Centrais sindicais organizam greve contra fechamento da Petrobras

0
Lideranças sindicais se reúnem para debater medidas que teriam sido anunciadas pela Petrobras (Foto: Sindipetro)

As Centrais Sindicais em Sergipe estão se mobilizando e prometem realizar um grande ato público, com a possibilidade de uma greve geral ainda neste mês, contra a decisão do Governo Federal em fechar a sede da Petrobras em Aracaju, instalada na rua Acre. Nesta segunda-feira, 16, as lideranças sindicais se reuniram na sede da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e decidiram abrir um calendário de mobilizações para reagir à proposta da Petrobras em desativar as atividades em uma das principais unidades administrativas instalada na rua Acre, em Aracaju.

Segundo o sindicalista Bruno Dantas, diretor do Sindicato Unificado dos Trabalhadores Petroleiros, Petroquímicos, Químicos e Plástico nos Estados de Alagoas e Sergipe (Sindipetro), o prazo limite da estatal é o dia 30 de março do próximo ano para fechar completamente a sede. Até o mês de janeiro, conforme o sindicalista, a pretensão da estatal é remanejar uma pequena parte dos funcionários concursados para o campo de Carmópolis, outros serão transferidos para os Estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo e demitir cerca de 600 terceirizados.

O sindicalista alerta que essa decisão da Petrobras, aliada a outras que já foram colocadas em prática, a exemplo da hibernação da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados (Fafen), que trazem grandes impactos na economia sergipana. “Na rua Acre, são mais de um mil e duzentos empregos diretos ameaçados, sem falar nos empregos indiretos gerados naquela área, com movimentação da economia provocada pelos trabalhadores naquela área”, alerta Bruno Dantas.

Os sindicalistas pretendem elaborar um documento e vão buscar apoio dos deputados federais e senadores, que formam a bancada sergipana no Congresso Nacional, para buscar entendimentos com o Governo Federal para modificar a estratégia e adotar medidas que possam fortalecer a participação da Petrobras no Estado. Além de mobilizar os representantes da população no Poder Legislativo, os sindicalistas também vão buscar apoio do Governo Estadual para atuar contra essa medida que a Petrobras vem anunciado.

Segundo o sindicalista, a Petrobras alega que a estratégia é sanear a estatal, cortando despesas com aluguéis de imóveis. Mas a alternativa, segundo avalia Bruno Dantas, não afeta Sergipe porque a sede da Petrobras funciona em imóvel próprio bem valorizado.

Estratégia de negócios

Ao Portal Infonet, a assessoria de imprensa confirmou que a Petrobras “avalia oportunidades de redução de custos” em todos os procedimentos e atividades no país, medidas que inclui a desocupação de imóveis como forma de conter gastos com aluguéis. Mas garante que esses prazos revelados pelos sindicalistas, em relação à sede da rua Acre em Aracaju, não são confirmados pela Petrobras.

A assessoria ressalta que o procedimento acontece em todo território nacional. “Esse ano, por exemplo, já foi desocupado o Edisp, em São Paulo, contratadas novas instalações e realocadas algumas equipes, gerando uma economia anual de cerca de R$ 20 milhões para a companhia”, destaca a nota, enviada pela estatal. “Com o mesmo intuito, estão sendo desocupados o Edifício Ventura, no Centro do Rio de Janeiro, e o Edifício Novo Cavaleiros, em Macaé. Estão em andamento estudos sobre outras instalações, de forma a adequar a ocupação dos espaços à estratégia de negócio da Petrobras”, complementa a nota.

Ainda na nota, a Petrobras diz que a “mobilidade de pessoas entre prédios ou mesmo entre diferentes unidades ou áreas de atuação é natural nas empresas. Alguns processos podem ser centralizados; para outros, a solução pode ser utilizar espaços disponíveis em instalações próximas ou mesmo contratar novas instalações, mais otimizadas e menos onerosas, como ocorreu em São Paulo”.

por Cassia Santana

Comentários