Deputados se estranham na Assembléia

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Fato aconteceu no plenário da Assembléia
Lá fora uma chuva fina amenizava o calor da capital. Dentro da Assembléia, porém, o clima era quente, tanto que vários deputados andaram se estranhando. Não fosse a turma do deixa-disso a coisa teria esquentado pra valer.

Já nos últimos dias, o clima entre o líder do Governo, Francisco Gualberto e o deputado Augusto Bezerra, vice-líder da Oposição, não andava nada bom. Culminou que, ontem, terça- feira, Gualberto mostrou uma camisa do Sergipe Alfabetizado, programa do Governo do Estado em parceria com o Governo Federal, constando atrás que era um patrocínio do deputado Augusto Bezerra. “Isso aqui, declarou Gualberto, caracteriza-se como crime eleitoral, mas não vou fazer denúncia ao Ministério Público, como ele costuma fazer.

Hoje, como primeiro orador, o deputado Augusto Bezerra voltou a carregar nas tintas nas críticas ao Governo do Estado. Ele reclamou que o Jornal da Cidade publicou, na primeira página, a tese de Gualberto de que a camisa seria crime eleitoral e disse que quem deveria estar ali era o próprio governador, por ter dado empregos a ex-prefeitos que não comparecem a Secretaria da Casa Civil para dar expediente. Bezerra disse que foi pessoalmente ao Palácio e constatou que ex-prefeitos não dão expediente, que ninguém os conhece na Casa Civil.

Depois, Francisco Gualberto respondeu as criticas, reportando-se a tal camisa. “Ele disse aqui que era paraninfo de uma turma do Sergipe Alfabetizado, numa solenidade que só vai ocorrer no mês de junho próximo. Ele não tem o menor compromisso com a verdade. Ele fica ali só rindo, sem dar a menor satisfação dos seus atos insanos”.

Quando desceu da tribuna passou próximo a Augusto Bezerra e os dois se estranharam. Não chegaram à agressão por conta da turma do deixa-disso, nas figuras dos deputados Venâncio Fonseca e Garibalde Mendonça. Foi a vez do deputado Rogério Carvalho ir à tribuna dizer que o deputado Augusto Bezerra pratica uma política velha e antiquada na Assembléia. “Ele precisa se reciclar”, garantiu. “Ele não agüenta um minuto de debate. Na verdade, o que ele sabe mesmo é comprar voto.  Precisa, porém, respeitar o povo de Sergipe”.

Nesta altura, o incidente entre Gualberto e Bezerra estava no auge e o presidente da sessão, deputado Adelson Barreto foi obrigado a suspender a sessão temporariamente, para que os nervos se acalmassem. Mas, ao descer da tribuna para o plenário Rogério encarou Augusto e os dois quase vão as vias de fato. Nova intervenção dos apartadores de briga e Augusto veio então para o setor de bancada de imprensa. Ali não gostou quando um jornalista disse que ele queria era ser agredido para se sair como vítima.

Ele então quis tomar satisfação com os jornalistas. Outros entraram na discussão e um deles chegou a dizer, em voz alta, que ele tem todo direito de emitir opiniões. Não no plenário, evidentemente, mas como a sessão estava suspense, ele podia agir como quisesse.

A deputada Suzana grudou então no deputado Rogério Carvalho para acalma-lo, não permitindo que ele avançasse em Augusto Bezerra. O deputado Venâncio, por seu turno, procurava afastar Augusto Bezerra do plenário. Conseguiu por poucos minutos. Bezerra ainda voltou a tomar assento no plenário, passando bem ao lado de Francisco Gualberto como forma de intimida-lo.

A sessão foi reaberta, ficou um ambiente tenso, mas deu-se a palavra aos outros oradores. Inclusive o próprio Bezerra e Gualberto, já no final do Grande Expediente.

Por Ivan Valença

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