AS DUAS PROFISSÕES DE SIDRACK MARINHO

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O ex-arbitro Sidrack Marinho
Nada foi planejado, mas tudo deu certo. Foi por acaso que o encarregado de um supermercado virou árbitro de futebol. Profissão nunca sonhada, mas abraçada com responsabilidade. O tempo e o reconhecimento mostraram que a vocação sempre esteve ali, dentro de Sidrack Marinho. Bastou a oportunidade, a dedicação e um grande amor para alcançar o que todos sonham…a ascensão. Foi graças a primeira profissão que veio a segunda. A arbitragem dentro de campo teve que parar, mas futebol é cachaça. Um convite e a disposição de sempre, lá está Sidrack Marinho, o comentarista. O sergipano que percorreu os campos do Brasil e da América Latina e levou consigo o nome do Estado e, aqui, em Sergipe, constrói o nome em outro campo é o personagem da entrevista especial de domingo. São os desafios da vida que Sidrack costuma encarar.
O ÁRBITRO
Em 1979, o começo. Sidrack era encarregado do Bom Preço. O convite para arbitrar veio do chefe, José Carlos Schmidt. “Ele era gerente de arbitragem e me perguntou se não queria ser árbitro. Eu topei. Nunca havia pensado nessa possibilidade…”, conta Sidrack, que começou apitando jogos de amador na Capital e no interior. “No mesmo ano, participei da primeira partida do profissional. ‘Bandeirei’ a decisão do Campeonato Sergipano: Sergipe e Itabaiana”, acrescenta, “ Quem apitou esse jogo foi o árbitro da FIFA, Carlos Rosa Martins, do Rio Grande do Sul. Eu fui o primeiro bandeirinha e Pedro Bonfim, o segundo”, detalha Marinho.
A carreira engrenou. Em 1985, entrou no quadro nacional de árbitros e passou a apitar jogos no Nordeste. Em 1989, apitou pela primeira vez no Maracanã, o sonho de todo árbitro. “ Foi o jogo de volta pela Copa do Brasil entre Flamengo e Blumenau de Santa Catarina. Eu e os também sergipanos Simeão Fagundes e Vivaldo Aparecido formamos o trio de arbitragem”, lembra Sidrack saudoso do seu começo.
O resultado da dedicação e do trabalho de Sidrack apareceu logo. Em 1990, foi convidado pela Comissão Nacional de Arbitragem a participar de um evento no Rio de Janeiro e teve uma boa surpresa. “Meu nome estava entre os 12 melhores árbitros do país. A festa foi no Aterro do Flamengo”, revela Sidrack, “Eu estava sendo homenageado junto com José Roberto With, do Rio de Janeiro, José Aparecido, de São Paulo, Márcio Rezende de Freitas, de Minas Gerais. Eu e Manoel Serapião, da Bahia fomos os únicos do Nordeste. Fiquei satisfeito com o reconhecimento”. Completa. Daí e, diante, Sidrack virou figurinha carimbada nas homenagens. Nome sempre presente na lista dos melhores do país.
A FIFA veio três anos depois da primeira homenagem. O nome de Sidrack Marinho passou a figurar no quadro de árbitros da FIFA em 1993. O trabalho aumentou. O sergipano passou a percorrer o Brasil, apitando campeonatos. “Apitei jogo até em Sinop, no meio da Amazônia”, conta animado. O árbitro trabalhou em muitas partidas importantes: Decisão do campeonato brasileiro de 1995, o jogo de ida entre Santos e Botafogo, além de quase todas as partidas das semi-finais e pela Copa do Brasil apitou o primeiro jogo da final entre Cruzeiro e Palmeiras; Em 1996, arbitrou apitou a partida de ida da final do Brasileiro entre Portuguesa e Grêmio; Em 1997, a finalíssima do Brasileiro : Palmeiras e Vasco , a finalíssima da Copa Brasil: Cruzeiro e Palmeiras e a decião do Campeonato Carioca. Depois, em 1998, a decisão do Paulista. Sidrack Marinho fez ainda três decisões do Campeonato Mineiro, decisão do Campeonato Baiano.
Em nível internacional, muitos jogos na América Latina. Copa dos Campeões Mundiais, Comebol e os jogos das eliminatórias da Copa do Mundo de 1998, entre eles, Colômbia e Chile e Uruguai e Peru.
Em 1999, completou quarenta e cinco anos e saiu do quadro da FIFA. Em 2000, apitou jogos do Campeonato Paulista. “Fiz parte da Federação Paulista de arbitragem até 2002”, explica Sidrack. Depois disso, Marinho parou com o trabalho dentro de campo.

