Forró passado de pai para filhos

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“Minha história no forró é muito bonita. Nasceu de pai para filho”. É assim que Erivaldo de Carira, com muito orgulho, começa a contar sua trajetória no forró sergipano. Nascido em Carira, cidade do sertão sergipano, em outubro de 1949, desde garoto ele acompanhava os passos do pai, Manoelzinho de Carira. Erivaldo foi motorista de ônibus, de caminhão, mas nunca deixou de tocar sanfona. Gravou o primeiro disco em 1984, “Forró Brasileiro”, e hoje tem orgulho em dizer que dos oito filhos, três estão na música.

O pai de Erivaldo e os alguns tios eram sanfoneiros de oito baixos e também tocavam em uma banda de pífanos. “Uma vez meu pai saiu para roça e escondeu a sanfona no baú. Eu subi em um tamborete, peguei a sanfona e quando ele chegou eu estava tocando”, lembra, acrescentando que tinha menos de 10 anos nessa época. Ele também não gostava muito de acompanhar o pai nos trabalhos da roça. “Ficava no pé do rádio, ouvindo um programa chamado ‘Festa na Casa Grande’, que era apresentado por Josa, o Vaqueiro do Sertão”, recorda.

Depois de Josa, a inspiração veio do Trio Nordestino e Luiz Gonzaga. Apesar de ter nascido em Carira foi criado em Porto da Folha. Aos 15 anos já ajudava o pai nas festas tocando uma sanfona pequena. A primeira apresentação sozinho ocorreu aos 18 anos, em festas iluminadas à base de candeeiros. Ao mesmo tempo, trabalhava como motorista de ônibus em uma empresa na qual sempre usava sua sanfona para animar as festas. Quando saiu da empresa, comprou um caminhão que fazia linha para feiras de diversos municípios, além de carregar lenha e esterco para Itabaiana.

“Nos finais de semana, eu enchia o caminhão de gente e ia tocar nas festas por ai. Depois fui convidado a fazer um programa na Rádio Princesa da Serra, em Itabaiana. Chamava-se ‘No Pátio da Fazenda’. Ele durou 15 anos”, conta. Até hoje, a música de maior sucesso, segundo Erivaldo, é “Fazenda Velha”, gravada no primeiro LP e regravada mais quatro vezes. A composição é de Erivaldo e de José Ernesto, compositor de Nossa Senhora da Glória. “Ela conta a história da minha vida. Sempre recebo bilhetes no palco do pessoal pedindo para eu cantá-la”, diz satisfeito.

O último CD de Erivaldo, “Aqui tá bom”, foi gravado no ano passado e tem como carro-chefe a música “Ô saudade”. A tradição do forró continua na família. Dois filhos tocam sanfona, Mestrinho do Acordeon, de 16 anos, e Erivaldinho, de 28, além de Taís Nogueira, de 14 anos que canta e em breve vai gravar um CD. Aliás, o próximo projeto de Erivaldo é gravar um CD e DVD ao vivo. Quanto ao São João deste ano, ele acredita que as expectativas são boas. “Deus está mandando as bênçãos do céu. Vamos ter milho em abundância. E como não é um ano de política, a festa vai ter mais coerência e qualidade”, acredita.

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