Fã traz Luiz Gonzaga na alma

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Fanático pelo rei do baião Luiz Gonzaga, o vendedor Cezar Augusto, 30, diz que sua paixão teve início ainda aos cinco anos de idade, quando ouviu a música Orélia, na qual Luiz Gonzaga fala a palavra “peste”. Sua vida, de lá para cá, esteve sempre sintonizada com o compositor. Botas, alpercatas, camisas, chapéus de couro e até pôsteres e adesivos no vidro do carro fazem parte de seu dia-a-dia.

 

“Nossa educação foi sempre rígida e o fato de eu ouvir ele xingar peste na música Orélia me chamou muito a atenção. Então, eu sempre pedia: ‘pai, bote aquela música que o homem xinga’”, lembra, dizendo que o pai também gostava muito do compositor e achava engraçado ele pedir para tocar Orélia.

 

De lá para cá, Cezar dançou quadrilha até os 14 anos e passou boa parte de sua vida em brechós e sebos em busca dos discos de vinil, fitas cassete, pôsteres, camisas, adesivos, bonés, fitas de vídeo, ou seja, tudo relacionado ao cantor. “Quando fui dançar quadrilha pela primeira vez as músicas eram de Luiz Gonzaga, aí, meu amigo, aquilo afundou dentro do coração até hoje”, enfatiza.

 

Em seu acervo, Cezar contabiliza 70 vinis, “sem ser repetido”, faz questão de dizer, 56 CDs, e 12 discos de pedra (aqueles de rotação 78). “Um amigo meu também vai passar pra mim, em CD-Rom contendo todos os jingles que Gonzaga fez durante as campanhas políticas lá no Sul e Sudeste do país”, ressalta.

 

Há anos a empresa em que Cezar trabalha libera suas férias no mês de junho para que ele possa curtir o São João ouvindo Luiz Gonzaga nos festejos juninos. “Meu aniversário, 31 de junho, fica entre o São João e logo após o São Pedro. É nesse dia que meus vizinhos viajam ou vão para a casa de parentes, pois não agüentam de tantos fogos, tanta bomba”, brinca.

 

CONFUSÃO – E que ninguém fale mal de Gonzaga diante do vendedor, ele fica uma fera. Certa vez, o pessoal de uma barzinho ficou indignado quando ele levantou a mala do carro e colocou Luiz Gonzaga para todo mundo ouvir. “Eles queriam ouvir pagode e me reclamaram, então, eu não deixei barato, contestei a posição deles e houve um princípio de confusão porque eu estava defendendo meu ídolo”, comenta.

HOMENAGEM – Cezar lembrou que ouve o rei do baião de janeiro a janeiro e que colocou o nome dos filhos, que são gêmeos, de Luiz Gonzaga e Luiz Guilherme. “A idéia era colocar o nome dele em um só, mas vieram dois e eu tive que dar um jeito. O mais importante é que eles cresçam ouvindo Luiz Gonzaga e sabendo o porquê de terem esses nomes”, conclui.

Por José Mateus

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