Escola municipal do Bairro Industrial inaugura Cordelteca

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A cordelteca homenageia o escritor Araripe Coutinho, que viveu no bairro Industrial, onde a escola está localizada. (Foto: Isley Santos/Semed)

Quem entrar na Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Alcebíades Melo Vilas Boas, no Bairro Industrial, vai encontrar, logo na entrada, um cantinho especial dedicado a um importante gênero literário brasileiro: o cordel. A escola inaugurou nesta sexta-feira, 24, a Cordelteca Araripe Coutinho, para, além de incentivar a leitura entre os seus alunos, poder valorizar a cultura nordestina na comunidade. O cordelista sergipano Chiquinho do Além Mar foi o convidado especial  do dia.

Segundo a diretora da Emef, Vanessa Nascimento Lima, incentivar nos alunos o hábito da leitura é uma das prioridades da gestão. “Essa é uma leitura interessante e que valoriza a cultura nordestina, então, nada mais justo que resgatar essa cultura e deixar esse espaço aqui, na entrada da escola, para que não só os alunos possam ter acesso, mas também os pais. Escolhemos Araripe Coutinho como patrono porque, além de ter sido um grande poeta sergipano, viveu aqui, no nosso bairro, próximo à nossa escola”, afirma a diretora.
O idealizador da cordelteca foi o coordenador pedagógico da Emef, professor Tarcísio Bruno Santos, que contou com o apoio do corpo docente e da direção da unidade. “Há algum tempo, estávamos discutindo a possibilidade de abrir um espaço de leitura aqui na escola e os professores abraçaram a ideia. Quando iniciamos nossa gestão, articulamos com os colegas e tivemos a ideia da cordelteca porque este é um gênero literário de rima, agradável e, certamente, vai possibilitar essa aproximação dos nossos alunos e da nossa comunidade com a leitura”, acredita.
A iniciativa beneficiará todos os 520 alunos matriculados na Emef, tanto do Ensino Fundamental quanto da Educação de Jovens e Adultos (EJA), distribuídos entre os três turnos. O cordelista Chiquinho do Além Mar, além de explicar para os alunos a história e importância da literatura de cordel para a cultura brasileira, declamou um trecho da sua obra ‘A História de Sergipe Contada em Versos’, que encantou os estudantes.
“O cordel é um gênero literário que por muitos anos esteve sob um paradigma negativo, mas sobreviveu e hoje vive um grande momento. Atualmente, venho fazendo um trabalho no Brasil inteiro levando o cordel para todos os estados e divulgando o nosso estado, que é o ponto forte do meu trabalho. Como aracajuano, eu fico muito feliz em ver um espaço como esse sendo inaugurado em uma escola municipal da cidade, fortalecendo a nossa cultura e a mantendo viva. Parabenizo os idealizadores desta iniciativa”, destacou.
Com mais de 20 anos de carreira, o artista já publicou mais de 70 obras e viaja por todo o país divulgando o gênero. Por sua passagem na Emef, ele doou alguns exemplares para serem distribuídos entre os alunos. Um dos alunos escolhidos para ser presenteado com a literatura foi Gabriel Minato Ferreira Santana, de 9 anos que, até então, não conhecia o cordel. “Eu gostei do texto que ele declamou aqui e essa é a primeira vez que eu escuto um cordel. Me interessei e vou passar a ler na cordelteca da escola”, contou.
Cordel
Os pesquisadores ainda não conseguiram entrar em consenso sobre quando o cordel chegou ao Brasil, mas a origem é certa: veio de Portugal. Os primeiros exemplares de cordel catalogados no Brasil são do período da chegada da Imprensa Régia ao país, em 1808, mas o formato não era o mesmo que se consagraria anos depois, mais especificamente, no final do século XIX. De lá para cá, a literatura de cordel se tornou um dos maiores ícones da cultura nordestina, influenciando os mais variados segmentos da arte erudita.
Fonte: PMA
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