Que abrasada e docemente

Reacendem em mim o engenho e a arte,

Que sublimados em humildes metros

Revelam a fantástica história do rio

que virou santo? Ou do santo que virou rio? e objeto da arte.

Rogo Apolo para que me ajude nesta empreitada

E que nesta fúria ritmada possa erguer sua morada.

 

Em meio aos chapadões, revestidos de verde e vida

A mãe Natureza se revela e grita

parecendo abraçar a vaguidade do mundo

que num silêncio profundo,

lá, se nos mostra erguida.  

São muitos os teus filhos,

que na força e na raça, espantam num só grito a sombra

que passa sob a face elevada da altiva nação.

Guerreiros enérgicos, filhos das matas,

recebem o presságio, das rasga-mortalhas

que, alvissareiras, obumbram os céus a anunciarem um infortúnio

de guerras no norte,

Que ao serem sabidas pelos guerreiros valentes

tornam-se almejadas em pensamentos frementes.

E todos se vão em busca da luta

Atrevidos, ríspidos, movidos à glória

Já prélios incitam, já cantam vitória

Deixando mulheres e filhos para trás.    

E em passos veementes, calcam a terra.

E traçam a fenda num desenho de fera.

Medrosos ficam os fracos filhos da terra deixados.

Iati, índia destacada por sua beleza e graça,

Noiva de forte guerreiro, tomada pela nuvem de saudade pelo seu amado

Jorra lágrimas saudosas que resvalam por entre os dedos rochosos da chapada,

Sinuosa e reluzente, estendendo-se ao infinito num desvario majestático

Abarrotando o vale prensado, purificando a terra que passiva

Recebia as águas sagradas provindas dos olhos simbólico-lendários da Iati

Coberta de amor e saudades.

 

Por Gustavo Aragão

 

* Todos os direitos estão reservados ao autor perante a Lei de Direitos Autorais.

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