Matrículas em cursos EaD superam procura por graduações presenciais

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Há também uma contradição que envolve o ensino online: muitos procuram a modalidade Ead alegando não ter tempo e desiste de estudar pelo mesmo motivo (Foto: pixabay)

Em crescente consolidação no Brasil há dez anos, a modalidade de Ensino a distância (EaD) chegou a um novo patamar recentemente. Segundo dados do Censo da Educação Superior, divulgado no dia 19 deste mês, pelo pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e pelo Ministério da Educação (MEC), o número de matrículas em cursos EaD superou a procura por graduações presenciais. Especialistas na modalidade a distância ouvidos pelo Portal Infonet atribuem essa migração à flexilidade de horários para estudar e intimidade dos jovens com a tenologia. Contudo, há também uma contradição que envolve o ensino online: muitos procuram a modalidade Ead alegando não ter tempo e desistem de estudar pelo mesmo motivo.

“A rotina de estudos é flexível, mas ela tem que existir”, destaca a gerente acadêmica da Unit EaD (Foto: Portal Infonet)

“A rotina de estudos é flexível, mas ela tem que existir”, destaca a gerente acadêmica da Universidade Tiradentes (Unit) EaD, Karen Sazaki. Segundo ela, algumas pessoas encaram o ensino EaD como uma “responsabilidade menor” e por isso pensam que é mais “fácil” em comparação com à graduação presencial. “O diploma [do ensino a distância] é o mesmo porque a gente forma o mesmo profissional. A carga horária é a mesma, a quantidade de horas que a pessoa vai precisar estudar, a mesma prova do Enade, as mesmas provas das disciplinas curriculares”, ressalta.

Sazaki deixa claro que os horários para estudos são fundamentais para a consolidação de uma boa aprendizagem. “A gente ressalta que tem que ensinar as pessoas a estudarem mediados por tecnologia”, conta. Em paralelo a este cenário, a gerente acadêmica reitera os benefícios de uma gradação a distância. Segundo Sazaki, além do baixo custo em comparação com a graduação presencial, o aluno conta com um grande aparato tecnológico que aproxima a relação aluno-professor. “As instituições começaram a investir em tecnologias educacionais para facilitar a comunicação entre alunos e professores”, explica.

Mesmo com alguns percalços no ensino, Fábio afirma que a modalidade a distância continuará a crescer e chegará nas maiores das áreas de ensino, destaca Fábio Alves (Foto: Portal Infonet)

O vice-diretor do Centro de Educação a Distância da Universidade Federal de Sergipe (Cesad/UFS), Fábio Alves, destaca os avanços no ensino a distância, principalmente no tocante à faixa etária. “Nos últimos vestibulares nós temos visto uma variação muito grande. Temos pessoas de 18 anos até mais de 50 anos estudando com a gente”, informa. Fábio explica que uma das maiores problemáticas que ele enfrenta diz respeito à retenção do pessoal, ou seja, quando a pessoa não consegue progredir no curso em virtude da falta de dedicação. “Algumas pessoas têm extrapolado o tempo máximo para a conclusão do curso justamente por não dedicar um tempo para os estudos e as disciplinas que precisam ser cursadas”, assinala.

Mesmo com alguns percalços no ensino, Fábio afirma que a modalidade a distância continuará a crescer e chegará nas maiores das áreas de ensino. “Muitos tem a convicção de que o ensino EaD é somente para cursos de licenciatura, por achar que são somente teorias. Mas não é. Certamente a mobilidade a distância também chegará a áreas de bacharelado, como medicina e engenharias”, ressalta. Ainda segundo Fábio, o que irá contornar o ensino a distância dessas áreas serão as tecnologias disponíveis. “A questão é o aparato tecnológico. Será que atualmente temos essa tenologia disponível? O centro da temática é justamente esse”, questiona.

por João Paulo Schneider 

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