Basquete em Cadeiras de Rodas: superação e força de vontade

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Diel fala das dificuldades e alegrias que enfrenta no esporte diariamente
O jogador de basquete sergipano e coordenador técnico, Josevaldo Diel, há 22 anos enfrenta uma rotina diferente daquela a que estava acostumado. Aos 20 anos de idade Diel foi separar uma briga quando foi surpreendido com um tiro, que o deixou paraplégico. Hoje com 40 anos, o jogador é o atual presidente do Centro Integrado de Esportes Para Atléticos (CIEA), e conta que possui um sonho, o sonho de profissionalizar de forma digna o basquete para cadeirantes no Estado.

Tal sonho é considerado por muitos, impossível ou difícil de se tornar realidade, mas como atleta e incentivador do esporte para qualquer pessoa, Diel considera seu ideal possível, contanto que a sociedade e os órgãos públicos e privados comecem a dar mais valor para essas práticas esportivas. Há cinco anos Diel vem trabalhando nesse sonho. Inicialmente com um grupo de 25 cadeirantes, o grupo conseguiu usufruir do espaço físico do Centro Federal de Educação Tecnológica de Sergipe (Cefet), onde além de treinarem quase todos os dias pelas manhãs, também recebiam todo o suporte necessário para alimentar essa vontade de jogar. Porém, há cerca de um ano e meio o time está parado, pois a quadra que utilizam está em reformas e as negociações estão complicadas.

Diel informa que o Cefet a princípio está querendo fazer com que o time continue utilizando a quadra, mas toda a acessibilidade que era oferecida vai ter que ser arcada pelos próprios jogadores, ou seja, antes o Centro além do espaço, proporcionava equipamentos para os treinos e competições. Mas com a nova direção é possível que o grupo tenha que pagar para conseguir os equipamentos. “O time não tem dinheiro para arcar com essas necessidades, por isso que as negociações continuam”.

Equipamentos

Para o basquete em cadeiras de rodas acontecer, é preciso ter os equipamentos certos. Diel conta que a cadeira de rodas é especial, pois ela é adaptada ao corpo daquele atleta, ou seja, caso em um jogo e/ou treino a cadeira de um jogador quebrar, ele não poderá utilizar de um colega de equipe, pois cada cadeira é ajustada conforme a necessidade do corpo daquele jogador. Diel ressalta que cada cadeira de roda especial custa em torno de R$1.200,00.

Cadeira especial para jogar basquete (Fonte: Freitas)
Dificuldades x Inclusão Social

O jogador desabafa contando que as dificuldades são inúmeras, pois além da falta de incentivo, que é o maior agravante, a falta de estrutura também é um problema que merece destaque. Quando os jogadores precisam se locomover para outro Estado, para um campeonato, por exemplo, muitas vezes o trajeto se torna uma barreira, pois os ônibus não possuem banheiros e assentos que atendam a necessidade de um cadeirante. “Para mim isso é uma vergonha. Isso é fazer inclusão social? Aonde?”, afirma.

Embora o meio de transporte seja um obstáculo, Diel relata que a falta de patrocínios e incentivo dos órgãos é o maior problema enfrentando pelos jogadores, pois além da falta de inclusão social, o time perdeu a oportunidade de competir no Campeonato Brasileiro do ano 2006/07 por falta de dinheiro, sendo que foi pedido apoio de órgãos públicos que responderam “não ter condições de arcar com esse custo”, afirma. Por conta desses contratempos, Diel diz ser uma luta diária em busca de melhores condições para uma prática que traz qualidade de vida.

Além disso, o coordenador técnico ressalta que o time perdeu um jogador para o Estado de São

Foto da última seleção sergipana de basquete, uma vez que alguns jogadores deixaram a equipe
Paulo e alguns para o próprio mercado de trabalho, já que é impossível viver do esporte. “Nós estávamos no Campeonato Regional do ano passado, quando o atleta foi convidado para jogar em São Paulo”. Inclusive, nesse último campeonato, na Paraíba, Diel conta que os atletas não puderam ir ao banheiro, porque o banheiro não era adaptado aos cadeirantes. “Absurdo, não é?”, questiona.

Vitórias, malandragens e diversão

Um fato que chama a atenção são as vitórias, pois por mais que as barreiras sejam muitas, Diel conta que não tem nada mais gratificante do que entrar em uma quadra e ao fazer uma cesta, as pessoas gritarem o seu nome e o do time.

A dinâmica do jogo também é algo que segundo Diel é satisfatória nessa prática esportiva, pois diferente do basquete tradicional, o jogo é cheio de “malandragens”, pois possibilita que os jogadores mostrem suas habilidades de uma forma mais divertida. “Nos jogos às vezes um jogador tenta colocar o dedo na cadeira do outro para prendê-la, além do puxão dos braços. É um jogo cheio de malandragens, coisa que no jogo convencional é menos visível”.

Por Mariana Rocha e Carla Sousa

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