O COMENTARISTA
Oportunidade é a palavra certa. Outra como a primeira. Uma nova chance, uma nova carreira. Tudo a ver com a primeira. O trabalho de árbitro fez os convites surgirem. “Fui convidado pela Sport TV. Comentei a arbitragem de três partidas, entre elas, a decisão do Campeonato Carioca, Flamengo e Fluminense e a decisão do paulista, Palmeiras e Corinthians”, conta.
Em Sergipe, nada de ficar parado. Mais convites para trabalhar fora de campo, mas sem perder a arbitragem de vista. “ Fui chamado para fazer parte da equipe de esporte do “20 nos Esportes”, programa exibido na TV Cidade e, depois, o convite foi para o rádio. Integrar a equipe da Rádio Cultura”, comenta Marinho animado com o novo desafio


SEMPRE CRÍTICO
O novo desafio, como a arbitragem, foi encarado em seriedade e um imensa responsabilidade. Difícil? Analisar o trabalho dos outros nunca é fácil e, por isso, a palavra chave é compromisso. “O meu compromisso é com a verdade. Falo do que vejo. Se é erro, aponto, explico, procuro fazer uma crítica construtiva”, enfatiza o ex-árbitro, “Assim colaboro para a melhoria dos profissionais da arbitragem”.
Sidrack se define um crítico. “Sempre que assisto a um jogo na televisão, vou fazendo as críticas. Não sei ser apenas telespectador. Sou um crítico”, explica, “Penso que dessa forma aprendo. Com erros e os acertos alheios. Tem que ser assim”, concluí. E mais, Sidrack é o maior crítico do próprio trabalho. “Tenho mais de 80 fitas gravadas dos jogos que apitei. Assistia várias vezes para me auto-criticar. Há sempre o que aprender. Quem pensa que sabe tudo pára de crescer”, filosofa bem Sidrack.
Esse senso crítico é uma mão na roda para a nova profissão, mas ele é exercido com extremo cuidado. “ No rádio tudo é instantâneo, tenho que pensar muito em pouco tempo e dizer o certo. O que vi. Analisar da melhor maneira…”, Sidrack conta sorrindo, “Não é fácil, não. O empenho deve ser igual ou maior do que o que eu tinha em campo como árbitro”, diz ele, comparando e constando as semelhanças entre as duas profissões. “Estou me qualificando para exercer o ofício de comentarista cada vez melhor. Em maio, terminei o curso de radialista do Senac”, revela , “ Vou buscar qualificação para estar apto a comentar arbitragem e o futebol”, afirma Sidrack. “É preciso aproveitar esse espaço aberto na mídia para profissionais que, como eu, tem conhecimento teórico e prático para comentar. Antes, os comentaristas pouco sabiam sobre as regras de arbitragem.”, confessa Marinho animado com o rumo que o comentarismo esportivo está tomando.
FUTURO
Para Sidrack Marinho, o futuro é uma continuidade. Continuar trabalhando… Continuar o aprimoramento…Continuar se criticando… e a criticar.
Apesar de pouco tempo na nova carreira, já sente o resultado da dedicação que tem. “ Fico feliz, quando sou parado na rua pelos ouvintes da rádio cultura ou os torcedores que acompanham meu programa no Canal 20. Ouço elogios, críticas. O saldo é positivo. Acho que estou no caminho certo”, diz satisfeito.
Em casa, uma aliada, uma fã, uma crítica, alguém muito importante para Sidrack: “ Minha esposa, Ruth, acompanha tudo. Era assim no tempo da arbitragem, gravando os jogos. É assim hoje, ouvindo e assistindo aos comentários”, conta orgulhoso a dedicação da esposa. “Minha filha também sempre acompanhou o meu trabalho. Agora, está morando em Recife. As duas são meu apoio. Cresci muito por causa da minha família”, declara.
É… se depender de Dona Ruth dos Santos vai crescer mais e mais. Durante toda a entrevista lá estava ela a lembrar datas, detalhes… a mulher, secretária, tiéte. “Mais que isso, a companheira”, elogia Sidrack.
Com tanta torcida, o comentarista Sidrack Marinho só pode continuar assim: dedicado, sério, responsável. Para os sergipanos, o tão atacando homem de preto, o temido juiz, o sempre “culpado” das derrotas dos times, foi motivo de orgulho nos gramados desse Brasil, da América Latina. Agora, vamos ficar de ouvidos e olhos atentos para nos orgulharmos do comentarista, Sidrack Marinho. “ Na imprensa como na arbitragem é preciso ética”, declara sério, “ Por isso, estou me preparando. É necessário fazer o melhor possível, quem tem essa meta erra menos”, conclui Marinho.
Para terminar, uma declaração de amor a profissão. “Agora, entendo por que vocês dizem que trabalhar nesse ramo é como uma cachaça. No futebol, o sentimento é o mesmo. Por isso, estou feliz em continuar na arbitragem dessa forma, através do comentário. Nas duas profissões,é indispensável trabalhar com amor, carinho e dedicação”, encerra Sidrack Marinho com seu jeito sempre simpático. A promessa do futuro fica nas entrelinhas…

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