Renantique comemora dez anos com grande espetáculo

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Componentes do Renantique
Comemorando uma década de existência, o Conjunto de Música Medieval e Renascentista ‘Renantique’ realiza concerto hoje, 3, às 20h30, no Teatro Tobias Barreto. Com entrada franca, o evento fará homenagem póstuma à cantora e fundadora do Grupo, a soprano Adélia Vieira.

No repertório estarão músicas de Alfonso X, Rei Henrique VIII, Ibérica, Francol-Flamenga, Carmina Burana, Elizabetana, entre outras. Para cada tema, os músicos do grupo estudam a história da época e trabalham em cima de cada obra para apresentar uma apresentação o mais fiel possível da época.

“Nós fazemos recuperação, pesquisa e execução da música erudita. Há dez anos abordamos os temas, procurando trazer o melhor para o nosso público”, diz o professor de música e componente do grupo, Emmanuel Vasconcellos, acrescentando que para isso ensaiam uma vez por semana juntos.

Emmanuel comenta sobre o amor do grupo pela música erudita
O professor, que também é o coordenador artístico do grupo, está no Renantique desde a sua primeira formação, e comenta que muitos foram estudar fora do Estado e não voltaram, e acabaram sendo substituídos. “Atualmente são oito membros na formação atual do grupo e somente dois são da primeira formação. Todos são músicos apreciadores da música erudita”, diz.

O grupo faz parte do Movimento de Música Antiga. Esta é uma expressão usada principalmente a partir dos anos 60, para designar não apenas a música de uma época antiga, mas também uma atitude particular em relação a sua execução. Ela é aplicada por vezes à música da Idade Média e do Renascimento, porém, e cada vez mais, até 1800, incluindo assim grande parte do período clássico.

7ª formação

O Conjunto Renantique é um grupo independente, que foi criado em junho de 1996 por quatro integrantes do Grupo de Flautas Doces do Centro de Criatividade e pela soprano Adélia Vieira, com o intuito de executar a música da Idade Média, Renascença e início do Barroco, algo inédito em Sergipe.

Os integrantes participaram do VI Festival Internacional de Música Antiga e Colonial de Juiz de Fora, MG, em 1995, e desde então já se apresentaram em diversos eventos. “Além dos componentes que já fazem o Remantique temos a estréia hoje de Gustavo Adolfo na rabeca medieval”, comenta Emmanuel.

Instrumentos

Alguns dos instrumentos utilizados pelo Renantique
Os instrumentos utilizados pelo grupo foram todos fabricados para uso de música antiga. Eles são uma reprodução dos instrumentos utilizados na época. “Nós compramos o projeto do instrumentos e solicitamos que um luthier o confeccione. Aqui temos um em São Cristóvão”, diz.

Alguns desses instrumentos são feitos com couro de animais e também suas cordas para que os sons sejam os mais parecidos com aqueles que foram utilizados na época. “Temos dez anos e aqui no Estado ninguém tentou imitar até hoje. Acredito que além das aquisições de instrumentos as partituras também são difíceis de encontrar”, diz ele, comentando que o público que gosta e os acompanha é eclético em idades e estilos.

O grupo segue a linha dos broken consort renascentista, com quarteto de flautas, instrumentos de palheta dupla interna, alaúde, saltério, viola de gambá, viela medieval, percussão e quarteto de vozes.

Movimento Música Antiga

O movimento de “música antiga” ocupa-se particularmente da prática de execução e da recriação e utilização de instrumentos de época, bem como de técnicas e concepções, também da época, sobre questões como notação, ritmo, andamento e articulação, conforme o estabelecido em textos que reflitam as intenções do compositor.

O movimento pode ser visto como um retorno ao antiquaríato musical do séc. XVIII e à erudição crítica que dele brotou durante o século XIX Seu verdadeiro criador foi Arnold DOLMETSCH, que muito contribuiu no início do séc.XX para fazer reviver o interesse pelas técnicas e instrumentos antigos; seus alunos e seguidores deram continuidade à tradição.

(Com informações do Dicionário Grove de Música)

Por Raquel Almeida

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